Rádio Criança

Endocrinologista alerta para aumento da obesidade infantil -

23/04/2004 - 18h40

  • Endocrinologista alerta para aumento da obesidade infantil -

O cardápio da criança brasileira está longe de ser saudável. Alimentos ricos em gordura e carboidratos, como batata-frita, sanduiches e doces são os preferidos da meninada, que muitas vezes torce o nariz para um prato com legumes e verduras. Como resultado de hábitos nutricionais inadequados, a obesidade infantil aparece na lista de doenças que preocupam cada vez mais pais, endocrinologistas e pediatras.
É o caso do endocrinologista Luciano Negreiros, especialista em obesidade infantil, coordenador do projeto de reeducação alimentar de crianças e adolescentes. De olho no que é oferecido nas cantinas dos colégios, geralmente salgadinhos, balas e refrigerantes, o projeto Bolochinha nas Escolas leva palestras educativas às salas de aula, mostrando a importância da boa qualidade alimentar.
No Brasil cerca de 100 mil pessoas morrem vítimas de obesidade, entre elas muitas crianças. Segundo resultados de pesquisa realizada pela prefeitura paulista de Santos, em parceria com as universidades Federal Paulista e São Marcos, de cada três estudantes entre 7 e dez anos, um está acima do peso considerado normal pela Organização Mundial de Saúde. Na pesquisa, foram acompanhadas dez mil 821 crianças de escolas públicas e particulares. Os resultados são alarmantes, uma vez que o excesso de peso na infância aumenta as chances, na fase adulta, do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes, problemas nos ossos, articulações e até câncer.
De acordo com o Dr. Luciano Negreiros, a educação alimentar vem de berço, uma vez que pais que apreciam pratos fartos e gordurosos tendem a transmitir suas preferências aos pequenos. Segundo Negreiros, eles têm responsabilidade do que chega à mesa.

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"Os pais têm que ter uma educação alimentar muito boa em casa porque a tendência genética da obesidade é muito forte. Quando um pai é obeso a tendência para que criança também seja é de 50%. Quando os dois são obesos, essa tendência sobe para 80%. Então, existe a tendência genética e principalmente, a do próprio ambiente alimentar de comer uma alimentação que não seja adequada".

Ainda segundo o endocrinologista Luciano Negreiros, que tem formação em medicina psicossomática, fatores psiquiátricos também respondem pelos altos níveis de obesidade infantil. Em muitas crianças e adolescentes, a comida constitui uma "válvula de escape", acentuada pela ansiedade. Trabalhar o corpo - com atividades físicas - e a cabeça é a melhor fórmula para vencer os quilos a mais. Segundo Luciano Negreiros, na luta contra a balança, o brasileiro tem a seu favor alimentos equilibrados: um prato de arroz, feijão, carne e verduras garantem o carboidrato, as proteínas e vitaminas que o organismo necessita.

De Brasília, Mércia Maciel

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