Eleições 2006
Para cientista político, renovação de 46% da Câmara não corresponde aos anseios da sociedade - ( 02' 35" )
09/10/2006 - 00h00
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Para cientista político, renovação de 46% da Câmara não corresponde aos anseios da sociedade - ( 02' 35" )
O novo desenho de forças do cenário político brasileiro mostra uma continuidade dos poderes já estabelecidos, mesmo que algumas lideranças regionais tenham sofrido derrota nas urnas. A opinião é do cientista político José Eisenberg, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, o Iuperj. A Câmara terá uma renovação de 46% em 2007, índice superior ao das eleições de 2002, que trocou 41,6% dos deputados. Mas ainda assim, José Eisenberg, aponta que a opinião pública esperava uma renovação mais elevada que não se verificou nas urnas.
"Todas as previsões feitas sobre a Câmara dos Deputados que tentaram exarcebar o impacto possível, seja das políticas sociais do governo Lula e a sua capilaridade, seja da perda de confiança da população nas instituições parlamentares brasileiras como resultado da sua desmoralização em escândalos de corrupção, acabaram hipertrofiando esse efeito, calculando errado esse efeito, achando que as taxas de renovação e a mudança no voto do eleitorado seriam visíveis".
O cientista político enfatiza que é preciso ter cautela quando se fala em mudança e perda de poder de caciques políticos como Antônio Carlos Magalhães, do PFL. Ele opina que a virada do petista Jacques Wagner na Bahia, derrotando o candidato a reeleição ao governo baiano, Paulo Souto, apoiado por ACM, é uma exceção no cenário nacional. José Einsenberg lembra também que os dois deputados mais votados na Bahia são do grupo de ACM.
"Em primeiro lugar eu não acho que houve uma derrota contundente desses caciques como tem se tentado propagar pela mídia. Antônio Carlos Magalhões não foi candidato nessas eleições. O candidato era Paulo Souto, apoiado por ele, do seu grupo político. Um canditato a reeleição em uma eleição onde os canditatos a reeleição ou se elegeram muito facilmente no primeiro turno ou sofreram muitas dificuldades, como o governador Rigotto, por exemplo, no Rio Grande do Sul. E efetivamente se você olhar a bancada da Câmara dos Deputados, no caso da Bahia, os dois deputados mais votados foram o neto de ACM, ACM Neto, e o filho de Paulo Souto, Fábio Souto".
O cientista político aponta ainda o caso de José Sarney, no Amapá, que teve dificuldades durante a campanha, mas conseguiu se reeleger ao Senado com quase 54% dos votos. Para José Einserberg, esse é mais um exemplo que as lideranças políticas regionais ainda mantém a sua força.
De Brasília, Daniele Lessa