Reportagem Especial
Jorge Amado - As adaptações para cinema e televisão (06'40'')
13/09/2010 - 00h00
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Jorge Amado - As adaptações para cinema e televisão (06'40'')
Trilha "Modinha pra Gabriela"
Em 14 de abril de 1975, estreou na Rede Globo a novela Gabriela, uma adaptação livre do romance "Gabriela, Cravo e Canela", de Jorge Amado.
Gabriela é apenas uma das mais de dez adaptações de obras de Jorge Amado para a televisão. Se Gabriela eternizou Jorge Amado na televisão, no cinema, o filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos", fiel adaptação de Bruno Barreto, eternizou o escritor nas telas.
O filme ainda é o mais visto na história do cinema brasileiro: mais de 10 milhões de espectadores. Na época, a população do Brasil era de 100 milhões de pessoas. Ou seja, um entre dez brasileiros se sentou num cinema para assistir Dona Flor, uma façanha impensável nos dias de hoje.
Segundo a diretora da Fundação Casa de Jorge Amado, Mirian Fraga, a importância das adaptações está apenas na ajuda à divulgação da obra do escritor.
"Daí as pessoas têm vontade de ir ao livro, de pesquisar, se aprofundar. Realmente as duas mais importantes adaptações são a novela Gabriela e o filme Dona Flor."
No cinema também foram adaptados Terras Violentas, baseado em Terras do Sem-Fim; Seara Vermelha; Capitães da Areia; Os Pastores da Noite; Tenda dos Milagres; Gabriela; Jubiabá; Tieta do Agreste e, mais recentemente, Quincas Berro D´Água, adaptação de um curto romance de longo título: A Morte e a Morte de Quincas Berro D´Água.
A neta de Jorge Amado, Cecília Amado, começou em 2009 a filmar Capitães de Areia.
"Acho que você tem que ser fiel à essência do livro, sobretudo trazer um ponto de vista novo, do diretor, ir além da literatura."
No segundo semestre devem começar as filmagens do filme Os Velhos Marinheiros, com roteiro e direção de Marcos Jorge.
TRILHA "A Luz de Tieta"
Para a TV, houve dez adaptações de obras de Jorge Amado. Gabriela teve duas, uma em 1961, outra em 1975, Terras do Sem-Fim passou na TV em 1981, Tenda dos Milagres em 1985. Capitães da Areia, 1989. Tieta, Tereza Batista Cansada de Guerra, Tocaia Grande, e, por fim, Dona Flor e seus Dois Maridos, de 1997.
A obra de Jorge Amado facilita as adaptações. Segundo Mirian Fraga, sim.
"De certo modo, porque são livros que têm muita movimentação, muitos personagens, uma certa coisa popular, isso ajuda. Eu, pessoalmente, geralmente eu gosto mais dos livros, mas das adaptações, não só de Jorge Amado, mas de outros autores. É muito difícil uma adaptação ir além do que o autor fez."
Paloma Amado encara as adaptações da obra de Jorge Amado para o cinema, teatro e televisão mais ou menos da mesma forma que o pai enxergava.
"Eu penso um pouco como o papai pensava. Cada adaptação é uma recriação. Você não pode exigir que o filme seja absolutamente igual a um livro, pois são duas formas diferentes. E aí vai depender do próprio criador, do cineasta, criador da novela, adaptador do teatro. Eu, pessoalmente, gosto mais ou menos dependendo da sensibilidade minha bater com a do adaptador."
Jorge Amado foi eternizado pela televisão. As referências aos seus livros estão no cinema e na TV. Para sempre. Mas o seu amigo Eduardo Portella, acadêmico, não gosta.
"Olha, da televisão, o que assisti foi Gabriela, achei bem razoável, embora não tenha nenhum entusiasmo maior. E a do cinema, acho um pouco caricata. Mesmo Dona Flor eu acho que tem umas pequenas concessões à anedótica."
Como era Jorge Amado durante o processo de adaptação de uma obra sua? A neta e cineasta Cecília Amado responde:
"Por vezes, ele até participou do processo de adaptação, mas como são linguagens diferentes, ele evitava intervir e até assistir."
Até que ponto a televisão e o cinema aumentaram a difusão da obra de Jorge Amado? Na opinião da cineasta Cecília Amado, as adaptações são uma via de mão dupla.
"Essas adaptações só tiveram repercussão por causa da obra em si. As adaptações não fizeram mais lido, mas talvez uma celebridade no sentido contemporâneo da palavra. Mas a responsável é a literatura, por isso ele foi procurado e não o contrário."
Além de Capitães da Areia, que estreia em 2010, e Os Velhos Marinheiros, que tem as filmagens iniciadas ainda neste ano, houve nove outras adaptações de Jorge Amado para o cinema: Terras Violentas (baseado em Terras do Sem-Fim), em 1948, Seara Vermelha, de 1963, a adaptação original de Capitães da Areia, de 1970, Dona Flor e seus Dois Maridos, de 1979, Os Pastores da Noite, de 1975, Tenda dos Milagres, que estreou em 1977, Gabriela, de 1983. Jubiabá, de 1987, e Tieta do Agreste, filmado em 1996.