Eleições 2006
Especialistas falam sobre a influência da mídia e o voto do cidadão ( 02' 28'' )
01/10/2006 - 07h50
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Especialistas falam sobre a influência da mídia e o voto do cidadão ( 02' 28'' )
A mídia influencia a decisão de voto? Até que ponto? Essas são perguntas feitas por vários tipos de pesquisadores nessa época de eleições. O Iuperj, Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, acompanha desde o dia primeiro de fevereiro a exposição dos candidatos à Presidência na mídia, informando a quantidade de notícias veiculadas sobre cada um deles em quatro grandes jornais do país. As notícias são classificadas como positiva, negativa ou neutra e os resultados podem ser acessados em doxa.iuperj.br.
O pesquisador do Iuperj, Gabriel Mendes, cita uma das conclusões retiradas do material:
"O jornal, ele dá muito espaço não só ao candidato que está ganhando, mas ele dá muito espaço -falando apenas de visibilidade, não da natureza da cobertura- mas ele dá espaço na cobertura para grandes movimentos nas pesquisas. Toda vez que o Alckmin subiu um pouco, ele teve mais espaço. E a Heloísa Helena teve agora também um espaço impressionante. Teve uma quinzena, há um mês mais ou menos, que ela saiu de 50 aparições na quinzena para 250"
Gabriel Mendes explica, porém, que o contrário pode não ser verdadeiro. Apesar da baixa intenção de voto do candidato Cristóvam Buarque, ele tem merecido um grande espaço na mídia.
Para o pesquisador de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Leandro Colling, a mídia está dando mais cobertura às eleições, mas esse trabalho fica superficial ao valorizar itens como a agenda diária.
Colling afirma que essas eleições estão deixando mais claro que o poder da mídia nas decisões de voto merece ser tema de novas pesquisas:
"Então a gente fica só pensando que se o candidato tem mídia, ou se a mídia o apóia, ele vai se eleger. Eu acho que não é bem assim. Eu acho que isso já se mostra mais evidente agora porque você vê o contrário. Você vê uma grande avalanche de denúncias, de matérias negativas e essas notícias não interferem, pelo menos por enquanto, nas intenções de voto do candidato Lula. Isso você não via tão evidente nas outras eleições".
Colling lembra que foi muito comentada a influência da mídia na eleição de Fernando Collor em 89. Mas, segundo ele, alguns trabalhos mostraram a formação de um ambiente favorável ao surgimento de um candidato como aquele, que Colling classifica de "salvador da pátria".
De Brasília, Sílvia Mugnatto