Rádio Criança

Especial - Violência nas escolas

14/06/2004 - 00h00

  • Especial - Violência nas escolas

O dia 24 de maio poderia ser mais um dia comum para Cássia Fátima Souza: escola, bate papo com amigos, almoço em família,tarefas escolares, uma rotina própria de uma adolescente de 17 anos. Só que o destino reservava para a estudante um trágico encontro. Uma ex-amiga, que até pouco tempo dividia segredos e sonhos , movida por um instito de vingança, lhe tirou a vida diante dos colegas do Centro Educacional Stella Cherubins, em Planaltina, no Distrito Federal. Nem mesmo o policial que estava há trinta metros do local do crime, e que cuidava da segurança da escola, foi capaz de evitar a tragédia que abalou toda a comunidade escolar e as populações de Planaltina e do Distrito Federal.
Para a professora das duas alunas que cursavam o primeiro ano do ensino médio, Daliana Freitas, o crime não só chocou os estudantes, mas também afetou o rendimento escolar. Segundo Daliana, só depois de muita conversa é que a escola voltou a rotina.

sonora:" O grupo de professores aqui é muito tranquilo, muito unido. Então, nós estamos tentando fazer um trabalho com eles assim, tentando mostrar que a violência não leva a nada. Um momento de reflexão mesmo durante as aulas. Então eu acho que com isso nós estamos conseguindo cativá-los novamente."

O medo e a insegurança que tomou conta dos alunos do Centro Educacional Stella Cherubins, por causa da violência, já está presente em milhares de escolas do país. Hoje, nem mesmo os muros altos, cercas, policiamento e outras medidas preventivas impedem que a violência fique fora dos portões e arredores dos colégios.
Pesquisas realizadas pela Unesco mostram que as armas de fogo, facas e outras armas brancas se misturam ao material escolar e vão parar nas salas de aula. Em Brasília, só nos quatro primeiros meses de 2004, o Batalhão Escolar, responsável pela segurança das 1.100 escolas da cidade, recolheu 22 revólveres e 55 armas brancas, entre facas , canivetes estiletes.Comparado ao mesmo período do ano passado, o número de armas de fogo aprendidas com alunos, dentro das salas e em outras dependências dos colégios, cresceu 163% . Além do retrato da violência nas escolas do país, a professora da Universidade Católica de Brasília e pesquisadora da Unesco, Miriam Abramovay, disse que a que o òrgão das Nações Unidas vem desenvolvendo há 4 anos, em parceria com as Secretarias Estaduais de Educação, o Programa "Abrindo Espaços", que consiste na abertura das escolas nos finais de semana para a comunidade.

sonora: " Esse programa efetivamente abre espaço nso finais de semana como algo muito orgânico.Acontece que você abre às portas das escolas e você tem monitores, você tem pessoas que treinem nas mais diversas atividades, que pode ser desde teatro, futebol, cinema, tirar fotografias, cozinhar. O programa atinge , jovens, os pais, a família e os amigos e muda a visão da escola, que uma visão assustora ".

O crescimento da violência nas escolas brasileiras também tem sido tema de debates no Congresso Nacional. O deputado Enio Bacci, do PDT do Rio Grande do Sul, defende uma integração coletiva entre escola, governo e sociedade, para que juntos busquem saídas que possam reduzir essa onda de violência nas escolas. Enio Bacci é autor do projeto de lei de que institui o programa " Paz na Escola em todo o país".

sonora: "é um projeto que pretendente buscar a pacificação, a participaçaõ de todos num projeto, numa união coletiva, onde todos possam colaborar, buscando exatamente buscando a discussão de projetos do dia a dia da comunidade".

Enio Bacci informou que vai tentar junto a Presidência da Câmara agilizar a votação do projeto que institui o Programa Paz na Escola .

De Brasília, Carmem Fortes

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