Reportagem Especial
Especial Terapias 2 - O uso de plantas medicinais para curar doenças (04'33")
11/02/2008 - 00h00
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Especial Terapias 2 - O uso de plantas medicinais para curar doenças (04'33")
NA REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE TERAPIAS COMPLEMENTARES, VOCÊ VAI CONHECER MELHOR O UNIVERSO DAS PLANTAS MEDICINAIS.
Quem não sabe indicar um chazinho para crianças com cólicas? Quem nunca tomou xarope natural para curar uma tosse? O uso de plantas medicinais como remédio no Brasil remonta à cultura indígena e é comum há séculos no país, como atesta o cardiologista e vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luís Dávila.
"Tradicionalmente, a grande maioria dos remédios farmacológicos teve origem na fitoterapia. Se nós pegarmos um remédio muito comum para tratamento de uma doença do coração, a insuficiência cardíaca, o remédio, chamado digital, veio de uma planta que os índios já conheciam com o nome de dedaleira. O chá da dedaleira era famoso, usado por indígenas, até que a Europa usou muito e depois foi sintetizado a partir da planta, hoje é fabricado industrialmente."
A professora de farmácia da UnB e do Hospital Universitário de Brasília, Patrícia Medeiros de Souza, diz que os medicamentos feitos a partir de plantas, a chamada fitoterapia, estão sendo elaborados com o mesmo status do medicamento químico. Isso porque os pesquisadores isolam a substância que está exercendo a ação farmacológica e elaboram o medicamento, explica Patrícia.
"Outro que tem-se utilizado inclusive para o mal de Alzheimer é o extrato seco da gincko biloba. Já tem comprovação clínica que ele melhora, em casos de alzheimer leve a moderado a memória. Outro que tem comprovação clínica para a memória é a melissa oficinalis, a salvia oficinalis. Então o estudo clínico com relação aos fitoterápicos já estão no mesmo estágio em relação aos produtos químicos, inclusive fazem comparação."
É bom lembrar que esses medicamentos fitoterápicos também apresentam efeitos indesejáveis e contra-indicações. Por isso, a professora Patrícia Medeiros de Souza alerta que é preciso ter cuidado ao tomar os famosos chazinhos. Uma pesquisa da Universidade de Brasília, por exemplo, diz que o uso de plantas medicinais pode piorar os efeitos colaterais de quem está tomando coquetéis anti-HIV. É o caso dos chás de camomila e de hortelã.
"A camomila, por exemplo, que é um chá simples, quem tem problema no coração e toma um AAS para deixar o sangue mais fino, se tomar junto com a camomila, o sangue pode ficar fino demais e ter hemorragia. Alguns chás, por exemplo, de melissa, de hortelã, que a pessoa toma como calmente para cólicas, se a pessoa tomar junto com algum tipo de medicamento, ele vai retardar a absorção."
A professora Patrícia Medeiros alerta para o uso de remédios naturais para emagrecer, que têm as mesmas contra-indicações dos convencionais. Por isso, esses medicamentos podem aumentar os batimentos cardíacos, dar insônia e até levar à convulsão. Além disso, os estudos sobre a eficácia ainda não foram concluídos.
"A orientação que eu dou às pessoas é que não comprem esses remédios que são utilizados como se não fizessem qualquer tipo de mal sem orientação médica, porque ele pode estar inativando aquele tratamento que a pessoa está fazendo para hipertensão, para diabetes, ou então causando reações adversas sérias."
A fitoterapia é encarada como prática terapêutica pelo Conselho Federal de Medicina, mas ainda não foi solicitado o reconhecimento como especialidade.
O vice-presidente do CFM, Roberto Luís Dávila, diz que, desde que o produto tenha passado por avaliação científica e os efeitos tenham sido estudados plenamente, o conselho não tem restrição aos medicamentos fitoterápicos.
DE Brasília, Adriana Magalhães.
NA REPORTAGEM ESPECIAL DE AMANHÃ, VOCÊ VAI SABER COMO É FEITA A FISCALIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS E FITOTERÁPICOS. VAI CONHECER TAMBÉM A POLÍTICA DO GOVERNO PARA TERAPIAS COMPLEMENTARES.