Com a Palavra (atual Painel Eletrônico)
Momento O Eco: Baía de Guanabara sofre com mortandade não explicada de peixes
24/11/2014 - 12h08
-
Momento O Eco: Baía de Guanabara sofre com mortandade não explicada de peixes
Faz semanas que a Baía de Guanabara sofre com uma mortandade de peixes não explicada. Segundo moradores de Paquetá, a famosa ilha dentro da baía, só no local estão sendo retiradas dez toneladas de peixes mortos por dia.
A Baía de Guanabara é a mãe da cidade do Rio de Janeiro. No século XVI, ao descobri-la, os colonizadores portugueses imaginaram que seria desembocadura de um rio. E, como era janeiro, chamaram o local de Rio de Janeiro. As águas protegidas da baía foram a razão da construção de uma vila no local.
Desde então, em vez de ser cuidada, a Baía de Guanabara passou a ser o grande banheiro da cidade que cresceu no seu entorno. Ela recebe esgotos e detritos industriais de toda a região metropolitana. Não bastasse isso, também sofre com a pujante indústria de petróleo do estado do Rio.
Em 2000, o rompimento de um duto que ligava a refinaria de Duque de Caxias, da Petrobras, a um terminal na Ilha do Governador, lançou 1,3 milhão de litros de óleo de combustível nas águas da baía. A mancha se espalhou por 40 Km². Os peixes e a vida sofreram um choque do qual até hoje não se recuperaram. A falta de pescado forçou à redução do número de pescadores na região. A nova mortandade que acontece agora ainda não tem explicação.
A repórter Fabíola Ortiz, de O Eco, esteve em Paquetá e navegou nas águas da Baía de Guanabara. Ela viu peixes mortos desde o ponto de saída do barco na Praça 15, centro do Rio. Os pescadores entrevistados na matéria afirmam ver, regularmente, as chamadas tufas, lâminas amarronzadas que podem ter até 5 km de extensão. Eles levantam também a possibilidade de que navios de gás estejam lavando seus dutos e jogando os resíduos na baía.
A mortandade de peixes atinge, principalmente, savelhas, um tipo de sardinha. Mas também mata tartarugas e golfinhos.
O INEA, órgão ambiental do estado do Rio, não tem respostas. Segundo ele, foram realizadas análises físico-químicas, microbiológicas e de fito-plâncton nas águas da baía e nenhuma encontrou toxidade que explicasse o problema.
Enquanto isso, os pescadores lamentam a crise atual e lembram que, desde o acidente da Petrobras, em 2000, a pesca nunca mais foi a mesma.
Apresentação – Eduardo Pergurier