Rádio Câmara

Reportagem Especial

Especial ONU 4: Índice de Desenvolvimento Humano - ( 05' 06'' )

  • Especial ONU 4: Índice de Desenvolvimento Humano - ( 05' 06'' )

NA REPORTAGEM ESPECIAL DE HOJE, VOCÊ VAI SABER O QUE SIGNIFICA O ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO CALCULADO PELA ONU.

O Índice de Desenvolvimento Humano - IDH - do Brasil melhorou entre 2003 e 2004, mas o país recuou uma posição no ranking mundial, caindo da posição 68 para a 69, numa lista de 177 países. Os dados são do Relatório de Desenvolvimento Humano 2006, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD.

O IDH é medido com base em quatro indicadores: o PIB per capita, que é o total de riqueza de um país dividido pela população; a expectativa de vida; taxa de alfabetização e taxa de matrícula no ensino fundamental, médio e superior. Pelo seu IDH, o Brasil é considerado uma nação com médio desenvolvimento humano. Mas estamos em pior situação do que 13 países latino-americanos, como os vizinhos argentinos, uruguaios e chilenos, por exemplo. Por outro lado, o IDH do Brasil é maior do que a Venezuela, Peru e Paraguai.

O educador e sociólogo Pedro Demo preocupa-se mais com a situação do Brasil comparada com o resto da América Latina e dá menos importância ao ranking de IDH.

"Isso também não tem uma importância absoluta porque trabalha com os dados que vêm dos países, há muita discrepância entre os dados, muita discussão em torno da qualidade dos dados. Então, subir ou descer algumas posições não quer dizer nada do ponto de vista estatístico. Mas o fato que constrange o Brasil é que nós estamos muito atrás da maioria dos países da América Latina. Isso é um ponto de referência importante, acho que nós deveríamos ter uma posição mais destacada e geralmente a nossa precariedade está mais na área da educação"

O consultor do PNUD e um dos responsáveis pela divulgação do relatório no Brasil, Flávio Comim, resume os dados do Brasil no que diz respeito ao Índice de Desenvolvimento Humano.

"Nós notamos que o IDH subiu um pouco, mas que a taxa de matrícula bruta, de escolarização bruta combinada, ficou praticamente constante, com a taxa de alfabetização dos alunos subindo pouquinho, de 88,4 para 88,6. A expectativa de vida, subindo pouquinho, de 70,5 para 70,8. A renda que era um pouco menos de 8 mil dólares passou a um pouco mais, de 7900 para 8.200, praticamente. Essas mudanças no Brasil foram muito graduais. Alguns países que andaram mais rapidamente andaram não porque a esperança de vida tivesse aumentado bruscamente de um ano para outro, ou a taxa de alfabetização. Usualmente, quando acontece uma mudança brusca, é na taxa de crescimento econômico."

De todos os indicadores que alteram o IDH, a longevidade brasileira de 70,8 anos é a dimensão em que o país se sai pior: está na posição 84 no ranking global. Por outro lado, o PIB per capita foi o índice que mais contribuiu para a melhora do índice brasileiro. O PIB per capita passou de pouco mais de 7 mil e novecentos dólares para quase oito mil e duzentos, o que colocou o Brasil na posição 64. Entretanto, o representante do PNUD, Flávio Comim, argumenta que o conceito de crescimento econômico não significa necessariamente qualidade de vida, por causa da grande desigualdade brasileira.

"Os avanços que podem ser obtidos em termos de qualidade de vida das pessoas, independentemente do crescimento da renda per capita. Porque num país em que a distribuição de renda é tão desigual quanto o Brasil, é mais fácil avançar através das melhorias dos programas de saúde e educação, do que necessariamente via renda, para as pessoas. A renda pode aparecer na média, que ela subiu, mas como ela é mal distribuída, ela não chega nas pessoas"

Flávio Comim dá algumas dicas para que o Brasil avance até atingir a média dos países latinoamericanos. Para ele, a solução é focalizar a atenção do governo nas pessoas que vivem menos, que têm incidência maior de doenças e que não comem. Ele também diz que se deve copiar os bons exemplos externos e dentro do próprio Brasil. O maior IDH do Brasil é a cidade de São Caetano do Sul, em São Paulo, com índice equivalente ao da Grécia, que ocupa posição 24 no mundo. Em contrapartida, a Pernambucana Manari tem o pior IDH do Brasil, com posição equivalente ao Senegal, que ocupa a posição 156 no mundo.

De Brasília, Adriana Magalhães

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A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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