Painel Eletrônico
Caso Voepass: relator de comissão externa aponta negligência em acidente
07/08/2025 -
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Entrevista - Dep. Padovani (União-PR)
O relator da comissão externa que acompanha na Câmara dos Deputados os desdobramentos do acidente que vitimou 62 pessoas no ano passado em um voo da Voepass, entre Cascavel (PR) e São Paulo (SP), deputado Padovani (União-PR), disse que houve negligência da empresa na condução de suas atividades.
O relator falou em entrevista ao Painel Eletrônico (7), na semana em que o acidente completa um ano, em 9 de agosto. O relatório final da comissão externa será votado na próxima quarta-feira (13) pelo grupo, segundo Padovani.
De acordo com o relator, embora a comissão não tivesse como função a investigação do caso, ficou nítida a negligência da Voepass na condução de suas atividades, o que contribuiu para o acidente.
“Nós gostaríamos de dizer: ‘Olha, não houve um acidente, houve um incidente’, mas infelizmente, são muitas denúncias de mecânicos, de ex-funcionários, de pilotos, de pessoas que participavam da vida ativa da empresa, dizendo de botões, de treinamentos, de peças que eram trocadas. Nós já tínhamos essa desconfiança de que o aparelho de degelo estava com problema, porque ele foi ligado três vezes durante o voo. Ele ligava e desligava, ligava e desligava. Outro fato é que mesmo o avião estando com o degelo quebrado na aquela condição de gelo, quando o copiloto disse: ‘gelo severo’. O piloto pediu autorização para descer naquele momento, mas não dizendo ‘may day, may day, estou com problema no degelo, quero descer’,” relatou o deputado.
Padovani apontou outras falhas.
“O avião continuou voando pelo piloto automático e o piloto automático, ao fazer a curva, estava programado para fazer uma curva à direita com um ângulo de 27 graus, sendo que o manual diz que, se está com problema de gelo, se tem gelo nas asas, não pode nunca fazer a curva do avião a mais de 15 graus. Então o ângulo da curva foi muito fechado e isso fez com que o avião perdesse a aerodinâmica e fez o avião estalar.”
Padovani explicou que, como a comissão externa não tem os mesmos poderes de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI), não recebeu da Anac e do CENIPA informações dos últimos momentos da aeronave que caiu. Mas, durante quase um ano acompanhando os desdobramentos do caso, o deputado disse que foi possível identificar falhas na operação da Voepass, além de lacunas na legislação.
Por isso, em seu relatório, Padovani disse que irá recomendar a aprovação de dois projetos de lei. Um deles para criar um comitê de cooperação entre instituições públicas e privadas, a ser coordenado pela Anac, para atendimento humanizado e eficiente às vítimas de acidentes aéreos, de forma articulada e menos burocrática. E o outro para tornar mais rigorosa a fiscalização de empresas aéreas em recuperação judicial que sejam sócias ou participantes de outra companhia, como era o caso da Voepass, vinda da Passaredo.
“As empresas que estão sem dinheiro, elas têm aquele direito dos espaços nos aeroportos e criam novas empresas. E aí começam a operar com aqueles contratos de aeronaves, às vezes sucateadas, com baixa manutenção, sem treinamento adequado e com peças que tiram de uma aeronave e coloca na outra, canibalizando, digamos assim, as aeronaves e aí aconteceu o que aconteceu, infelizmente, com a Voepass”, alertou.
A Anac cassou em junho o direito da Voepass de operar transporte aéreo no país. O acidente com a aeronave da companhia, em 09 de agosto de 2024, matou 62 pessoas. Entre as vítimas, 35 eram do Paraná e, dessas, 22 eram de Cascavel.
Apresentação - Ana Raquel Macedo