Rádio Criança
Violência nas escolas é tema de debate na Câmara
06/05/2004 - 00h00
-
Violência nas escolas é tema de debate na Câmara
Agressões físicas e verbais, presença de drogas,falta de respeito nas relações entre professores e alunos, estudantes armados e prática de pequenos furtos, depredação das salas de aula e de outras instalações das escolas. Estes sinais de violência fazem parte do dia-a-dia de milhares de escolas do país.
Pesquisas realizadas pela Unesco, órgão das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, revelam que a violência das cidades brasileiras invadiu os estabelecimentos de ensino, em especial os da rede pública, e tem afetado o aprendizado escolar.
A Coordenadora do Observatório de Violências nas Escolas no Brasil, Miriam Abramovay, informou que resultados preliminares de outra pesquisa feita pelo Observatório em parceria com a Unesco, mostram que 84% dos mais de 10 mil alunos entrevistados dizem haver violência onde estudam. De acordo com a pesquisadora, o universo da amostra, que foi realizada em 143 escolas públicas de ensino fundamental e médio de 4 capitais, além do Distrito Federal, corresponde a 1milhão e 600 mil estudantes. Miriam disse que 69,44% dos entrevistados afirmam que há roubos nos colégios e 21,7% deles já viram armas no ambiente escolar. Uma das soluções apontadas pela professora para reverter esse quadro de violência escolar é a adoção pelo governo de programas como o Abrindo Espaço, uma iniciativa da Unesco, que abre as escolas nos finais de semana para lazer e integração entre pais, alunos, escola e comunidade.
Sonora: "esse grande programa, o Abrindo Espaço, que a Unesco está desenvolvendo em várias capitais e que está sendo proposto em nível federal, que é a questão da abertura das escolas nos finais de semana, já se comprovou através de pesquisas de avaliação que isso realmente protege as escolas."
O Observatório de Violências nas Escolas no Brasil é uma iniciativa da Universidade Católica de Brasília em parceria com a Unesco. O núcleo de pesquisas, criado em novembro de 2002, tem como principal objetivo elaborar recomendações e sugestões de políticas públicas de combate a violência escolar.
Outro convidado para a audiência foi o Coordenador-Geral do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública de Minas Gerais, Cláudio Beato. Ele diz que a cada dia cresce o número de jovens envolvidos em crimes. Beato defende a adoção pelos governos de programas estratégicos voltados para a ressocialização desses jovens.
De Brasília, Carmem Fortes