Rádio Câmara

Reportagem Especial

Programa Nuclear Brasileiro - Energia nuclear e questão ambiental (04'39'')

  • Programa Nuclear Brasileiro - Energia nuclear e questão ambiental (04'39'')

Na abertura dos Simpsons, Homer, que trabalha em uma usina nuclear, deixa um tubo de material radioativo cair dentro da sua roupa e sai com ele para casa.

Quando se fala em energia nuclear, também vem à mente Chernobyl e o acidente de Goiânia. Hoje, nós vamos ver o que as autoridades têm a dizer sobre isto. O uso desta energia no Brasil é seguro?

O ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, é radical na defesa da energia nuclear sob os aspectos ambientais:

"É de todas elas - e eu provocaria até a dizer que ainda que em comparação com a fonte hidráulica - é a que menos polui. É a que menos ofende o meio ambiente. E é a única que não produz CO2. E é, pasmem, a mais segura".

Para o coordenador da campanha nuclear do Greenpeace, André Amaral, a afirmação de que a energia nuclear não emite gases de efeito estufa não é verdadeira:

"A usina ela não aparece ali montada do nada. Você tem que considerar toda a montagem dela, toda a manutenção, o funcionamento. Não adianta você olhar para a chaminé da usina e dizer: Não sai fumaça, então não emite. Não. Você tem que considerar tudo o que tem para funcionar uma usina. Uma usina nuclear, ela precisa de combustível que passa por todo este ciclo, né? Mineração, viagem de caminhão, de navio, que queima combustível fóssil pra caramba".

André explica que também há vazamento no processo de mineração, que é feito em Caetité na Bahia. Segundo ele, os caminhões com o minério percorrem 757 quilômetros até Salvador e podem sofrer acidentes no caminho. Depois, o material vai para o Canadá para o processo de conversão em gás. Depois, a maior parte vai para a Holanda para o enriquecimento. Todo este percurso, segundo ele, está sujeito a riscos.

Mas, o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, Odair Gonçalves, afirma que o material que está em Angra dos Reis é tratado com segurança. Antes de 2030, deverá entrar em operação um depósito para materiais de alta radioatividade. Mas ele explica que já existe um depósito em Goiás de materiais que perdem a radiação com o tempo.

Os demais materiais ficam depositados dentro de piscinas nas usinas:

"A piscina, não é piscina, é um depósito. Este depósito fica dentro do prédio do reator, absolutamente seguro. E aí será que é muito complicada esta questão de rejeito? É complicado. É complicado porque ele dura cerca de 300 anos ou mais para perder a radioatividade. Então você tem que tomar cuidado. A questão é a seguinte: Isto acontece para todo tipo de rejeito. Se eu pensar em plástico, plástico dura pelo menos 300 anos e a gente está jogando no mar, não está guardando nada. A área nuclear, ela guarda todo os rejeitos dela, qualquer coisa que tenha um micrograma de material radioativo é guardado".

Segundo ele, não há perigo de não haver espaço para guardar estes resíduos:

"Se eu tiver 20 usinas, produzindo combustível usado durante toda a sua vida, isto cabe em uma área do tamanho de um campo de futebol, o que é absolutamente possível de ser gerenciado, controlado, tomado cuidado e vigiado. E além disso ela vai ter uma tecnologia que resiste a centenas de anos".

O presidente do CNEM também explica que o setor não trata os resíduos como lixo. A intenção é construir o depósito para materiais de alta radioatividade sem selar o local de maneira definitiva. Segundo Odair Gonçalves, os resíduos poderão ser reaproveitados:

"Que o elemento combustível usado, no Brasil, ele não é rejeito. Ele é simplesmente um elemento usado e ele ainda tem potencial de enrgia muito grande, mais de 40%. E ele pode ser reprocessado e vir a ser utilizado de novo".

Para o ex-ministro Roberto Amaral, a discussão tem que ser feita com base em argumentos científicos:

"Não há rejeitos atômicos, há resíduos. As pessoas falam em ameaças atômicas, mas ninguém aponta... Há uma discussão fundamentalista, religiosa, na qual as questões científicas não são postas na mesa".

André Amaral, do Greenpeace, também defende a discussão científica. Mas, segundo ele, isto não é possível no Brasil porque os dados ainda são tratados de maneira muito sigilosa. Ele afirma que para a mineração em Caetité, por exemplo, não houve um estudo dos impactos ambientais da atividade.

De Brasília, Sílvia Mugnatto.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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