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Reportagem Especial

Excesso de sal nos alimentos: um mal que pode levar à morte

  • Excesso de sal nos alimentos: um mal que pode levar à morte (bloco 1)

  • Excesso de sal nos alimentos: 10 milhões de brasileiros podem ter hipertensão e não sabem (bloco 2)

A hipertensão, causada pelo excesso de sal na comida, pode levar ao infarto e ao derrame. O acordo que o Ministério da Saúde firmou com a indústria para reduzir o sódio nos produtos é considerado tímido por representantes de consumidores. Um cardápio saudável não deve ultrapassar seis gramas de sal por dia, o equivalente a seis colheres rasas de café. O excesso de sal nos alimentos é o tema da Reportagem Especial desta semana, em dois capítulos. Confira, com Karla Alessandra.

O sódio é vital para o funcionamento do organismo. Sua falta pode causar letargia, fraqueza e convulsões. Encontrado naturalmente nos alimentos, é reforçado pelo uso abusivo do sal de cozinha. Seu excesso pode causar dor de cabeça, delírio, parada respiratória e a hipertensão. O aumento da pressão arterial é responsável por 20 milhões de mortes anualmente no mundo:

Para diminuir a incidência de hipertensão, o médico cardiologista Wagner Pires defende que as crianças sejam acostumadas desde cedo a não ingerirem alimentos com muito sal, como forma de prevenir ou, pelo menos, retardar o aparecimento da hipertensão.

"Uma redução considerada moderada, por exemplo, de cinco gramas de sal, tem o potencial de reduzir em até 15% a incidência de AVC, que seria o derrame cerebral, e aproximadamente 10% das doenças isquêmicas, no caso, o infarto."

O abuso levou o radialista José Uchoa ao pronto socorro, após um churrasco. Ele lembra que, na época, tinha 34 anos e o susto foi suficiente para que ele adotasse uma dieta saudável e conseguisse controlar a pressão. Mas José Uchoa reclama da falta de informação sobre a quantidade de sal em produtos industrializados e em restaurantes:

"Eu tenho só a dificuldade de encarar com alguns alimentos que a gente não sabe se tem ou não sódio, sal, o que é um perigo para quem é hipertenso hoje em dia."

A pressão arterial deve ser verificada, pelos menos, uma vez ao ano. A medição pode ser realizada nos postos de saúde.

O Ministério da Saúde divulgou, em agosto, os primeiros resultados do acordo de cooperação firmado com a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA) para a redução do sódio presente nos produtos comercializados no Brasil.

Os fabricantes de alimentos afirmam ter reduzido a quantidade de sódio em 11% em pães de forma e bisnaguinhas e em 15% em macarrões instantâneos, entre 2011 e 2012. Com a redução, a indústria estima que 1.295 toneladas de sódio tenham sido retiradas dos produtos.

A coordenadora da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, Pró-Teste, Maria Inês Dolci, ressalta que o acordo com a indústria foi tímido e, em alguns casos, permite o uso de sódio em quantidades maiores do que as que existem hoje:

"Esse acordo foi firmado com base nos teores máximos de sódio dos produtos já presentes no mercado e o acordo fixou meta acima da média que hoje é encontrada para esses alimentos. Por exemplo, a batata frita, a média hoje é 456mg de sódio para 100g de produto. Então, o pacto fixou em 529mg por 100g até 2014."

A ABIA informou, por meio de nota, que o acordo prevê, também, o combate ao uso da gordura trans. A associação informou, ainda, que até 2016 deve retirar 2.844 toneladas de sódio do mercado de produtos alimentícios.

Um cardápio saudável não deve ultrapassar a quantidade de seis gramas de sal por dia, o que corresponde a seis colheres rasas de cafezinho.

Essa é a cota ideal para não exagerar no consumo de sódio, um componente do sal encontrado em quase todos os produtos industrializados.

Confira, no segundo capítulo da Reportagem especial: projeto em tramitação na Câmara quer alertar o consumidor sobre o excesso de sal nos alimentos.

Reportagem – Karla Alessandra Edição – Mauro Ceccherini Trabalhos técnicos – Milton Santos

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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