Painel Eletrônico
Maioria dos estudantes adere à nova lei e deixa de levar celular para escola, revela estudo divulgado pela Frente Parlamentar da Educação
06/06/2025 - 08h00
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Entrevista - Professor Guilherme Lichand
A maioria dos alunos brasileiros (51%) aderiu à nova lei (Lei 15.001/2025) que restringe o uso do celular na escola desde o início do ano. É o que revela pesquisa divulgada pela Frente Parlamentar Mista da Educação no Congresso, em parceria com organização Equidade.info.
Em entrevista ao Painel Eletrônico (6/6), o coordenador do estudo e professor da Stanford Graduate School of Education, Guilherme Lichand, explicou que o levantamento foi feito entre fevereiro e março, em 200 escolas representativas da diversidade do ensino básico brasileiro, incluindo instituições públicas e privadas, urbanas e rurais, com todas as etapas de ensino, inclusive indígenas e de educação de jovens e adultos.
“A gente falou com mais de 1.000 alunos distribuídos nessas escolas nas etapas do Ensino Fundamental 2, os anos finais, e Ensino Médio. Falamos com mais de 200 professores e quase 150 gestores escolares. A gente queria entender não só se a lei estava pegando ali no seu período de implementação inicial, mas também se, uma vez que os seus impactos começassem a ser percebidos pela comunidade escolar, se esse nível de apoio seguia alto. Porque a gente sabia que, antes da lei, a sociedade como um todo apoiava,” detalhou.
Segundo a pesquisa, entre os alunos do Ensino Médio, 63% levam o aparelho para escola; enquanto, entre os estudantes do Fundamental nos Anos Finais, 46% continuam levando o celular para escola. No geral, 51% dos estudantes afirmaram seguir a nova legislação.
De acordo com Guilherme Lichand, o desafio maior está no Ensino Médio. Nessa etapa, 1/3 dos alunos diz que não usa nunca o celular na escola. Mas entre os docentes, só 15% dizem que realmente os alunos não usam nunca o celular e, entre os gestores escolares, só 7%.
“Ao mesmo tempo entre todos esses atores, de 16% a 20% concordam que esse uso continua acontecendo ou sempre ou frequentemente, o que é um super desafio. Outro desafio que a gente notou é o local desse uso. Porque, de novo, se fosse um uso em sala de aula no contexto pedagógico, a lei permite que isso aconteça. Mas a gente vê um uso ainda bastante elevado não só na sala de aula. Mais de metade dos alunos admite que segue utilizando o celular no pátio, talvez na hora do intervalo, quando justamente a restrição seria para impulsionar que esses jovens se conectem, se relacionem. Continuam usando no banheiro, na quadra, o que parece gerar um uso mais escondido,” destaca o pesquisador.
Lichand lembra que a pesquisa questionou os estudantes, professores e gestores do porquê de o uso do celular continuar em algumas situações.
“Os alunos dizem que usam para se comunicar com a família, e citam uma série de usos pedagógicos, para pesquisar conteúdos educativos, tirar dúvidas com os colega sobre as aulas, acessar materiais. Já quando a gente pergunta para os adultos na escola, os professores e os gestores, eles citam usos muito diferentes. Eles dizem que, se o aluno usa o celular, é sobretudo para acessar redes sociais, para jogar online, para assistir vídeos online no YouTube,” disse.
Guilherme Lichand informou que a parceria com a Frente Parlamentar Mista da Educação continua para seguir pesquisando o impacto da lei que restringe o uso dos celulares nas escolas.
Apresentação - Ana Raquel Macedo