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Reportagem Especial

Monteiro Lobato: personagens e ideias polêmicas - bloco 1(07'41'')

  • Monteiro Lobato: personagens e ideias polêmicas - bloco 1(07'41'')

Dona Benta, Jeca Tatu, Narizinho, Emília, Cuca, Tia Nastácia, Pedrinho. Esses são personagens que fazem parte do imaginário brasileiro. Personagens criados por um brasileiro que amava o Brasil, e retratava, em seus livros, os costumes e figuras da nossa cultura.

Contista, ensaísta e tradutor, Monteiro Lobato nasceu na cidade de Taubaté, interior de São Paulo, no ano de 1882. Formou-se em direito, mas tornou-se fazendeiro após receber herança em 1911. Nesse ambiente rural, Lobato encontrou seu espaço. E começou a publicar os primeiros contos em jornais e revistas. Mas se engana quem acha que Lobato era autor exclusivamente infantil.

O primeiro livro publicado foi "O Saci Pererê: resultado de um inquérito", em 1918, ano em que publicou uma de suas principais obras, "Urupês".

O primeiro livro infantil foi publicado em 1920 e se chamava "A menina do narizinho arrebitado". A partir daí, seguiram-se dezenas de outros destinados à criançada, como "Fábulas do Marquês de Rabicó", "O Pó de Pirlimpimpim" e "Reinações de Narizinho".

Com histórias recheadas de magia, animais, aventuras e personagens fortes e folclóricos, Lobato atingiu rapidamente o topo da literatura infantil nacional. "Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar", dizia.

Quem melhor do que a própria neta de Monteiro Lobato para revelar a personalidade de um escritor que despertava - e ainda desperta - a imaginação de crianças e adultos? A neta de Monteiro Lobato, Joyce Campos, lembra que o avô Monteiro Lobato sempre foi muito liberal com as crianças.

Na casa dele, recorda Joyce, era possível fazer de tudo. Ela conviveu muito com o avô quando moraram em Campos do Jordão, época em que Joyce tinha menos de 5 anos. Ela lembra que o jeitão do avô era muito calmo, até na hora de se vestir, e com tudo premeditado.

Diz que Monteiro Lobato gostava de trabalhar de madrugada, o que irritava a vizinhança por causa do barulho da máquina de escrever. Joyce lembra que costumava caçar borboletas com seu avô em Campos do Jordão, com redes confeccionadas pela avó Purezinha.

"Neste passeio, ele explicava calmamente tudo o que ele via, o que eram as borboletas, porque elas tinham tanta cor, examinávamos cuidadosamente as formiguinhas, o que elas carregavam, as grandes, as miudinhas. Quais eram venenosas, quais não eram. As taturanas... Agora, quando ele tinha um assunto que deixava ele entusiasmadíssimo, e ele tinha audiências e audiências, convidados, pessoas que ele queria converter ou convencer. Daí ele era uma pessoa agitada, porque não parava. Ia de um lado para outro discutindo o assunto em que ele estava interessado em convencer a pessoa, ou entusiasmado em falar sobre aquele assunto."

Marisa Lajolo, Professora da Unicamp e recém-nomeada secretária de Educação de Atibaia, em São Paulo, é uma escritora apaixonada por Monteiro Lobato.

Ela destaca que Lobato tem vários livros destinados diretamente aos bancos de escolas, como Aritmética da Emília, por exemplo. Na opinião dela, são obras que substituem qualquer livro didático para uma criança do ensino fundamental, que transmitem conteúdos escolares de forma muito divertida.

"A literatura infantil de Monteiro Lobato, como toda boa obra de arte, abre a cabeça das pessoas, faz com que as pessoas vivam outras realidades, faz com que as crianças tenham alimento para uma imaginação mais sem limites, e são histórias que familiarizam as crianças com as nossas raízes rurais."

Vladimir Sacchetta é pesquisador, jornalista e especialista em Saci, ou "saciólogo". Saccheta é autor de uma biografia do Monteiro Lobato, o Furacão na Botocúndia, e destaca a personalidade inconformada do escritor.

"O grande salto que Lobato, isso na década de 20, foi mostrar que criança tinha vez e voz. Até então, as crianças ficavam mudas diante dos adultos. Ele quebrou essa hierarquia. E a quebra de hierarquia está presente o tempo todo nesse espaço mágico do Sítio do Picapau Amarelo. A turma do Sítio - Pedrinho, Narizinho e Emília - falam com os adultos de igual para igual. Lobato considerava criança um ser competente, inteligente, que precisava ser levado a sério."

E as crianças do século 21, o que acham de Lobato? Apesar de a obra de Lobato ter sido nacionalmente difundida depois da série de TV, o Sítio do Picapau Amarelo, exibida pela primeira vez em 1977, os livros de Monteiro Lobato costumam passear por bibliotecas escolares.

Depois de um problema judicial de décadas sobre a edição de suas obras, a editora Globo assumiu a publicação de todos os livros de Lobato em 2007.

Desde então, foram vendidos mais de um milhão e trezentos mil livros do autor. O menino Renan dos Santos tem 13 anos, e cursa a sétima série numa escola de Brasília. Ele é um dos leitores de Monteiro Lobato e resume o que os livros representam em sua vida.

"A gente leu o sítio do pica-pau amarelo que fala da Dona Benta, tem tipo uns fantoches. Cada livro tem uma história diferente e se a gente gostar de livro, ter um ritmo de ler todo dia, vc acaba se tornando um grande leitor. Pq vc vai acabar gostando de ler e vai acabar cada vez ficando mais sábio. Monteiro Lobato ele incentiva as crianças a lerem, pq os livros dele são bem dinâmicos, são bem divertidos e acaba que no final a gente tem um moral de história bem legal que incentiva mesmo."

Monteiro Lobato morreu em 1948, de derrame.

De Brasília, Adriana Magalhães.

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