Reportagem Especial

Abuso sexual - O interesse cada vez mais precoce pela sexualidade (03'41")

27/04/2010 - 00h00

  • Abuso sexual - O interesse cada vez mais precoce pela sexualidade (03'41")

Nas últimas semanas, duas meninas que usavam as chamadas "pulseiras do sexo" foram violentadas e assassinadas. Cada pulseira tem uma cor, e quem arrebenta o acessório recebe uma retribuição sexual da dona da pulseira, de acordo com a cor. Se ela for roxa, por exemplo, vale beijo de língua; a preta, sexo.

A polícia suspeita que as meninas se recusaram a fazer sexo e por isso foram estupradas e mortas. O pai de uma das meninas, que só quis realizar a entrevista sem se identificar, se surpreendeu com o fato de a polícia descobrir pulseiras junto do corpo da filha.

"Segundo esse relato lá, ela estava com as pulseiras, tinha perto do corpo dela. Ela foi encontrada de roupa com a mão sobre o peito. A polícia está trabalhando em cima disso, tem suspeita do que houve, mas não tem a certeza de que ela tava (sic) com a pulseira."

A outra menina ainda não foi identificada. Crimes como esses trazem a pergunta: porque crianças entram na puberdade cada vez mais cedo? E porque adolescentes começam a vida sexual mais cedo? O professor Vicente Faleiros, coordenador do Cecria, afirma que essa precocidade não é biológica, e sim reflexo da valorização social da sensualidade.

Ele explica que isso, somado ao excessivo autoritarismo dos adultos, tem como efeito colateral o fim precoce da infância e a consequente sensualização que vem junto com o amadurecimento físico.

"O adulto, na relação com a criança, tem, muitas vezes, uma perspectiva de forçar a criança a fazer o que o adulto quer. E não ouvir a explicação da criança, o diálogo com a criança, e também dar explicação para a criança, com respeito à sua compreensão. Então, o adulto quer impor."

Infelizmente o amadurecimento físico e a curiosidade crescente sobre o sexo não são acompanhados pelo crescimento psicológico. As meninas fantasiam ser mulheres maduras, mas ainda não estão preparadas para recusar as demandas sexuais e se defender de assédio.

Para Maria Helena Vilela, diretora do instituto Kaplan de Educação Sexual, a sensualização precoce aumenta muito o risco de ataques sexuais.

"De uma certa forma, se a criança é uma criança sensualizada, ela vai chamar a atenção desse agressor. E esse agressor vai se encantar mais por ela. Então, de uma certa forma, isso pode estimular."

Maria Helena ainda explicou que os pais devem tentar um resgate do crescimento saudável através do diálogo e do estabelecimento de uma ligação de confiança com a criança. Assim, ela se sentirá à vontade para ser criança e amadurecer de forma saudável, na hora certa.

De Brasília, Bruno Angrisano

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