Reportagem Especial
Ajuda Humanitária 4 - Ações humanitárias junto à população brasileira (07'23'')
25/01/2010 - 00h00
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Ajuda Humanitária 4 - Ações humanitárias junto à população brasileira (07'23'')
Assim como a Cruz Vermelha e os Médicos Sem Fronteiras, duas organizações simbólicas do trabalho humanitário internacional, outros grupos organizados empenham-se no socorro e na ajuda às pessoas que passam pelas mais variadas dificuldades. Um desses grupos é a Care Internacional, que está presente em 72 países e já acumula 60 anos em ações de combate à pobreza no mundo. A organização chegou ao Brasil no ano 2000 e hoje atua em programas de inclusão social, fortalecimento da economia local em áreas carentes, proteção do meio ambiente e mobilização social.
O diretor-executivo da Care, Markus Brose, explica que o foco da organização é fazer com que as comunidades carentes encontrem meios eficazes de sobreviver com dignidade e com as próprias pernas.
"O principal trabalho nosso é na área da geração de trabalho e renda, acoplado com educação, sim, mas educação entendida numa forma ampla da palavra. Dentro dos mecanismos de saída da pobreza, as duas principais ferramentas são o acesso a mais informação e a mais capacidade para que a pessoa, a família e a comunidade consigam construir seu próprio destino e tomar suas próprias decisões; e, além disso, ter a sua renda. Então, uma das prioridades nossas é promover a geração de renda, seja agrícola ou não-agrícola".
Os programas da Care são desenvolvidos principalmente em áreas rurais do Amazonas, Piauí e Bahia e nas periferias de São Paulo e Rio de Janeiro. Um dos projetos mais bem sucedidos ocorre em Ilhéus, no sul da Bahia. A Care ajudou a erradicar o analfabetismo e a desenvolver atividades de geração de renda no assentamento coletivista Dom Hélder Câmara, composto por 26 famílias majoritariamente afrodescendentes. Moacir de Jesus, um dos líderes da comunidade, conta que os moradores agora já se sentem até em condições de retribuir a ajuda recebida.
"O que nós precisávamos era criar um ambiente de convivência que possibilitasse a gente a superar uma série de carências. Para viver esse projeto era preciso estudar e trabalhar. E o impressionante é que nós superamos em 100% essa situação de analfabetismo que marcava a nossa comunidade. A gente já multiplicou o apoio que recebemos da Care e hoje a gente está comprometido a devolver isso apoiando outros grupos. Resultado de um sonho materializado pela disposição solidária de um grupo de homens e mulheres que resolveram dar um rompimento com a história de submissão e de falta de possibilidades materiais de viver, se incorporando a esse projeto".
Na década de 90, vários grupos de "Anjos do Asfalto" se formaram no país para prestar primeiros socorros a vítimas de acidentes nas estradas. A idéia acabou sendo encampada, posteriormente, pelas concessionárias que assumiram o controle das rodovias privatizadas. Os grupos que ainda restaram vivem hoje de doações e do trabalho voluntário, às vezes prestando socorro típico de defesa civil.
É o caso dos Anjos do Asfalto da Paraíba, muito solicitados nesses tempos de mudanças climáticas, em que até o árido sertão nordestino sofre com inundações. O coordenador do grupo, Almiro Coronel, fala com orgulho e, ao mesmo tempo, com um certo tom de revolta sobre as atividades do grupo que nem sempre têm continuidade nas ações da população e dos governos locais.
"Todo ano temos problemas de enchente ou seca. Quantas providências foram tomadas? Nenhuma. As pessoas convivem com isso e acham isso perfeitamente normal. E nós queremos abrir os olhos da população, dizendo: ´olha, é fácil fazer um plano de contingência; é fácil o município fazer um plano diretor de defesa civil´. Nós trabalhamos na rua, fazendo campanhas de educação para o trânsito. Doação de sangue: nós tínhamos um cadastro de 2 mil doadores. Defesa Civil: estamos, nessas emergências aqui, oferecendo o nosso trabalho para as pessoas".
Mas nem sempre é o corpo físico que precisa de um socorro ou de uma ajuda humanitária. Solidão, medo, angústia, tristeza e desespero também podem trazer males irreparáveis para a vida.
"Se você precisa falar sobre suas descobertas, incertezas ou decepções, ligue para o CVV. Não importa se for domingo ou feriado, meio-dia ou meia-noite, ninguém vai passar sermão, opinar sobre sua vida ou ter pena de você. Suas emoções também precisam de apoio. Ligue 141 e desabafe. CVV: a linha da vida".
Os cerca de 40 Centros de Valorização da Vida espalhados pelo país reúnem voluntários devidamente treinados no que poderíamos chamar de a "universidade do saber ouvir". O coordenador do CVV de Franca, no interior de São Paulo, Sérgio Oliveira, afirma que a organização acredita no poder do desabafo.
"A gente vê no desabafo uma grande possibilidade de afastar a pessoa do pensamento suicida. No mundo em que a gente vive hoje, com tanta correria e com valores mais materiais - mais o ter do que o ser -, existe uma carência muito grande de ter com quem partilhar alguma coisa. Então, o poder do desabafo é exatamente esse de dar atenção, ouvir alguém, esforçar-se por compreendê-lo, entender seu mundo interno - como ele vê, sente e percebe as coisas -, isso faz com que o outro se sinta valorizado. Essa dinâmica de ser ouvido e de ser valorizado, a gente poderia dizer que é quase um processo de ´cura´ para a pessoa começar a se autovalorizar, autoaceitar, autocompreender".
Mostramos, nesta matéria, apenas uma pequeníssima parte do trabalho de profissionais e voluntários que não admitem a indiferença diante do sofrimento humano. Assim como a Care, os Anjos do Asfalto e o Centro de Valorização da Vida, existem várias outras organizações à espera de pessoas que as ajudem a ajudar.
De Brasília, José Carlos Oliveira