Rádio Câmara

Reportagem Especial

FORMAÇÃO DE PROFESSORES: o Brasil no ranking mundial da educação

  • FORMAÇÃO DE PROFESSORES: o Brasil no ranking mundial da educação (bloco 1)

  • FORMAÇÃO DE PROFESSORES: propostas inovadoras para as licenciaturas (bloco 2)

  • FORMAÇÃO DE PROFESSORES: alternativas para melhorar a atratividade da carreira (bloco 3)

  • FORMAÇÃO DE PROFESSORES: desafios para o trabalho e o salário dos docentes (bloco 4)

  • FORMAÇÃO DE PROFESSORES: a oferta de cursos de formação continuada (bloco 5)

O Brasil está entre os piores países no ranking mundial da Educação. O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, conhecido como Pisa, coordenado pela OCDE, Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico, foi aplicado em 70 países. Os últimos resultados, divulgados no fim de 2016, mostram queda de pontuação nas três áreas avaliadas: ciências, leitura e matemática. O Brasil ficou entre os oito piores em ciências, entre os doze piores em leitura e entre os cinco piores em matemática.

Mais grave ainda é o fato de 80% dos estudantes avaliados estarem entre o nível mais baixo de conhecimento e o nível básico. O nível básico de aprendizagem é o mínimo necessário para se tornar um cidadão "crítico e informado", segundo a OCDE. Neste nível, os estudantes começam a demonstrar as competências que vão permitir que eles participem "efetivamente e produtivamente" nas situações cotidianas.

Consequentemente, o Brasil teve poucos jovens nos níveis mais altos de aprendizado, enquanto nos países da OCDE são esses grupos que concentram a maior parte dos alunos.

Priscila Cruz é fundadora e presidente-executiva do movimento "Todos pela Educação". Ela chama a atenção para esses resultados e alerta para que não sejam naturalizados.

Priscila Cruz: "Em Ciências, a gente tem apenas no nível mais alto de proficiência, então, na excelência, a gente tem 0,02% dos alunos no nível mais alto de aprendizagem em Ciências. Como o Brasil quer sair dessa crise, quer inovar, quer ser mais produtivo, quer realmente ser um país melhor para todos no século XXI se apenas 0,02% dos alunos estão na proficiência mais alta de ciências? Isso tem tudo a ver com professor. A gente também tem uma situação muito ruim em relação ao número de professores com licenciatura adequada lecionando na disciplina, que é só um indicador quantitativo. A gente tem em Ciências, 65% dos professores não têm formação na área."

O Estado com maior número de professores com formação adequada atuando em suas áreas é o Espírito Santo. Não por coincidência é o Estado com os melhores resultados no Pisa.

Para o presidente da Frente Parlamentar da Educação, deputado Alex Canziani, do PTB do Paraná, os resultados mostram a necessidade de mudanças.

Alex Canziani: "Não há como se falar na melhoria da educação brasileira se nós não tivermos um foco muito claro na área da formação de professores. Quando a gente pega o curso de pedagogia, que está entre os menos concorridos, sem dúvida alguma, uma das questões fundamentais é a baixa atratividade da carreira. E a questão do salário tem um papel importante. Nós temos que ter um olhar muito atento para a questão de que professores estamos formando, que tipo de profissional nós devemos ter para que vençam os desafios do século XXI."

Fernando Luiz Abrucio, da Fundação Getúlio Vargas, avalia que, para mudar a educação no país, a qualidade do professor é estratégica.

Fernando Luiz Abrucio: "São múltiplas variáveis que mudam a educação. Não é um fenômeno uni causal. É um fenômeno que envolve gestão, currículo. Dessas variáveis, uma é estratégica, que é o professor. Para se alcançar os melhores resultados, há uma percepção de que o sistema escolar, e mais particularmente o papel e o tipo de professor que nós temos, tudo isso terá que ser mudado nos próximos anos. Como se dá a relação do professor com as outras variáveis? Nós não vamos formar um professor na Universidade e jogá-lo na escola e, a partir dali, quase como um príncipe encantado, ele vai encantar os alunos e os alunos vão tirar melhores notas em exames padronizados e vão se tornar ótimos cidadãos, etc. e tal."

O Ministério da Educação reconhece as dificuldades e enumera prioridades: alfabetização, construção da base curricular nacional comum, a reforma do ensino médio e a formação de professores. O secretário de Educação Básica, Rossieli Soares, destaca que todas estão relacionadas à base da educação brasileira.

Rossieli Soares: "Mesmo aquela (prioridade) que tem a ver com a educação superior, o foco é a educação básica brasileira. Dentro do pilar da formação dos nossos educadores, no Brasil, certamente temos alguns desafios: a formação inicial no Brasil precisa trazer um equilíbrio, uma resposta mais clara àquilo que precisa ser formado na sala de aula. Há, muitas vezes, uma distância muito grande entre o que o professor aprende lá na universidade e o que ele vai realmente poder utilizar dentro da sala de aula."

Os desafios na formação de professores são também quantitativos. Dos mais de 1,4 milhão de estudantes matriculados em cursos de licenciatura, só 16% concluem a graduação, conforme dados do MEC. São pouco mais de 230 mil formados, 33% nas universidades públicas e 67% nas particulares.

Conheça, no segundo capítulo da Reportagem Especial, as dificuldades na formação de professores e as propostas inovadoras para os cursos de Pedagogia e as licenciaturas.

Reportagem – Geórgia Moraes
Edição – Mauro Ceccherini
Trabalhos Técnicos – Milton Santos

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