Painel Eletrônico

Após relatos de alunos de medicina, deputado cobre solução para crise de financiamento estudantil

08/07/2025 -

  • Entrevista - Dep. Tadeu Veneri (PT-PR)

A Comissão de Educação da Câmara debate nesta terça-feira (8) a crise enfrentada por alunos de medicina que contam com recursos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Em entrevista ao Painel Eletrônico, o deputado Tadeu Veneri (PT-PR), que solicitou a realização da audiência pública, destacou que, dos 200 mil alunos hoje no Fies, em torno de 50 mil cursam medicina. Mas muitos desses estão desistindo do curso por não conseguir arcar com a coparticipação no financiamento.

Veneri explicou que, desde 2016, o Fies passou a ter limite de financiamento para alguns estudantes. Hoje, para medicina, esse teto é de R$ 60 mil por semestre ou R$ 10 mil por mês. Acima desse valor, o estudante que pegou o financiamento tem que arcar com a diferença.

“O problema é que os cursos de medicina são cursos caros. Esse valor passou a extrapolar os R$ 10.000. Hoje os custos de medicina estão R$ 14, R$15, R$ 16 mil, com um agravante. Eles têm dois reajustes por ano, acima da inflação. Isso inviabilizou, não só o FIES, porque o FIES tem um teto, o governo tem um teto, e obviamente que o orçamento tem um teto. Mas inviabilizou para os alunos,” informou.

“Eu recebo pedido de socorro de aluno que está no quarto ano, no quinto ano e que não consegue terminar, porque a sua família é uma família empobrecida, uma família de classe média. Se nós pensarmos em R$ 16.000 mensais mais a manutenção desse aluno, com alimentação, com o seu processo de estágio, quando é possível fazê-lo, nós estamos falando entre R$ 20 mil e R$ 25 mil. É praticamente impossível para um aluno que tem pai bancário, a mãe professora, o pai policial, porque todos eles têm pais, normalmente mães trabalhando, tio trabalhando, avós, todo mundo juntando para formar (esse aluno). Na sua maioria, são os primeiros que entraram num curso superior na família e obviamente que a maioria absoluta é do primeiro, às vezes o único a fazer medicina. Porque o curso tem um acesso muito difícil,” acrescentou.

Em 2024, o MEC lançou o Fies Social, que reserva 50% das vagas totais do programa para os estudantes com renda familiar per capita de até meio salário mínimo inscritos no CadÚnico. Para esse grupo, o financiamento cobra até 100% do curso, sujeito ao teto. Nas demais vagas, o financiamento é parcial, exigindo que o aluno pague uma parte da matrícula.

A audiência pública na Comissão de Educação sobre o Fies pode ser acompanhada pelo canal da Câmara dos Deputados no Youtube.

Apresentação - Ana Raquel Macedo

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