Reportagem Especial
A origem da celebração e dos símbolos natalinos - Bloco 1 (06'48")
17/12/2008 - 00h00
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A origem da celebração e dos símbolos natalinos - Bloco 1 (06'48")
O mundo ocidental inteiro comemora o Natal, o nascimento de Jesus Cristo. Mas pouca gente sabe que o Natal começou como uma festa pagã celebrada em todo o mundo antigo. A história conta que os cristãos pegaram carona em uma festa religiosa que já existia, como explica o assessor de liturgia da CNBB, padre Carlos Gustavo Haas.
"Um dos motivos pelos quais iniciou essa festa é porque em Roma existia, no dia 25 de dezembro, uma festa ao Deus Sol. Os romanos cultuavam os planetas como deuses. Então, eles tinham uma festa no dia 25 de dezembro ao Deus Sol. Os cristãos, como não podiam, não queriam celebrar essa festa, eles começaram a dar um novo sentido a essa festa, que Jesus é o sol, Jesus é a luz que ilumina a nossa vida."
O Sol era cultuado em todo o mundo antigo, com diferentes nomes. Vinte e cinco de dezembro marca o solstício de inverno, que é a noite mais longa do ano. No hemisfério norte, a partir dessa data, as noites são cada vez menores e o sol passa cada vez mais tempo no céu. É o ponto de renascimento das luzes, a mudança das trevas do inverno para as luzes do verão.
O nascimento de Jesus propriamente dito começou a ser lembrado em 25 de dezembro apenas no ano de 354, de forma não organizada. Mas penas 200 anos depois, no século VI, foi que a Igreja Católica instituiu as quatro semanas do advento, as semanas de preparação antes do dia 25 de dezembro.
Mas os símbolos do Natal foram se cristalizando ao longo dos séculos. Padre Gustavo conta que a tradição do presépio apareceu por volta do ano 1220, com São Francisco de Assis.
"O pai do presépio é São Francisco de Assis. Ele queria, através do presépio, representar, tornar bem visível para as pessoas, toda a pobreza, a simplicidade, a dificuldade que Maria e José passaram no nascimento de Jesus. Era para ser uma coisa bem rústica, bem simples, para a gente lembrar o quanto foi difícil esse nascimento de Jesus."
E com o passar do tempo, os presépios ganharam uma outra função dentro das famílias, como explica o professor de História da Universidade de Brasília, Jaime de Almeida.
"Era a grande oportunidade para que as pessoas visitassem casa por casa para apreciar os presépios, e era o pretexto para que os jovens pudessem namorar e noivar, e etc. Essa associação, nos países católicos, da época de Natal com a juventude casadora, foi algo muito forte durante todo o período colonial e século XIX inteiro."
Se nos países católicos o Natal se relacionou com a juventude, nos países protestantes foram as crianças e os enfeites que ganharam espaço privilegiado. O pastor da Igreja Presbiteriana de Brasília, Weber Sérgio, fala sobre o surgimento da tradição do pinheiro de Natal, na Alemanha.
"Naquela época, bem mais remotamente, era enfeitado com pequenas velas. Conta-se que Martinho Lutero, um dia, caminhando pelo campo, ele viu o brilho das estrelas confrontando, olhou para o pinheiro e o brilho das estrelas no pinheiro. E conta-se ele teria levado essa idéia para casa, iluminou com velas para mostrar para sua família como estava alegre e linda essa noite em que Jesus nasceu."
E não foi só o pinheiro que surgiu nos países protestantes para celebrar a festa de Natal.
"As famílias se reuniam onde se fazia um momento de reunião alegre, onde se cantava, onde se alimentava e onde orava a Deus agradecendo por aquele momento. As famílias alemãs decoravam com doces, com frutas, as árvores com papéis coloridos, e isso foi se espalhando por toda a Europa, América do Norte e se popularizou como nós vemos hoje."
O pastor Weber Sérgio lembra que a troca de presentes no Natal é um costume muito antigo que vem antes do cristianismo, em festas pagãs romanas. Já o Papai Noel moderno foi inspirado em um bispo cristão, chamado São Nicolau. Com a reforma protestante, São Nicolau se transformou em Santa Klaus, o bom velhinho que traz presentes para as crianças.
De Brasília, Daniele Lessa