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Apoio à democracia cresce na América Latina, mas a região mostra polarização e fragmentação dos partidos políticos

24/02/2025 - 08h00

  • Entrevista - Diretor-executivo do Observatório da Democracia do Parlamento do Mercosul, Alexandre Andreatta

O apoio à democracia cresceu na América Latina e hoje atinge 52% dos eleitores. É o que diz o diretor-executivo do Observatório da Democracia do Parlamento do Mercosul, Alexandre Andreatta. Ele participou do terceiro encontro sobre observação eleitoral, com o tema Ciclo Eleitoral 2024 nas Américas, realizado na Câmara dos Deputados. Andreatta ressalta, porém, que 25% “estão alheios” ou não se importam com o tipo de regime do país.

Apesar do apoio à democracia, diz Andreatta, o eleitor se mostra descontente. Ele afirma que a América Latina e o mundo vivem, cada vez mais, a “era da simultaneidade”, fruto das redes sociais, em que cada vez as pessoas exigem resultados mais rápidos. É por isso, segundo ele, que das 18 eleições realizadas na América Latina e no Caribe entre 2021 e 2024, 13 foram vencidas pela oposição. Alexandre lembra que o período inclui parte da pandemia de Covd19 e a guerra na Ucrânia, em que as economias demoraram a ser retomadas. Ele exclui do levantamento Venezuela e Nicarágua, onde os resultados eleitorais são contestados pelos países vizinhos.

De acordo com o LatinoBarômetro, organização privada sem fins lucrativos, que realiza pesquisa anual de opinião sobre o tema, os partidos políticos estão esgotados, os parlamentos extenuados, o sistema judicial deslegitimado e as elites desacreditadas. Por essa razão, segundo Andreatta, os líderes políticos estão com um discurso cada vez mais contundente, “sem medo de dizer o que pensam”

Alexandre Andreatta diz que a polarização está difusa em toda a América Latina. Mas chama a atenção para a fragmentação dos partidos políticos. Ele cita a eleição no Equador, onde havia 16 candidatos a presidente, embora apenas dois tenham concentrado 90% dos votos. Ele afirma que muitos partidos estão dominados por “personalismos”. Andreatta destaca ainda o alinhamento dos partidos com as grandes plataformas, que passam a ser o principal foco da propaganda política, mesmo para os partidos mais tradicionais.

Andreatta afirma que o Brasil tem características distintas dos outros países latino-americanos por causa do sistema de coalização que vigora, na prática, na administração pública. Nos outros países, o descompasso entre governos e parlamentos têm gerado crises. Alexandre Andreatta acredita que o maior desafio dos países latino-americanos hoje é enfrentar a violência – não só a eleitoral. Ele diz que a América Latina tem 9% da população mundial, mas concentra 30% dos homicídios do planeta.

Apresentação - Mauro Ceccherini

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