Reportagem Especial
Moradores de rua - As ações sociais voltadas à população que vive sem um lar (4'40'')
21/05/2010 - 00h00
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Moradores de rua - As ações sociais voltadas à população que vive sem um lar (4'40'')
Um jornal, uma revista, um restaurante. Os três tem em comum a reintegração social de moradores e ex-moradores de rua.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, uma publicação da Organização Civil de Ação Social, a revista Ocas, é vendida por pessoas que vivem nas ruas, todas acima de 18 anos, cadastradas, identificadas com um crachá. Os vendedores compram a revista por R$ 1 na associação e vendem por R$ 3, o preço da capa.
O projeto nasceu há nove anos, produzido por jornalistas independentes, com a colaboração dos próprios moradores de rua. O tema da exclusão social é o destaque, mas a revista publica notícias nacionais e internacionais, comportamento e artes.
O objetivo é resgatar a auto-estima dos vendedores e dar uma chance de mudança na vida de quem está na situação de rua.
No mesmo caminho, o jornal Aurora da Rua, de Salvador, é fonte de renda e também exercício de cidadania. A publicação bimensal também é escrita pelos moradores de rua e quem não sabe escrever conta a história para um jornalista voluntário, que transcreve os textos.
Um dos fundadores do jornal baiano, Edcarlos Venâncio, conhece bem a realidade das ruas e diz que a dinâmica montada no Aurora permite que a renda da venda do jornal seja diretamente utilizada pelos excluídos. O impresso custa R$ 1, com R$ 0,75 revertidos para o vendedor.
"Aí, hoje muitas pessoas já acreditam no jornal, então nós temos vários assinates da Bahia e de outros estados. Então eles possibilitam com suas assinaturas para fazer a impressão de cada edição. Hoje nós temos em torno de 300 assinantes, 8 mil exemplares e conseguimos ter fielmente 7 mil leitores"
As alternativas propostas pela organizações não governamentais são vistas de longe pelas estruturas oficiais como exemplos para tentar melhorar as políticas públicas de atenção social a esse grupo de exluídos.
A diretora do departamento de proteção social, do ministério do desenvolvimento social e combate à fome, Margarete Cutrim, acredita que o esforço deve ser direcionado não só para retirar as pessoas das ruas, mas também para a melhoria das condições de quem decide ficar.
"Muitos permanecem nas ruas porque não conseguem ainda se adaptar a uma convivência com regras, mas isso é um processo. A saída da rua é um processo que deve ser construído com eles"
Já em Belo Horizonte, um centro cultural se transformou em restaurante para mudar a vida de quem não tinha casa nem abrigo. O restaurante Reciclo 2 é uma iniciativa da Associação de Catadores de Material Reciclável de Minas Gerais e emprega moradores e ex-moradores de rua.
O espaço tem cozinha renomada na capital mineira e vende produtos reciclados, além de promover eventos culturais.
A cozinheira Mariuche Augusta Neves, passou 18 dos 31 anos de idade nas ruas, depois de fugir do orfanato que a maltratava, e hoje só pensa no futuro trabalhando no restaurante Reciclo 2 e na casa de um projeto habitacional da prefeitura de Belo Horizonte.
"Meu sonho já foi realizado, era sair das ruas. Meu sonho é continuar trabalhando e tocando a vida. mas aí você tem que querer também, o primeiro passo quem tem que dar é você"
De Brasília, Keila Santana