Reportagem Especial
A banda larga no Brasil - Os números da internet no país (06'54'')
01/02/2010 - 00h00
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A banda larga no Brasil - Os números da internet no país (06'54'')
BG: "Pela Internet", Gilberto Gil
No dia 14 de dezembro de 1996, Gilberto Gil fez o lançamento desta música, chamada "Pela Internet", através da própria rede, cantando uma versão acústica, ao vivo, e conversando com internautas.
Eram os primórdios da grande rede de comunicação e informação que naquele ano deixava de ser acadêmica para se tornar acessível a todos os brasileiros através de provedores comerciais.
13 anos se passaram e a Internet é cada vez mais central na vida das pessoas. A rede que inicialmente apresentava texto e imagens, numa versão eletrônica das mídias impressas, hoje, é televisão, rádio, telefone, videogame e muito mais.
Para ter todos esses recursos, conexões cada vez mais veloses foram necessárias e atualmente só aproveita todo o potencial da Internet quem tem conexão em banda larga.
Para se ter uma ideia das velocidades disponíveis, com uma conexão de quatro mega bits de dados por segundo, é possível fazer o download de um software como o Mozila Firefox em nove segundos.
Em muitos locais, conexões abaixo de um mega bit por segundo sequer são consideradas banda larga, mas as operadoras de telefonia no Brasil oferecem banda larga a partir de 200 Kbits por segundo de velocidade.
No Brasil, apesar da expressiva expansão do serviço nos últimos anos, a banda larga ainda é privilégio de poucos. Passamos de 123 mil assinantes no ano 2000 para mais de 12 milhões em 2009, mas esse número representa menos de 10% da população.
Os municípios atendidos pela banda larga são os de maior população: são 100% das cidades com mais de 500 mil habitantes, mas apenas 60% dos pequenos municípios com até cinco mil habitantes.
A desproporção entre campo e cidade também é significativa, pois apenas 4% dos domicílios possuem acesso à Internet no meio rural, contra 28% na zona urbana.
Dados da UIT, a União Internacional de Telecomunicações, mostram que o Brasil apresenta índices de acesso inferiores a países como a Coreia do Sul, a China, o México e a Argentina.
Mas as dificuldades não são exclusivas dos municípios pequenos ou áreas rurais. Em Boa Vista, capital de Roraima, a banda larga só começou a ser oferecida à população no final do ano passado.
O jornalista Marcos Zouein, diretor de tecnologia de uma emissora FM da cidade, explica que o acesso era feito através da rede telefônica por conexão discada ou de provedores locais que utilizavam conexões por satélite, muito mais caras que as demais disponíveis no mercado.
"Em média, uma residência teria no máximo 128 Kbits/s. Hoje, as residências já podem ter acesso até 600 kb/s. Aos poucos, as pessoas começam a adquirir esse produto. Antigamente, anteriormente a esse produto, as pessoas utilizavam também a rede dial-up, a conexão discada. Mas muitas pessoas já começam a migrar da rede discada para a banda larga. A nossa banda larga é um pouquinho...é uma banda "larguinha", né?! Você tem opções de 300 Kbits/s e 600 Kbits/s e para fora você tem opções de quatro, oito ou 12 mega"
Os altos preços cobrados pelo serviço no Brasil ainda são a principal causa da exclusão digital. Os valores variam de acordo com a velocidade de conexão, mas dependendo da localidade, uma conexão mais lenta pode ser mais cara.
Em Manaus, uma conexão por cabo com velocidade de 200K custa R$ 119,90, enquanto no Rio de Janeiro ou São Paulo a mesma conexão, mas com velocidade 15 vezes maior, custa menos. O preço cobrado pela mesma empresa é R$ 104,90.
Uma pesquisa publicada em 2009 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil sugere que a inclusão de metade da população ao serviço ocorreria a um preço a partir de R$ 30.
A UIT também aponta que a banda larga no Brasil é mais cara que na Rúsia, Argentina, Chile, entre outros. O custo do serviço na Índia, por exemplo, fica em torno dos US$ 6, pouco mais de R$ 10.
Para as empresas, a carga tributária do setor é o grande entrave à expansão dos serviços de telecomunicações. César Rômulo, superintendente Executivo da Telebrasil, entidade que congrega prestadoras e indústrias de telecomunicações, sugere uma reforma tributária para o setor.
"Esse tributo está incidindo em 43,3% em cima da tarifa. Então, não há como se falar em política de universalização de qualquer coisa se não tratarmos clara e objetivamente sobre tributação. É a questão central a ser tratada em qualquer programa de universalização"
Mas os altos preços da conexão não são o único problema a ser resolvido para que toda população do país tenha Internet. 75% dos domicílios do país não têm computador. As medidas que o governo está tomando para resolver esse problema e a opinião de especialistas sobre o assunto, você confere na reportagem especial de amanhã.
De Brasília, Geórgia Moraes