Reportagem Especial

O casamento - A indústria e as celebrações comunitárias

05/04/2010 - 00h00

  • O casamento - A indústria e as celebrações comunitárias

Os brasileiros estão se casando mais. Entre 2007 e 2008, o aumento foi de 4,5%, segundo a Estatística do Registro Civil, divulgada em novembro do ano passado pelo IBGE.

Se compararmos com os números de dez anos antes, o aumento foi de 34,8%, um crescimento maior do que o crescimento da população brasileira, que no período ficou em 21,4%.

Desde 1998, o processo para oficializar a união nos cartórios sofreu várias alterações, todas para facilitar. Atualmente, uma lei permite que a habilitação para casamento seja feita pessoalmente perante o oficial de Registro Civil. Basta apenas o registrador homologar o pedido, diante de audiência do Ministério Público.

Se, antes, a habilitação para o casamento podia levar mais de dois meses por causa da homologação pelo Poder Judiciário, agora o tempo entre os proclamas, que são de 15 dias em média, e o final da documentação no cartório faz cair para menos de quatro semanas. Com tanta facilidade, o registro de casamentos vem aumentando, como explica o gerente de estatísticas vitais do IBGE, Cláudio Dutra.

"Desde 2003, tem ocorrido um aumento gradual a cada ano no volume de casamentos e taxas de nupcialidade, ou seja, número de casamentos para 1000 habitantes. Ela tem sido crescente nos últimos cinco anos, invertendo uma tendência da década anterior, que era de decréscimo."

Quem mais se aproveita dessa tendência são as empresas que organizam festas de casamento. Esse mercado mobiliza no Brasil mais de R$ 8 bilhões por ano. O empresário Fernando Ferro é dono de uma dessas empresas em Goiânia.

"Eu sou da seguinte opinião; se casamento fosse um institituição falida, quem por algum motivo separou não iria se casar de novo. E eu faço muito casamento de pessoas separadas na igreja ortodoxa de Goiânia, que é a igreja aceita pelo Vaticano. O casamento não é uma instituição falida."

Todo casamento tem seu preço, e ele não é nada barato. Fernando, quanto sairia um... o mais barato, vai?

"O mais barato hoje. O evento completo que envolve decoração igreja, coral, sonorização, cerimonial, vestes e fotografia, o mais barato. Menos de R$ 10 mil é bem próximo do impossível."

E o mais caro?

"Aí, é perder de vista. O mais caro depende de quem você contrata."

O casamento do paranaense Alexsandro Paes da Silva com sua noiva Marly foi bem emocionante.

"É uma coisa que marca a vida da gente. Bem marcante. Eu levei os três filhos, eles participaram desse casamento, né? Foi bem marcante."

É, mas o detalhe é que o casamento de Alexsandro Paes não teve muita pompa e circunstância. Ele participou de um casamento coletivo em uma ação social em Piraquara, no Paraná.

O padre José Aparecido Pinto, capelão do Centro Cívico do Paraná, que realiza esse tipo de casamento, concorda com Alexsandro: o casamento coletivo, longe da impressão de uma mera formalidade, é bastante emocionante.

"Olha, é bem emotivo mesmo. Porque as pessoas são acolhidas, elas sentem que não estão distantes na igreja. Há um dado momento elas se encontram em má situação econômica, às vezes "Ns" que acontece na vida da pessoa que se une com outro e não tiveram oportunidade de fazer da forma correta seu casamento. Tudo isso vem de forma especial das mulheres, que tem sonho de vestir de noivas, de poderem estar (sic) realizando um grande sonho na vida delas."

Alexsandro convidou várias pessoas para a celebração, entre eles seus filhos com a noiva Marly: a filha Sandy, de nove anos, o filho Felipe, de sete, e o caçula Uéslei, de um. Mas teve muito mais gente.

"Foi a sogra, né? Foi minha mãe, foi os parentes lá, né? Os colegas também, acompanharam lá, viram tudo lá: a filmagem, a palestra que foi feita lá. Eles adoraram também essa parte."

Em setembro de 2008, um casamento reuniu 100 casais no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba. Um padre e uma pastora evangélica celebraram a cerimônia, que foi acompanhada por parentes e amigos dos noivos.

No Paraná, a Secretaria Especial de Relações com a Comunidade informa ter realizado um total de 3 mil e 800 casamentos coletivos. O casamento coletivo é uma promoção de entidades civis, que se unem ao goveno estadual e a diferentes igrejas por meio de pastorais para realizar o sonho de muita gente. A maioria casa no civil. Alguns que querem se casar no religioso também se casam. O padre José Aparecido Pinto dá um exemplo do último realizado.

"Chegaram a ter 500 inscrições para casar no civil. E entre eles existem aqueles que são da Igreja Católica, aqueles que são de outras igrejas. E dentro da Igreja Católica tivemos cento e poucos casais. Desses, 50 tiveram acesso a esse casamento comunitário."

Alexsandro confirma que as condições financeiras foram decisivas para a realização de seu casamento.

"Na verdade, a gente tava sem condições de fazer o casamento, né? Então eu resolvi ir na ação social para resolver, para tentar me inscrever. Bem legal que na parte financeira eu estava sem condições. E eles ajudaram a fazer tudo legalmente. E foi tudo legal."

O gerente de estatísticas vitais do IBGE, Claudio Dutra, confirma que o maior número de casamentos coletivos é um dos motivos para o aumento do número de formalizações do matrimônio.

"Desde o novo Código Civil, em 2002, esses casamentos tem sido muito estimulados. Do ponto de vista formal isso tem sido uma fator importante porque reduz custos, não só para o casal mas para a família dos envolvidos, então, esse é um fator importante."

Além do aumento no número de casamentos, também foi registrado aumento também no número de divórcios. Isso pode ser explicado pela Lei 11.441, de 2007, que desburocratizou a separação e o divórcio consensual. A lei permite a dissolução do casamento por meio de escritura pública em qualquer tabelionato.

De Brasília, Luiz Cláudio Canuto

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