Reportagem Especial
Especial Vacinas 3 - Quais as reações que as vacinas provocam nas pessoas (10'23'')
24/03/2008 - 00h00
-
Especial Vacinas 3 - Quais as reações que as vacinas provocam nas pessoas (10'23'')
VOCÊ SABIA QUE TEM GENTE QUE EVITA TOMAR VACINAS? A REPORTAGEM ESPECIAL DE HOJE VAI OUVIR A OPINIÃO DESSAS PESSOAS E TAMBÉM DAQUELES PARA QUEM AS VACINAS CONTINUAM SENDO ESSENCIAIS, APESAR DAS POSSÍVEIS REAÇÕES.
Em 1904, uma rebelião, conhecida como Revolta da Vacina, colocou de lados opostos a população do Rio de Janeiro e agentes de saúde que tinham a incumbência de vacinar o povo contra a varíola. Pouco mais de cem anos depois, a vacinação ainda continua provocando polêmica. Apesar de celebradas por erradicar algumas doenças, como é o caso da própria varíola, as vacinas ainda provocam reações de desconfiança por vários grupos. Uma pessoa que não quis se identificar, e vamos chamar aqui de Rosa, não vacinou seus dois filhos mais novos. Ela sustenta que a decisão foi tomada depois de muita pesquisa e leitura. Rosa conta que sua primeira filha nasceu na década de 70, sendo devidamente vacinada, de acordo com o calendário oficial. Com 4 anos, a menina teve um tipo de sarampo agressivo, apesar de ter sido vacinada. A partir daí, Rosa passou a pesquisar. Quando o segundo filho nasceu, ela resolveu não vacinar o menino. Com dois anos, ele teve sarampo brando.
"Foi a única doença infantil que ele teve, não sendo vacinado. Hoje ele tem quase 30 anos, super saudável, dificilmente fica resfriado, uma saúde forte mesmo, bem diferente da minha primeira filha, que quase sempre tem problema."
Para preservar o corpo saudável ela cuida bastante da alimentação, evitando abrir as portas aos vírus. Rosa critica o excesso de vacinas que são dadas às crianças.
"Eu critico o excesso de vacinas. Cada vez mais as crianças estão sendo vacinadas. Hepatite B não é uma doença infantil. Dificilmente uma criança vai pegar hepatite B. Vamos ficar no centro entre não vacinar e dar todas as vacinas. Você tem que aplicar as vacinas mínimas. De preferência não dar as vacinas combinadas porque elas agridem muito mais, elas são 3 vacinas na mesma hora. Isso o posto não propicia, então teria que procurar particular. Agride menos."
Rosa acha que os riscos das vacinas não são informados à população, que deveria ler as bulas das vacinas e se inteirar de todos os riscos e seqüelas.
Uma das maiores críticas de rosa é a presença de mercúrio - chamado de timerosal - nas vacinas brasileiras. Nos Estados Unidos, o mercúrio já foi proibido nas vacinas.
O neurologista Jorge Luís Baleta explica que a incidência de autismo vem aumentando muito nos últimos tempos, a nível mundial. É o autismo tipo 2, em que as crianças evoluem normalmente até que, de repente, sem explicação, começam a regredir e apresentar comportamento autista. Ele diz que as crianças começavam a apresentar o autismo depois de tomar vacinas que utlizam mercúrio em sua fórmula. Ele também critica as vacinas combinadas, como a do sarampo, caxumba e rubéola. Algumas reações a essa vacina acabavam desenvolvendo um quadro viral que atacava as células do intestino, no que ele chama de síndrome do intestino furado, diz o neurologista. Baleta recomenda, portanto, que as crianças evitem tomar vacinas combinadas, porque são vários microorganismos inseridos em seu organismo ao mesmo tempo, o que pode provocar fortes reações. E evitem vacinas com mercúrio em sua fórmula, como é o caso da DPT, contra difteria, tétano e coqueluche. Mais cuidado ainda deve ter quem tem casos de autismo na família, destaca Jorge Baleta. Mas o neurologista insiste também na importância da vacinação.
"Deve haver um intervalo entre cada vacina. Eu já vi algumas crianças receber 3, 4 vacinas combinadas no mesmo dia. Porque os pais não tinham tempo de estar levando para a vacinação, atrasavam, e o pediatra acabava fazendo a DPT, rubéola, caxumba e sarampo, e fazia algumas outras ao mesmo tempo. Isso aí, eu acho muito arriscado."
As reações às vacinas também preocupam o governo. Tanto que existe um Sistema Nacional de Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação. A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Luísa de Marilac, destaca que o sistema de eventos adversos é essencial para a credibilidade do programa.
"Muitos eventos ocorrem em função de problemas individuais, doença de base, baixa imunidade da pessoa vacinada. Isso é investigado pela sistema de vigilância de eventos adversos para esclarecimento, identificação dos fatores de risco que ainda não são conhecidos, que o conhecimento científico ainda não produziu, não relatou para orientação das situações de cautela, de adiamento de vacina ou até mesmo de contra-indicação, conforme a observação de ocorrência de eventos adversos. Todas as vacinas que são licenciadas passam por observações rigorosas em ensaios clínicos, da ocorrência de eventos, reações adversas. As vacinas são seguras, licenciadas pela Anvisa. Como durante o estudo para licenciamento ocorrem numa população numericamente limitada, nem todos os eventos mais raros têm a oportunidade de ser observados."
Marilac garante que o mercúrio utilizado em algumas vacinas brasileiras segue o recomendado pela Organização Mundial de Saúde. O assessor científico de Bio Manguinhos, Reinaldo de Menezes Martins, diz que, colocando na balança as possíveis reações às vacinas e as doenças que elas evitam, ainda é muito mais seguro vacinar a população.
"Então surgem grupos de oposição às vacinas, dizendo que as vacinas fazem mal. Não há nada que não faça, não há nada que seja perfeito. As vacinas provocam reações, que podem ser graves, eventualmente. Mas quando se coloca numa balança o benefício da vacinação e as reações que elas provocam, a comparação é imensamente favorável à aplicação das vacinas. Qualquer vacina que é colocada num programa de imunizações é que já passou por esse tipo de avaliação, através de estudos clínicos, através de experimentos em grupos cada vez maior de pessoas. E depois, pela própria aplicação da vacina em larga escala, e vendo o impacto que isso provoca nas doenças. Se um país tem pouca doença é porque está vacinando. Deixar de vacinar vai ter as doenças de novo. Porque esses micróbios, a maioria deles, não foi erradicado do mundo. Por enquanto, erradicado só a varíola."
As recentes notícias sobre febre amarela levaram milhares de pessoas aos postos de vacinação. A vacina tem um tempo de imunização de dez anos, mas muita gente tomou outra dose antes disso. Algumas reações adversas ocorreram, inclusive com morte. Luiz Hildebrando Pereira, Diretor Geral do Instituto de Pesquisa em Patologias Tropicais de Rondônia, é um dos maiores especialistas em imunologia do mundo.
"O que acontece com a vacina da febre amarela? a vacina da febre amarela foi produzida em ovo embrionário. O vírus cresce no ovo de galinha embrionário e depois se inocula esse vírus embrionário também em camundongos e purifica um pouco um vírus para se constituir em vírus atenuado, que é injetado, para se produzir a resposta imune de anticorpo contra o vírus. O que acontece é que nessa preparação e purificação do vírus, não vai só o vírus, vão produtos também do ovo embrionário, das células animais, do camundongo ou do ovo embrionário, que foi a fonte de infecção. O que provoca, além de uma resposta imune contra o vírus, uma resposta imune contra os produtos das células onde o vírus cresceu. E é isso o que provoca os acidentes de vacinação."
Por isso é que se recomenda que não se tome nova vacina quando o prazo de imunização da anterior ainda não terminou, o que pode causar problemas renais e respiratórios, por exemplo.
A enfermeira Francisca Selene de Oliveira Claros, da estratégia Saúde da Família, em Manaus, diz que costuma presenciar cenas de mães que deliberadamente deixam de vacinar os filhos.
"Eu vi uma garotinha que nasceu e a mãe não quis vacinar. Primeiro, o agente vai. E eles viram que a criança não tinha sido vacinada, inclusive, uma criança que nasceu de parto domiciliar. Como ela não atendeu à agente de saúde, eu fui, eu falei com a mãe, ela disse: ´quem vacina morre, quem não vacina também morre, então eu não vou vacinar meu filho´."
A responsabilidade de vacinar os filhos é dos pais. Os agentes de saúde não podem obrigar, apenas dar orientações.
De Brasília, Adriana Magalhães.
AMANHÃ, NA QUARTA MATÉRIA DA SÉRIE ESPECIAL SOBRE AS VACINAS, VOCÊ VAI CONHECER QUE TIPOS DE VACINAS ESTÃO SENDO PESQUISADAS NO BRASIL.
SE VOCÊ PERDEU ALGUMA EDIÇÃO DESTA SÉRIE OU QUISER OUVI-LA NOVAMENTE, BASTA ACESSAR NOSSO SITE PELO ENDEREÇO WWW.RADIO.CAMARA.GOV.BR