Reportagem Especial

Especial Religiosidade 4 - Casos de intolerância e violência ligados à crença (05'11")

24/12/2007 - 00h00

  • Especial Religiosidade 4 - Casos de intolerância e violência ligados à crença (05'11")

A QUARTA REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE RELIGIOSIDADE DISCUTE OS CASOS DE INTOLERÂNCIA E DE VIOLÊNCIA LIGADOS À CRENÇA. ESPECIALISTAS DIZEM QUE OS ATEUS E OS SEGUIDORES DOS CULTOS AFROS SÃO OS MAIS PERSEGUIDOS NO BRASIL.

De forma geral, as religiões pregam ideais de bondade, de respeito à vida e de tolerância com o próximo. Porém, por mais paradoxal que seja, radicais têm usado o nome de Deus ou os dogmas religiosos para justificar atos violentos em todo o mundo, como nos conflitos envolvendo judeus e muçulmanos, no Oriente Médio; católicos e protestantes, na Irlanda do Norte; e vários grupos religiosos, na África. No Brasil, esses conflitos nunca chegaram a ganhar ares de "guerra santa", mas, nem por isso, deixam de ser registrados casos de agressão ou discriminação motivada por crença.

"O canto dos escravos III" c/Clementina

A Secretaria Especial de Direitos Humanos, órgão vinculado à Presidência da República identificou forte preconceito contra os cultos afros no país. Segundo o subsecretário Perly Cipriano, o governo age para mostrar que o Estado é laico e quer promover o diálogo e o respeito a todas as religiões.

"Primeiramente, chegou aqui um grupo de mãe de santo de Sergipe, Bahia, Minas e do Rio Grande do Sul se queixando que havia muita discriminação contra essas religiões, até com casos de prisão e apedrejamento. Durante um ano, fizemos uma discussão muito ampla com mais de cem religiões de tradição diferente e elaborou-se uma cartilha "Direitos Humanos e a Diversidade Religiosa", levando em consideração a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Constituição brasileira e o Programa Nacional de Direitos Humanos: o respeito do governo não ter religião mas incentivar o diálogo e fazer respeitar o direito das religiões minoritárias."

O sociólogo da UFRJ, Alexandre Brasil, não acredita no agravamento da intolerância religiosa no país. Ele ressalta o sincretismo entre as crenças e o forte repúdio da imprensa e da sociedade civil aos casos isolados de violência religiosa. No entanto, Alexandre Brasil vê com preocupação um certo sentimento negativo dos brasileiros contra aqueles que não seguem nenhuma religião.

"O que se tem no Brasil, e é curioso, é muito mais uma intolerância para quem não é religioso. É aquela velha história: a pessoa no Brasil tem vergonha de dizer que não tem religião. Mas isso está mudando nos últimos anos. Em termos de religião, a minoria que tem menos liberdade é aquelas pessoas que se dizem atéias ou agnósticas ou sem religião. Umbanda e candomblé, que tiveram muito problema nas décadas de 20 e 30, ainda têm algum preconceito, mais associado até mesmo à questão social. Mas, em comparação com o que se tem no mundo, uma situação de bastante tranqüilidade, com certos conflitos, mas acho que contribuem para a democracia mais do que atrapalham."

"Milagres do povo" c/Caetano
"Quem é ateu e viu milagres como eu
Sabe que os deuses sem Deus
Não cessam de brotar, nem cansam de esperar"

No ano passado, Brasília sediou o primeiro Fórum Mundial da Espiritualidade. O evento reuniu representantes de todas as religiões, com enfoque na cooperação, entendimento, combate à intolerância e busca de ações de convivência e respeito. Em abril deste ano, foi a vez de São Paulo ser palco do seminário em comemoração aos 25 anos da "Declaração da ONU para a Eliminação de Todas as Formas de Intolerância e Discriminação com base em Religião ou Crença". O subsecretário de Direitos Humanos Perly Cipriano ressalta o aspecto agregador do Brasil.

"O Brasil tem muita experiência em que Muçulmanos, Judeus, Cristãos, Budistas, Xintoístas, matriz africana se reúnem, discutem e buscam pontos de ação articulada. No Brasil, o fato de terem convivido em diferentes regiões têm facilitado muito. São povos, raças e religiões que fazem parte da nossa cultura. Nós temos avançado muito, mas precisamos avançar mais ainda no diálogo, na discussão, no respeito e mostrar que é um crime alguém ter preconceito contra o outro."

Nunca é demais lembrar que a constituição brasileira afirma, categoricamente, que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias".

De Brasília, José Carlos Oliveira

AMANHÃ, NO ENCERRAMENTO DA REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE A RELIGIOSIDADE DO BRASILEIRO, DESTAQUES PARA O SINCRETISMO E O ECUMENISMO NAS RELAÇÕES RELIGIOSAS NO PAÍS.

O programa apresenta e aprofunda temas em debate na Câmara

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