Eleições 2006
Crise provocada pelo dossiê contra tucanos agita cenário político (03'14")
22/09/2006 - 20h00
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Crise provocada pelo dossiê contra tucanos agita cenário político (03'14")
A poucos dias das eleições, a crise detonada pelo dossiê contra candidatos tucanos, que estaria sendo negociado por pessoas ligadas ao PT e ao Palácio do Planalto, agita o cenário político.
O governo acusa a oposição de trama eleitoral contra a reeleição do presidente Lula. Na outra ponta, a oposição acusa Lula de ser o maior interessado na divulgação do material que supostamente envolveria os candidatos José Serra e Geraldo Alckmin com o esquema da máfia das ambulâncias.
Para o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), é inegável que o governo não colocou obstáculos ao trabalho da Polícia Federal no caso da suposta compra do dossiê. Segundo o líder, esta é a prova de que a orientação do governo foi no sentido de uma investigação independente. Chinaglia acredita que este fato vai pesar na hora do voto.
"Eu acho que o primeiro momento é bastante eloqüente, mas a população vai prestar atenção em todas as nuances deste episódio. E daí, acho que a conclusão inevitável é que o presidente, obviamente o governo, não tem nada a ver com isso e aí ...Então, entendo que não atinge a campanha presidencial."
Já o primeiro vice-líder do PSDB, Bismarck Maia (PSDB-CE), afirma que as ações de alguns petistas e integrantes do governo denigrem a gestão pública, o que não deverá ser bem aceito pelo eleitor.
"Precisa-se um despertar da população brasileira e tenho certeza que isso vai acontecer muito claramente no dia 1º de outubro, quando a população entendendo realmente que não pode continuar esse clima tenso, toda hora se saber que existe uma crise oriunda de desvio ético, desvio de conduta com relação à gestão pública."
Pesquisas divulgadas depois do surgimento das denúncias apontam a manutenção da margem de vantagem de Lula sobre Alckmin. Segundo o Ibope, as intenções de voto no presidente Lula caíram de 50 para 49%. Geraldo Alckmin aumentou de 29 para 30%.
Ainda assim, o cientista político da UnB Ricardo Caldas avalia que a crise deve sim influenciar a eleição presidencial. Caldas falou que os mais influenciados serão os eleitores de renda mais alta. O professor esclarece que a situação muda de figura em relação aos grupos sociais menos favorecidos.
"E aí, a motivação desses eleitores de baixa renda é outra. É a questão toda do programa Bolsa Família, se ele recebe outro programa, se ele não recebe. Então, a grande incógnita é este grupo."
Ricardo Caldas considera a crise tão grave que pode ser comparada àquelas do governo Vagas, nos anos 50, quando o atentado contra Carlos Lacerda acabou disparando o processo que levou ao suicídio de Getúlio.
No cenário internacional, Caldas compara a crise brasileira ao caso Watergate, que levou ao impeachment do presidente Nixon, nos anos 70.
De Brasília, Idhelene Macedo