Eleições 2006
Pesquisas eleitorais demonstram tolerância do brasileiro em relação a denúncias de corrupção (02' 48")
22/09/2006 - 06h00
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Pesquisas eleitorais demonstram tolerância do brasileiro em relação a denúncias de corrupção (02' 48")
A sensação de impunidade é pior do que todos os escândalos de corrupção que já apareceram na campanha eleitoral.
A opinião é do professor Lúcio Rennó, do Centro de Pesquisa e Pós Graduação para as Américas da UNB.
Para ele, o país não está nem mais nem menos corrupto.
Mas a descoberta do mensalão, das sanguessugas, do dossiê Vedoin e dos grampos do TSE é fruto da própria liberdade.
O professor da Universidade de Brasília ressalta, no entanto, que o objetivo seria punir os responsáveis.
Lúcio Rennó também considera preocupante a tolerância do eleitor com os casos de corrupção.
Sonora:
"Isso sim me parece problemático. Isso sim pode indicar que há uma tolerência com relação a esses comportamentos, o que não seria aceitável dentro de um regime democrático. A democracia permite que isso se torne visível e aí as pessoas envolvidas seriam punidas pelo processo eleitoral. Aparentemente, não parece que isto esteja acontecendo. As pessoas de fato sentem menos confiança nos seus representantes e nas instituições políticas, mas acabam votando nas pessoas que estão envolvidas. Então, é um dilema interessante que vale a pena ser analisado de forma mais cuidadosa porque pode significar algum tipo de risco de reversão do regime democrático no futuro se essas pessoas continuarem sendo eleitas e se mudarem as regras para favorecê-las."
O professor da UNB, Lúcio Rennó, acha - porém - que a democracia brasileira não corre nenhum risco - pelo menos por enquanto.
De imediato, o estudioso acredita que a avalanche de denúncias poderá reduzir ainda mais a credibilidade das instituições, como o Congresso Nacional e a Justiça.
Já a professora Vera Chaia, do Departamento de Política da PUC de São Paulo, afirma que - apesar de fragilizadas - as instituições continuam de pé.
Sonora:
"As instituições - apesar de toda a fragilidade que nós estamos acompanhando hoje, principalmente no Congresso Nacional - nós estamos vendo que tudo está acontecendo. Apesar de estes dossiês estarem aparecendo, na verdade tudo está acontecendo com grande tranquilidade. O TSE e essa questão dos grampos também é uma questão a ser averiguada. Mas ele está tendo liberdade inclusive na própria montagem da campanha, na cassação dos registros das candidaturas. A própria campanha eleitoral, do horário gratuito, está acontecendo normalmente."
A professora Vera Chaia destaca o pragmatismo do eleitor e afirma que a ética não está sendo muito levada em conta nesta eleição.A titular da PUC de São Paulo afirma que este comportamento está acontecendo sobretudo nas camadas mais pobres da população.
De Brasília, Mauro Ceccherini.