Reportagem Especial

Especial Ensino Superior 5 - Carrreiras com mercado de trabalho saturado (05'01'')

Publicação: 04/08/2008 - 00:00

  • Especial Ensino Superior 5 - Carrreiras com mercado de trabalho saturado (05'01'')

NA REPORTAGEM ESPECIAL DE HOJE, VOCÊ VAI SABER QUE ALGUMAS CARREIRAS, COMO ODONTOLOGIA E MEDICINA, ESTÃO COM MERCADO SATURADO, ENQUANTO EM OUTRAS, AS EMPRESAS DISPUTAM PROFISSIONAIS QUALIFICADOS.

Fernanda Boaventura Gomide Vanzeler se formou em odontologia pela universidade de Brasília, há 3 anos. Hoje, com 26 anos, ela já desistiu, com pesar, da carreira. Ela diz que os recém-formados só conseguem empregos em que se trabalha muito e ganha-se pouco. Ela conta que chegava a trabalhar 12 horas por dia, em clínicas populares, atendendo muitos pacientes em pouco tempo, recebendo uma porcentagem mínima pelo pequeno valor que o paciente pagava. Fernanda diz que é até fácil arrumar emprego, mas a concorrência é enorme, o que desanima o profissional. No mesmo andar em que trabalhava, metade das salas eram consultórios odontológicos. Fernanda diz que não se preocupava tanto com o mercado supersaturado na época da faculdade, e que está muito decepcionada por ter que largar a carreira.

"Eu era apaixonada por odontologia, eu formei em primeiro lugar na UNB, no meu ano, então eu me dediquei durante 5 anos para a odontologia, eu era apaixonada, e vivi um ano no mercado odontológico, achei extremamente desumano, vi que, na minha opinião, é uma mercantilização da saúde, eu vivo dizendo isso, porque você faz procedimentos que você cuida da saúde e as pessoas pagam um preço que não tem como você mensurar, de tão baixo que é. Para mim foi uma decepção mesmo, eu larguei a odontologia, não por não gostar, muito pelo contrário, eu adoro odontologia, mas pelo mercado odontológico".

No outro extremo dessa realidade de mercado está a pernambucana Laís Xavier. Com apenas 24 anos, ela já é sócia numa empresa de desenvolvimento de jogos educativos para computador e está terminando mestrado na Universidade Federal de Pernambuco. Desde a faculdade de ciência da computação, na Universidade Federal de Pernambuco, ela trabalha com jogos educativos, e descobriu na área um filão em que as empresas é que disputam os profissionais.

"Quem tem a qualificação recebe muita proposta. Aí o que eu fiz agora? Eu montei um curso, para dar aula de uma determinada tecnologia, que é voltada para esse tipo de desenvolvimento de jogos. Porque a maioria das empresas já ligaram para mim: ´e aí, Laís, tem gente no curso já boa para mandar para mim, estou precisando de profissional, manda para mim´."

Laís destaca que já passou por muitas empresas e sempre que trocou de emprego foi por uma oportunidade melhor. Pela sua experiência, Laís diz que é importantíssimo que os estudantes procurem carreiras que não estejam saturadas no mercado.

"Tem que pensar nos dois lados: custo benefício. Uma coisa que eu goste e que tenha uma perspectiva boa de mercado. Porque não adianta fazer um curso que não tem perspectiva, eu vou ter que ser o melhor sempre para tentar alguma vaga... Se você não tiver qualificação em canto nenhum, você vai para a frente, mas se você tiver uma boa qualificação aqui você tem oportunidade."

A busca por cursos tradicionais faz com que o cenário de oferta da educação superior no Brasil fosse pouco alterado em uma década. Administração, direito e pedagogia ainda são carreiras muito procuradas. Do ano 2000 até agora, foram criados 74 cursos de medicina no Brasil, sendo que 58 em instituições privadas. A discrepância é tanta, que o Brasil tem 175 escolas médicas, contra 129 nos Estados Unidos e 47 na França. Áreas como direito e odontologia também estão supersaturadas, tanto que os recém-formados nessas áreas, que antigamente eram vistos como a elite profissional do país, agora disputam à unha um emprego. No outro oposto estão os engenheiros, cuja oferta é menor do que a necessidade atual do país. A diretora de Avaliação da Educação Superior do INEP, Iguatemy de Lucena Martins, destaca que as secretarias do MEC têm responsabilidade de fazer estudos que apontem a necessidade ou não de um curso numa determinada área. Dessa forma, o MEC pode induzir a abertura de cursos necessários e também pode impedir a abertura de um curso cujo mercado já esteja saturado. No ano passado, o MEC vetou a abertura de 43 novos cursos, dez de medicina e 33 de direito, por terem recebido parecer negativo do Conselho Nacional de Saúde e da Ordem dos Advogados do Brasil.

De Brasília, Adriana Magalhães.

ACABA AQUI A SÉRIE DE MATÉRIAS ESPECIAIS SOBRE EDUCAÇÃO SUPERIOR. A REPORTAGEM FOI DE ADRIANA MAGALHÃES, PRODUÇÃO DE LUCÉLIA CRISTINA E LENA ARAÚJO, EDIÇÃO DE ANA DELMONTE E COORDENAÇÃO DE APRÍGIO NOGUEIRA. SE VOCÊ QUISER, PODE OUVIR ESSE PROGRAMA PELA INTERNET, ANOTE O ENDEREÇO: WWW.RADIO.CAMARA.GOV.BR

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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