Rádio Câmara

Reportagem Especial

Especial Circo 1 - A história do circo (06'07'')

  • Especial Circo 1 - A história do circo (06'07'')

O REPORTAGEM ESPECIAL DESTA SEMANA VAI MOSTRAR EM TRÊS PROGRAMAS COMO É A VIDA DE CIRCO NO BRASIL. NESTE PRIMEIRO PROGRAMA VAMOS CONTAR UM POUCO DA HISTÓRIA DO CIRCO COMO CONHECEMOS ATUALMENTE. O PRIMEIRO CIRCO MODERNO E OS NOVOS CIRCOS QUE EXISTEM NO BRASIL.

Malabaristas, trapezistas, palhaços, equilibristas, atores, músicos, ilusionistas, faquires, contadores de história, contorcionistas e acrobatas são parentes. Mesmo se apresentando em lugares diferentes: debaixo de uma lona, no palco de um teatro, nos corredores dos shopings centers, nas festas de aniversário ou nas quebradas e semáforos de qualquer cidade, eles são todos representações da arte circense.
De espetáculos de rua, a circos de lona, de dois artistas a mais de 200, assim são os circos que existem no mundo. Grupos de circo, circos de lona e circos de rua. Essa é a classificação apresentada no site da pesquisadora da história das Artes Circenses Alice Viveiros, que desde 1985 tem escrito artigos sobre a história do circo no Brasil.

"A origem do circo eu gosto de fazer uma separação entre circo e arte circense, porque as artes circenses elas são milenares, elas estão com o homem desde o início dos tempos, brincar de saltar, de equilibrar, fazer contorção, fazer parada de mão, dar saltos, tudo isso é uma coisa que a gente tem em figuras rupestres antiqüíssimas na China, na Índia, no Egito, em todos os lugares onde você vai encontrar grupamento humano você vai encontrar essas habilidades, essa coisa que o circo é a arte da proeza."

Datam da Grécia antiga os primeiros relatos de grupos de artistas que entretiam os convidados durante os banquetes de filosofia que duravam dias.

O primeiro circo na forma como conhecemos hoje foi o Astley´s Amphitheatre inaugurado em Londres por volta de 1770, por Philip Astley, um oficial inglês da Cavalaria Britânica. O circo de Astley tinha um picadeiro com uma espécie de arquibancada, era fixo e ocupava um grande anfiteatro. No início oferecia apenas apresentações com cavalos, mas logo números de malabarismos e palhaços se juntaram ao espetáculo.

No Brasil, mesmo antes do circo de Astley, já havia os ciganos que vieram da Europa, onde eram perseguidos. Entre suas especialidades incluíam-se a doma de ursos, o ilusionismo e as exibições com cavalos. Há relatos de que eles usavam tendas e, nas festas sacras, havia bagunça, bebedeira, e exibições artísticas, incluindo teatro de bonecos.

Viajando de cidade em cidade, esses artistas adaptavam seus espetáculos ao gosto da população local. Números que não faziam sucesso na cidade eram tirados do programa. O circo com suas características, em geral itinerantes, existe no Brasil desde o final do século 19. A rotina era sempre a mesma: desembarcavam em um porto importante, faziam seu espetáculo e partiam para outras cidades, geralmente descendo pelo litoral até o rio da Prata, indo para Buenos Aires.

Instalados na periferia das grandes cidades e voltados para as classes populares, sua modernização não se deu em termos de espaços e equipamentos. O investimento maior era no elemento humano com a exploração de suas destrezas, habilidades e criatividade. Por isso, os palhaços são as figuras centrais, dependendo deles o sucesso do circo.

O circo brasileiro tropicalizou algumas atrações. Aqui o palhaço começou a ter um jeito mais malandro e sempre teve por costume falar, enquanto na Europa a maioria dos palhaços optava pela mímico.

Os brasileiros também tinham um gosto por atrações perigosas envolvendo trapezistas e animais ferozes.

Segundo Alice Viveiros de Castro, atualmente existem mais de 2.000 circos espalhados pelo Brasil, sendo aproximadamente 80 médios e grandes, com trapézio de vôos, animais e grande elenco. Estima-se um público anual de 25 milhões de espectadores.

Entre os problemas enfrentados hoje estão os terrenos caros; e há cidades que não permitem a montagem de circos, pois suas administrações temem estes forasteiros.

A primeira escola de circo se instalou no Brasil em 1977 no estádio do Pacaembu, em São Paulo, e se chamava Piolin.

Em 1982, surgiu a Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro, onde jovens de todas as classes sociais têm acesso às técnicas circenses.
Não se sabe ao certo o número de artista de circo no Brasil somente a Universidade Livre do Circo, criada pelo ator Marcos Frota, com financiamento da Petrobrás, conta atualmente com 250 alunos, além de desenvolver programas sociais em áreas carentes.

Marcos Frota nos conta como começou seu envolvimento com o circo:

"Eu fiz uma novela na tevê Globo em 85, chamada Cambalacho, e a partir desta novela, eu era um trapezista na novela, e a partir dessa novela eu resolvi criar um circo pra contribuir pra que o segmento se mantivesse vivo e ao mesmo tempo renovado esteticamente. Então o circo nasceu logo depois, faz mais de vinte anos que a gente tá rodando com o circo. Atualmente a gente criou a Universidade do Circo, a Universidade Livre do Circo, que é um projeto de formação de artistas, então aproximadamente em torno de 250 pessoas estão envolvidas."

Formados, os ex-alunos vão trabalhar nos circos brasileiros ou no exterior, ou montam grupos que se apresentam em teatros, ginásios e praças. Atualmente, a Intrépida Trupe, os Acrobáticos Fratelli, os Parlapatões, Patifes e Paspalhões, a Nau de Ícaros, o Circo Mínimo, o Circo Escola Picadeiro, o Linhas Aéreas e o Teatro de Anônimo, entre outros, formam o Circo Contemporâneo Brasileiro.

AMANHÃ O REPORTAGEM ESPECIAL VAI FALAR DA VIDA DOS ARTISTAS CIRCENSES, SUAS DIFICULDADES E O EMPENHO PARA NÃO DEIXAR QUE A TRADIÇÃO CIRCENSE SE PERCA.
De Brasília, Karla Alessandra

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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