Rádio Criança

Especial : Medo do dentista

14/10/2004 - 00h00

  • Especial : Medo do dentista

Medo pode não ser o termo correto para retratar o que algumas pessoas sentem quando precisam ir ao dentista. É uma verdadeira fobia e aversão a esse profissional que, para muitos, é sinônimo de dor e mal-estar. Daí surge a pergunta: como um adulto, também cheio de receios, pode ajudar uma criança a vencer esse temor? Especialistas estudam o assunto e dão algumas dicas sobre como tratar a questão com a criança.

A odontopediatra, Liliane Narciso, ensina: os pais não devem esperar que a criança tenha um problema dentário para levá-la ao dentista. É melhor que as primeiras consultas sejam divertidas e não haja dor ou traumas. Por isso, é essencial que sejam evitados comentários perto da criança, do tipo: não tenha medo, você não vai sentir dor! É melhor não falar em dor, termo que, segundo a odontopediatra, já causa intranqüilidade. Também é preciso evitar ameaças usando o nome do dentista para convencer a criança a fazer algo, como, por exemplo, escovar os dentes. É melhor explicar sobre as cáries e dialogar com a criança. Liliane Narciso também alerta que os pais não devem enganar a criança quanto ao tratamento a ser feito.

Sonora: "O pai precisa receber orientação de como vai conversar com a criança. Nós, odontopediatras, temos como maior qualidade conquistar a confiança da criança, falando a verdade, mas da maneira que é leve para ela ouvir. A gente usa uma linguagem lúdica - nem sempre a criança precisa saber de tudo com muita franqueza. Também evitar passar para ele as experiências que teve, porque, com certeza, as experiências que a criança tem hoje são bem diferentes das oportunidades que os pais tiveram na época."

Ainda hoje, a cadeira do dentista é evitada por causa de um grande vilão: o motorzinho barulhento utilizando para tirar a cárie. Mas os dentistas garantem que as técnicas rudes são coisa do passado. Atualmente, há produtos mais eficazes como o gel que amolece a cárie e pode até ser útil para evitar o tão assustador motorzinho, que, hoje, já não é tão barulhento assim. Antigamente, não havia aparelhos simples e essenciais como o sugador, que ajuda a criança a manter a boca aberta durante o tratamento. Hoje, o laser é utilizado para fazer prevenção e selar os dentes. Existe até a anestesia computadorizada que tira a sensibilidade apenas do dente tratado, o que significa que, aquele incômodo de ter a boca ou a língua toda anestesiada, não acontece mais. Para problemas mais sérios de fobia ao dentista, é possível utilizar o gás óxido nitroso - o paciente é sedado por uma máscara nasal. A odontologia de hoje busca ver o paciente como um todo para humanizar mais o tratamento.

Apesar da melhora nas tecnologias, o medo do dentista também é uma questão cultural. A deputada e professora, Yeda Crusius, chama a atenção para os índices alarmantes de cáries e problemas bucais que afetam o brasileiro. Além da questão econômica, ela cita o despreparo nas casas e a falta de orientação nas escolas um dos maiores causadores desse mal. Yeda Crusius tem um projeto tramitando na Câmara que determina a inclusão no currículo do ensino fundamental de um conteúdo obrigatório sobre saúde bucal.

Sonora: " Existe o despreparo sim das escolas, das próprias administrações da prefeitura e nas casas. É assim que ainda é no Brasil. Se é feito na escola, mas da metade dos problemas se vão porque a criança vai aprender brincando, vai aprender sentindo o gosto das coisas, sentindo o prazer do escovar, o hálito gostoso que fica depois de escovar os dentes, bochechar, colocar água, ela fica limpinha. (É com prazer que a criança na escola, onde ela passa a maior parte do tempo também, aprende que quando for dormir à noite deve fazer a mesma coisa.) Então, a escola é fundamental para a mudança da cultura, dos hábitos e para espantar o medo - o medo de dentista."

Saiba que antes mesmo de a criança nascer, os pais já podem prevenir problemas em sua dentição. Existe o pré-natal odontológico. Nessa consulta, as mães recebem uma série de informações como a necessidade de uma boa alimentação que a criança tenha uma dentição mais forte. Segundo a odontopediatra, Liliane Narciso, as mães também são orientadas sobre a importância da amamentação que, além de aumentar a resistência do bebê, é considerada pelos dentistas um tratamento odontológico gratuito. A odontopediatra explica que, quando os bebês são amamentados corretamente, diminui até a possibilidade de, no futuro, precisarem utilizar um aparelho dentário.

Sonora: "A posição de amamentação, ela fortalece a musculatura porque, para a criança sugar o peito, ela faz muito mais força do que quando ela suga uma mamadeira. Então, ela fica com uma musculatura mais rígida, mais firme, mais durinha, então, isso tudo ela está sendo estimulada a desenvolver dentro de um padrão de normalidade. Ela estimula o desenvolvimento da arcada dentária dentro dos padrões de normalidade, ela estimula o posicionamento lingual. Não é um garantia, é claro que o que vai determinar a necessidade de uso de um aparelho ortodôntico é algo muito mais complexo, porque envolve genética, tendências, vai combinar a arcada do pai com a da mãe, envolve respiração, postura de língua. Mas, quando a criança amamenta, a gente já sabe que já é uma coisa favorável."

A criança deve adquirir o hábito da boca limpa. A partir dos 3 ou 4 meses de vida, é possível estimular a higienização da boca. A mãe pode utilizar uma dedeira, fralda ou gaze molhada para limpar e massagear a gengiva do bebê. - também importante para que a criança adquira o hábito de ter a boca manipulada. A higienização deve ser feita sempre após os horários de mamada que representam as refeições principais. Os bons hábitos devem ser ensinados desde cedo. Essa atitude preventiva ajudará a criança a entender que o dentista não é nenhum bicho-papão, mas apenas um amigo que quer seu bem.

De Brasília, Poliani Castello Branco

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