Eleições 2006

TSE contesta insegurança de urnas eletrônicas (02' 54")

22/08/2006 - 18h50

  • TSE contesta insegurança de urnas eletrônicas (02' 54")

Nas eleições de 2006, 126 milhões de eleitores vão escolher seus candidatos pelas urnas eletrônicas. Graças a essa tecnologia, 95% dos votos serão apurados até a meia-noite. Enquanto a segurança dessas urnas ainda é questionada por muitas pessoas, o Tribunal Superior Eleitoral garante que os equipamentos são confiáveis.

Para o desembargador gaúcho aposentado Ilton Carlos Dellandréa, a possibilidade de fraudes como o desvio de votos existe, e a dificuldade maior seria detectar as invasões no sistema eletrônico das urnas. O desembargador, que também foi juiz eleitoral, questiona por que os Estados Unidos se recusaram a usar as urnas eletrônicas feitas pela empresa norte-americana que vendeu a maior parte dos equipamentos que serão utilizados no Brasil.

"O que impressiona é que essas urnas foram recusadas tanto nos Estados Unidos como no Canadá. Pelo que se sabe, pelo menos 375 mil das 426 mil urnas que serão utilizadas nas eleições de 2006 são fabricadas por essa empresa. Isso é mais um motivo para a gente temer alguma coisa, não é?".

Ilton Dellandréa aponta que a impressão do voto eletrônico seria uma alternativa para aumentar a segurança desse sistema, pois a comprovação dos votos poderia embasar uma eventual impugnação de urnas ou mesmo da eleição. O diretor-geral do Tribunal Superior Eleitoral, Athayde Fontoura Filho, respondeu que já se tentou a impressão do voto eletrônico no passado e não deu certo, e que uma mudança desse porte deve ser definida em lei. Ele garante a segurança dos sistemas das urnas, destacando a impossibilidade de alterar as informações gravadas. O diretor do TSE informou que desde julho as urnas estão à disposição de instituições da sociedade civil para testes.

"O que é muito importante é que essas instituições, esses representantes da sociedade brasileira e o Ministério Público possam trazer especialistas da área de informática, tanto do Brasil como de fora, técnicos e professores das universidades, a virem conhecer o sistema e opinar sobre a condição e a forma como foram feitos esses programas que serão utilizados".

Sobre a utilização do sistema eletrônico em outros países, Athayde Fontoura Filho destacou nações como Argentina e México, entre outros, já fizeram simulações bem sucedidas com as urnas. Outros países, como a Itália e Japão, enviaram representantes ao Brasil para conhecer os sistemas utilizados aqui.

De Brasília, Daniele Lessa

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