Reportagem Especial

Especial Alimentação 2 - Especialista afirma que combinação do arroz com feijão é completa ( 05' 28'' )

20/11/2006 - 00h00

  • Especial Alimentação 2 - Especialista afirma que combinação do arroz com feijão é completa ( 05' 28'' )

NA EDIÇÃO DE HOJE DA REPORTAGEM ESPECIAL DA SEMANA, VAMOS FALAR SOBRE COMO DEVE SER UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL, O QUE SE DEVE E O QUE NÃO SE DEVE COMER PARA SE TER SAÚDE E UM CORPO EM FORMA.

A popularidade do velho conhecido "arroz com feijão" não é mais a mesma. Com o advento da globalização, a perda da identidade cultural dos alimentos tradicionalmente consumidos pelos brasileiros tornou-se crescente. Essa é uma tendência observada por diversos especialistas, entre eles a professora do Departamento de Nutrição da UNB, Rosana Possi. Ela afirma que o povo brasileiro não deve deixar de consumir arroz com feijão, mesmo que se sinta seduzido por outros alimentos mais práticos, como os industrializados ou por aqueles característicos de outras culturas.

"Alguns autores têm denominado esse processo como "dieta ocidental" porque a gente tem substituído o consumo do nosso "arroz com feijão" - e a referência são os nossos hábitos brasileiros - com fast food, batatas fritas, refrigerantes e isso está sendo observado na população brasileira, ocasionando então obesidade"

Para o endocrinologista Álvaro Afonso, falta ainda investir em mudança de comportamento, o que deveria ser escolhido como estratégia principal das autoridades de saúde. Dr. Álvaro acredita que o trabalho preventivo seria mais econômico e evitaria a necessidade de medicação.

"Porque a gente sabe que quem come menos, envelhece menos e a nossa população está ficando igual à população americana: dormindo pouco, comendo demais e comendo mal"

O Ministério da Saúde lançou, durante a Semana Mundial da Alimentação, comemorada em outubro, o "Guia Alimentar da População Brasileira". A publicação dá orientações sobre alimentação saudável e estimula o consumo de frutas, verduras, legumes, feijões e cereais, grupos de alimentos que nas últimas três décadas diminuiu, enquanto aumentou o consumo de produtos industrializados. O guia apresenta alguns dados, como a queda de 31% no consumo de feijão, de 23% no de arroz e de 12 % no de pão. Há, inclusive, recomendações para que as pessoas façam pelo menos três refeições diárias, intercaladas por lanches. Segundo a coordenadora da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Ana Beatriz Vasconcellos, a preparação típica brasileira de feijão com arroz é uma combinação alimentar saudável e completa, que não deve continuar sendo substituída por refeições prontas e misturas industrializadas, ricas em sal, açúcar e gorduras.

"Há uma necessidade de produzir uma mudança. E é isso que as políticas públicas vem tentando fazer com a publicação dos guias alimentares, de normas para fazer a rotulagem de alimentos, para tentar restringir a propaganda também de alimentos no horário infantil. Então essas ações, movimentos, que a sociedade, a sociedade científica, que o governo tem se dedicado nos últimos para mudar esse ambiente que vem produzindo a obesidade, esse ambiente que vem produzindo as doenças"

A diretora da Divisão de Nutrição da Organização Mundial de Saúde, Denise Coitinho, explica que a "Estratégia Mundial para Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde" lançada pela OMS em 2002 e aprovada pelos países membros na Assembléia Mundial da Saúde em 2004 visa promover a para melhorar a saúde em geral e prevenir as doenças crônicas.

De acordo com Denise Coitinho, o Brasil é um dos países que está na frente na implantação da estratégia. Ela destaca que há várias ações em curso no país em todos os níveis: federal, estadual e até nos municípios. Denise Coitinho alerta que não basta que os cidadãos sejam informados sobre as vantagens nutricionais das frutas, verduras e legumes, é preciso que estes produtos estejam acessíveis a todos por meio de políticas agrícolas, fiscais e educacionais.

"Um componente é a decisão individual, das pessoas terem conhecimento suficiente para poder fazer escolhas saudáveis. O outro componente dessa equação são essas escolhas saudáveis estarem disponíveis, serem acessíveis em termos de preço, fazerem parte do hábito, as pessoas gostarem, quererem comprar. Para se modificar efetivamente os hábitos alimentares , para fazê-los ficarem mais saudáveis é preciso um monte de ações que trabalhem na criação de uma demanda mais sólida e sustentável de toda população por alimentos mais saudáveis, mas também para a oferta desses alimentos, principalmente garantindo que esses alimentos tenham um custo acessível"

Denise Coitinho considera que existe uma grande sintonia entre a Política Nacional de Alimentação do Ministério da Saúde e a Estratégia Global da OMS, o que comprova o engajamento brasileiro ao esforço mundial para a promoção da alimentação saudável.

AMANHÃ, NA TERCEIRA EDIÇÃO DO REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL, VAMOS FALAR SOBRE AS DOENÇAS CAUSADAS POR DIETAS ALIMENTARES INADEQUADAS.

Sábado e domingo às 8h30, 13h e 19h30. E nas edições do programa Câmara é Notícia. Mande sua sugestão pelo WhatsApp: (61) 99978.9080.