Reportagem Especial

Como as religiões não cristãs vêem o Natal - Bloco 3 (05'19")

17/12/2008 - 00h00

  • Como as religiões não cristãs vêem o Natal - Bloco 3 (05'19")

O Natal marca uma data importante entre as religiões cristãs. Mas o Brasil abriga pessoas de diferentes crenças. E como as religiões não cristãs passam pelo Natal? A professora de língua árabe e cultura islâmica, Maha Abdelaziz, fala que o islamismo vê o nascimento de Cristo com respeito.

"O Natal, que é o nascimento de Jesus Cristo, a gente tem muito respeito, muita consideração pelo Jesus, pela Maria. A história da Maria, mãe de Jesus, é muito bonita no Corão sagrado. Uma parte muito grande conta como ele nasceu, tudo sobre a história do Jesus Cristo."

Maha Abdelaziz explica que, em termos religiosos, o Natal não é celebrado entre os seguidores do islamismo. Mas ela conta que a data acaba sendo comemorada entre os muçulmanos, como se fosse uma festa.

"Islamicamente, não pode ser comemorado o Natal. Agora, depende da pessoa. Se a pessoa é festeira, gosta de fazer festa, jantar por qualquer motivo, faz. A minha filha está aqui e fez assim pra mim, que eu faço isso, porque pra mim tudo é motivo de festa, de jantar, de comida. Agora, islamicamente, não pode ser festejado."

Entre os judeus, a celebração do Natal também não acontece. O calendário de festas religiosas judaicas é móvel e, em alguns anos, uma celebração chamada Hanuká acaba coincidindo com o Natal. Essa celebração também é chamada de festa das luzes, pois velas são acesas durante oito dias. Abrão Melul é judeu e tem dois filhos. Ele conta que mesmo o Natal não tendo significado religioso, as crianças acabam participando da troca de presentes.

"Eles vivem em um meio em que a gente não tem como fugir disso. Então, normalmente, o que a gente faz? Muita gente entrega mesmo o presente e explica o porquê do presente, ou outros fazem assim, como tem essa festividade junto com o Natal, muita gente fala assim: "esse é o presente Hanuká, e não exatamente de Natal. É muito difícil, é muito difícil lidar com isso e dizer: "olha, você não vai receber um presente porque você não comemora o Natal", não é por aí. A gente tem que explicar, tem que ter respeito pela festa dos outros, mas, normalmente, por ser criança, a gente acaba dando um presentinho nessa época do ano."

Os budistas que vivem no Brasil acabam celebrando o Natal. O monge Sato, do Templo Budista de Brasília, observa que hoje em dia as pessoas têm mais liberdade religiosa, e em uma mesma família podem conviver pessoas de diferentes religiões.

"Mesmo nas famílias budistas, existem cristãos, existem católicos, existem evangélicos. Então, mesmo os budistas, famílias budistas, com pais budistas, se comemoram o Natal. No templo budista, não se faz nenhuma cerimônia especial no Natal. Eu, pessoalmente, como monge, eu faço referências ao Jesus como um ser importante que existiu na nossa história."

Monge Sato fala que vê três maneiras diferentes de vivenciar o Natal. A primeira é a visão mística, na qual se lembra que Deus enviou seu filho Jesus ao mundo dos homens. O Natal também pode ser celebrado de uma forma mundana e consumista, em que apenas a festa é importante. E por último, monge Sato vê o Natal como um momento de refletir sobre a paz e o amor.

"Existe uma terceira forma de vivenciar o Natal, que talvez seja a forma que os budistas levem mais em conta, que é lembrarmos do Jesus como um grande ser que viveu entre nós pregando a paz e o amor. Qualquer pessoa pode pregar paz e amor, mas não é fácil pregar paz e amor e exercer, exercitar esse ato na prática. E Jesus Cristo mostrou que isso é possível, que isso é importante."

Pois é, a paz e o amor não precisam de religião para serem importantes para todas as pessoas do mundo, não apenas no Natal, mas em todos os dias do ano.

De Brasília, Daniele Lessa

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