Rádio Câmara

Reportagem Especial

Especial Consumo 2 - Aumento do consumo e influência dos jovens (05'15")

  • Especial Consumo 2 - Aumento do consumo e influência dos jovens (05'15")

O SEGUNDO PROGRAMA DA SÉRIE DE REPORTAGENS ESPECIAIS SOBRE O CONSUMO ENTRE OS JOVENS VAI MOSTRAR COMO ELES INFLUENCIAM NAS COMPRAS DA FAMíLIA E COMO MOVIMENTAM UMA PARTE IMPORTANTE DO MERCADO DE CONSUMO. VAMOS FALAR TAMBÉM DO AUMENTO NO CONSUMO E DO ACESSO DE UMA NOVA PARCELA DA POPULAçãO AO FINANCIAMENTO.

Com roupas despojadas, tênis descolados e mochila nas costas, eles já representam cerca de 36 milhões de pessoas dos nove aos 19 anos, segundo as últimas projeções do IBGE. São quase 20 por cento da população brasileira e respondem também por essa mesma fatia de tudo o que é vendido no comércio nacional. Considerando as previsões de que o Produto Interno Bruto do Brasil chegue aos 2 trilhões de reais este ano, dos quais o comércio deve ser responsável por 200 bilhões de reais. A expectativa é de que os adolescentes comprem o equivalente a 40 bilhões de reais. Isso, sem contar a influência que exercem sobre o consumo dos próprios pais. Afinal, eles têm opinião, personalidade e sabem das coisas.

Ludimila Guedes de 19 anos vai ao shopping uma vez por semana e diz que agora é uma pessoa controlada, mas que ao fazer o cartão de uma loja de departamentos comprou mais do que podia pagar e ficou endividada. A jovem gasta atualmente metade do seu salário em roupas, bolsas e acessórios. Sapatos também são sua paixão. São 60 pares em seu guarda-roupa.

"Toda vez eu compro... Aí eu compro alguma coisinha mesmo que seja uma calcinhazinha, um creme, alguma coisa, um chapeuzinho, uma bolsinha, mas eu compro."

Já Rafael Alécio de 18 anos frequenta o shopping três vezes por semana e se considera um consumista, mas não de roupas ou sapatos e sim de fast food.

"Ir no fast food já é consumismo, só por comprar lanche pronto já é consumismo, e também vir aqui pra ficar andando, gastando o dinheiro do ônibus já é um consumismo."

Ele também admite que influencia a família fazendo pressão para a compra de determinado produto, como ele mesmo diz, "enchendo o saco do pai."

Para o chefe do Departamento de Economia da Confederação Nacional do Comércio e ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, o mercado voltado para adolescentes é o que tem maior potencial de vendas, na comparação com segmentos destinados a outras faixas etárias.

Os principais objetos de consumo dos jovens são as roupas, bolsas, sapatos e artigos eletrônicos. O número de opções é cada vez maior com o acesso a produtos de todas as partes do mundo, através da Internet.

Segundo pesquisa realizada pela Editora Abril em 2005, com 750 jovens nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Ribeirão Preto, o jovem vivencia a compra muito antes de acontecer, o que significa que a posse do objeto é menos importante que o desejo despertado. Por exemplo, antes mesmo do Playstation3 ser lançado, um entrevistado dizia que o seu Playstation 2 já estava superado. Outro queria um iPod com capacidade para 15 mil músicas,embora não use a capacidade de 6 mil músicas do que tem.

Segundo o pesquisador da YTrends, Rafael Kenski, o que diferencia essa geração das outras é o fato de que nunca houve tantas opções de consumo como agora. Para se inteirar sobre um produto, os jovens continuam recorrendo às informações do grupos, mas procuram também dados disponíveis na Internet.

"Umas das primeiras necessidades é você conseguir filtrar isso é você conseguir saber quais são os produtos mais legais onde estão as coisas mais bacanas e com isso eles precisam de ferramentas que façam essa seleção pra eles. Uma das tendências de consumo é justamente a seleção, as pessoas que sejam curadores e que digam: isso aqui é o mais legal, isso aqui é o menos legal. Olha que bacana esse produto ou essa informação, ou esse estilo... Você tem por exemplo também a necessidade de produtos exclusivos, produtos que pareçam que foram feitos só pra aquela pessoa, que pareçam únicos."

A pesquisa detectou dez tendências dos jovens atualmente. Eles querem soluções rápidas para suas necessidades; confiam nas informações dadas por seus amigos; valorizam produtos diferenciados; procuram design em suas compras; utilizam a internet como espaço para expressar suas opiniões e ouvir os outros; não tem fidelidade a uma determinada marca, usando várias ao mesmo tempo e misturando tendências.

Os jovens estão buscando cada vez mais produtos nacionais, com alma brasileira.
Apesar de antenados com o mundo, os jovens brasileiros estão procurando equilíbrio em atividades junto à natureza.

Consumir não é mais um privilégio das pessoas de classes mais abastadas. O publicitário Rafael Porto, do Instituto de Pesquisa Consuma da Universidade de Brasília, diz que o aumento no consumo se verificou nos últimos anos porque está havendo mais acesso à linhas de crédito para as classes de menor poder aquisitivo.

"O que recentemente tem ocorrido é que uma classe que normalmente não consumia tanto passou a consumir, o que no caso é a classe C e essa classe C ela aumentou o número de pessoas que estão dentro dela e essas pessoas passaram a consumir mais principalmente devido ao acesso ao crédito."

De qualquer forma é preciso estar atento para que as compras não se tornem um problema.

De Brasília, Karla Alessandra

NA EDIÇÃO DE AMANHÃ DESTA SÉRIE ESPECIAL SOBRE O JOVEM E O CONSUMO, VAMOS FALAR DA DOENÇA DO CONSUMO EXCESSIVO, QUE ATÉ TEM NOME: É A ONEOMANIA.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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