Economia Direta
Ambientalista explica fundo TFFF, de investimento na preservação das florestas tropicais
10/11/2025 - 08h00
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Entrevista - Luís Fernando Guedes, SOS Mata Atlântica
Este episódio do Economia Direta traz uma das principais discussões da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30: a criação de um fundo de financiamento de preservação das florestas tropicais do planeta. O Fundo Florestas Tropicais para Sempre, TFFF na sigla em inglês, foi lançado oficialmente pelo Brasil na Cúpula de Líderes, encontro de chefes de estado que antecedeu a abertura oficial da COP30, nesta segunda-feira (10).
No Economia Direta, o diretor-executivo da SOS Mata Atlântica, Luis Fernando Guedes, explicou que o TFFF vai financiar países que, detentores de florestas tropicais, contribuam para manter de pé esse ativo ambiental considerado fundamental no equilíbrio do clima do planeta.
“As principais fontes de emissão de gases de efeito estufa vêm da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento, principalmente do desmatamento de florestas tropicais. O TFFF foi costurado pelo Brasil junto com outros países que têm florestas tropicais no mundo. As florestas tropicais estão principalmente na América Latina, na África e no Sudeste da Ásia. E são áreas que têm muito desmatamento e essa é a ideia de um fundo para manter floresta de pé. Ter floresta de pé é extremamente importante para a economia também. (...) As mudanças climáticas impactam os negócios, impactam os países, comprometem a saúde das pessoas, causam uma série de danos por meio dos eventos extremos, seja ondas de calor, de frio, secas, chuvas,” disse.
Luís Fernando detalhou o ineditismo do TFFF em relação a outros fundos, como o Fundo Amazônia.
“No Fundo Amazônia, os países doam dinheiro para o governo brasileiro financiar projetos individuais, que são muito importantes e que vão contribuir de alguma maneira para manter floresta de pé. O Fundo Floresta Tropical para Sempre é para financiar países que alcançam metas de redução do desmatamento. E daí o governo brasileiro é que vai decidir, por exemplo, como vai aplicar esse dinheiro dentro do país. Existe uma regra que 20% do recurso têm que ser destinados diretamente para as populações indígenas e comunidades tradicionais que vivem nas florestas,” afirmou.
“A outra coisa muito diferente é que esse fundo vai ser constituído para remunerar os investidores do fundo, como qualquer outro fundo de negócios. Então, primeiro alguns países vão colocar dinheiro nesse fundo. O Brasil já anunciou 1 bilhão de dólares, a Indonésia 1 bilhão de dólares, outros países anunciaram alguns aportes. A ideia é que nessa primeira rodada os países coloquem 25 bilhões de dólares. Mas a ideia é que cada dólar colocado pelos países atraia mais 4 dólares do mercado financeiro e que isso chegue a 125 bilhões de dólares remunerando esses investidores. Eles são remunerados como qualquer outro fundo e gerando recursos e a partir do investimento desse dinheiro pagando os países,” complementou.
Luis Fernando Guedes vai participar da conferência do clima, em Belém, representando a SOS Mata Atlântica.
Apresentação - Ana Raquel Macedo