Rádio Câmara

Conversa de Elevador

Helen Keller

Helen Keller

13/05/2022 - 08h50

Imagine perder a visão e a audição quando ainda bebê e virar palestrante e publicar 14 livros na vida adulta.

Apresentação – Humberto Martins, com Marta Vieira

Transcrição desta edição:

SINAL DE ELEVADOR

Humberto: Oi, Marta. Tudo bom?

Marta: Oi, Humberto. Tudo bom.

Humberto: Marta, eu estava procurando informação sobre uma coisa que você tinha me contado sobre a Helen Keller.

Marta: Que história incrível.

Humberto: Que fenômeno aquela mulher.

Marta: É uma história linda, pela educação, pela superação. Mas conte, aí, um pouquinho. O que você leu?

Humberto: Primeira coisa, até um ano e meio, ela ouvia e via. Tudo normal. De repente, ela tem uma doença que eles, à época, colocaram como febre cerebral.

Marta: ... meningite

Humberto: Meningite, uma coisa assim. Mas nunca ficou muito claro. E ela perde a visão e a audição.

Marta: Isso, lá pra 1800

Humberto: 1800, oitenta e alguma coisa

Marta: Por aí...

Humberto: Ela desconecta-se do mundo, completamente.

Marta: Imagine, você não ouvir nem enxergar.

Humberto: Pois é, e perder essa informação tão cedo. Porque você nem pode dizer “mas ela tinha os referenciais antes", com um ano e meio.

Marta: Acho que foi antes de um ano. Que eu me lembre, essa história foi com oito meses de idade.

Humberto: Não, foi dezoito.

Marta: Ah, dezoito meses.

Humberto: E, assim, é uma briga constante dela, pessoal, primeiro. Então, até os sete anos, ela desenvolve junto com a filha do cozinheiro da casa dela uma série de sinais. Ela tinha sessenta sinais e que conseguia se comunicar.

Marta: Era o desejo de se comunicar. Como isso é forte.

Humberto: Como o isolamento...

Marta: Não casa com o ser humano.

Humberto: Exatamente. E não encolheu a vontade dela de aprender e de se comunicar. E, aí, tem aquele santo padroeiro, que aparece na vida das pessoas...

Marta: ... o anjo

Humberto: Que foi a Anne Sullivan...

Marta: Que foi a professora, a mentora.

Humberto: Eu acho interessante o rastro como foi, como as coisas se casaram para que ela tivesse oportunidade.

Marta: As suas se encontraram e elas ficaram parceiras. Foram muitos anos de aprendizado, um trabalho junto. Foram décadas.

Humberto: Foram quase cinquenta anos... quarenta e nove anos.

Marta: Eu vi uma foto das duas juntas.

Humberto: E ela foi, junto com a Helen Keller, para a faculdade, porque a Helen Keller quis ir para a faculdade e foi uma conexão entre elas.

Marta: Eu fico pensando no amor que tinha, ali. Uma dedicação extrema. A coisa funcionou a um ponto que a Helen Keller escreveu vários livros...

Humberto: Catorze livros.

Marta: Foi a primeiro cego-surdo a tirar um bacharelado, fez uma militância...

Humberto: ... em favor dos direitos da mulher, do voto e do planejamento familiar.

Marta: E também falou dessa questão da deficiência visual, da deficiência auditiva. Então, ela fez um trabalho incrível. Você imagina ser uma criança e não escutar nem enxergar? Nesta história, para mim, tem um momento que a própria Helen Keller conta, no livro que escreveu sobre a vida dela, que demorou para ela entender. Às vezes, ela ficava até irritada, quebrava coisas. Teve um dia, ela conta, que a Anne Sullivan botou a mão dela embaixo da água pra ela sentir a água e escreveu no braço dela, com o dedo, “água”. E ela entendeu que água que ela estava sentindo correspondia àquela escrita. Ela diz que nesse momento entendeu. E nesse dia que entendeu isso, aprendeu várias palavras.

Humberto: Foram trinta palavras que ela aprendeu. Olhe só que legal!

Marta: Mas esse momento é de arrepiar.

Humberto: É fantástico. E a insistência, a briga? Ela não desistir, em momento nenhum. Ela se torna palestrante. Eu estava vendo que ela levou 25 anos até ter a voz correta para que os outros entendessem a dicção dela – 25 anos!

Marta: Ela lia no Braile, escrevia e falava. Agora, vou te falar: a Helen Keller, realmente, é uma pessoa excepcional, mas essa professora também.

Humberto: Com certeza.

Marta: É o que você falou: é o belo encontro. Foi um bonito encontro de duas pessoas, que produziu muito. Porque também a dedicação dessa pessoa, a fé dela, a persistência para pegar o desafio e fazer... a sensibilidade... é uma história linda, Humberto, de arrepiar de tão bonita.

Humberto: Não é à toa que  Mark Twain, que ela conheceu e foram amigos até a morte dele, chamava-a de “milagrosa”.

Marta: Vale a pena ler a autobiografia dela para conhecer essa história do ponto de vista dela, o que viveu e o que aconteceu.

Humberto: E ainda ganha o prêmio Nobel da Paz.

Marta: Ela mereceu...

Humberto: ... depois de tanta luta.

Marta: E viveu muito, até mais de 80 anos.

Humberto: 87, se não me engano.

Marta: Uma longa vida.

Humberto: Um pouco antes de completar 88.

Marta: É uma pessoa para dar uma força para gente...um exemplo...

Humberto: Para não acreditar em limitações.

Marta: E eu acho que muito no amor. Eu acho que sem muito amor, entre as duas, entre a professora e a aluna, isso não teria acontecido.

SINAL DO ELEVADOR

Marta: Foi muito amor também que atuou aí, você não acha?

Humberto: Verdade. Oh, Marta, chegou o meu andar.

Marta: Então, tá, Humberto! Um beijo. Até a próxima.

O Conversa de Elevador é um programa de bate-papo sobre temas variados, e que pretende ser ao mesmo tempo leve, breve e divertido, sem deixar de provocar uma reflexão no ouvinte. Partindo da observação do cotidiano, faz pequenas incursões pela psicologia, literatura e filosofia, em busca da delicadeza e do viver bem. Enfim, é uma conversa solta e sem compromisso, marcada pelas experiências do dia-a-dia e pela convivência em um mundo que às vezes parece tão rápido e tão cheio de subidas e descidas quanto um elevador.

Sexta, 8h50, dentro do Painel Eletrônico, e domingo, 8h30