Reportagem Especial

Especial Aviação 3 - Conheça como funciona o controle do tráfego aéreo - ( 06' 44" )

23/10/2006 - 00h00

  • Especial Aviação 3 - Conheça como funciona o controle do tráfego aéreo - ( 06' 44" )

A EDIÇÃO DE HOJE DA REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE AVIAÇÃO, COM O REPÓRTER APRIGIO NOGUEIRA, MOSTRA AOS OUVINTES COMO FUNCIONA O CONTROLE DE TRÁFEGO AÉREO. QUEM SÃO OS PROFISSIONAIS RESPONSÁVEIS E A OPINIÃO DE QUEM DEPENDE DELES PARA VOAR.

Poucas pessoas que viajam de avião têm a exata noção de como funciona o trânsito lá em cima. A maioria não sabe como um avião pode navegar entre nuvens, ou à noite sem que o piloto enxergue nada além da escuridão fora da cabine de comando.

Pois é aí que entra o controle de tráfego aéreo. Desde o momento em que o avião ainda está parado no pátio dos aeroportos até sua chegada no destino e parada total das turbinas os pilotos estão em contato com o controle de tráfego.

A primeira providência a ser tomada pelo comandante do avião é apresentar à torre de controle um plano de vôo.

A torre de controle é aquela torre que quase todo aeroporto tem e todos nós já vimos.

Ela é responsável pela autorização do plano de vôo, do táxi - ou seja a manobra do avião do embarque até a cabeceira da pista, ou da cabeceira até o ponto de desembarque de passageiros. E, por fim, autoriza também a decolagem e o pouso dos aviões.

Depois de decolar, o avião passa a ser controlado pelo APP, ou seja, controle de aproximação, que é o órgão responsável por cuidar da subida e descida das aeronaves num raio de 100 km da pista. Nesta etapa, o controle já é feito por meio de radar. É uma etapa crítica, como explica o assessor de comunicação da Associação dos Controladores de Tráfego Aéreo, Ulisses Fontenelle.

"ela é mais crítica por uma questão de espaço aéreo, ou seja, a torre de controle está trabalhando com o avião no solo. Você pode mandar o avião parar e ele pára como um carro qualquer. Só que o controle de aproximação está todo mundo se aproximando para um ponto e tá descendo, está voando, de lugares diferentes se aproximando para um ponto só que é a pista. Então você tem de fazer um sequênciamento, colocar um avião atrás do outro no direcionamento da pista. E, ao mesmo tempo, livrar dos aviões que estão saindo. E num espaço aéreo de um raio de cem quilômetros. Dependendo do movimento da cidade complica, você tem de dividir em vários setores."

Para se ter uma idéia, segundo o representante da Associação de Controladores, Brasília comporta, no máximo, 16 aviões ao mesmo tempo na área de aproximação. São Paulo que tem vários aeroportos, chega ao máximo de 40. Alguns chegando, em processo de descida e outros saindo, em subida, e nos dois casos indo e vindo de diversas direções.

Depois que sai da área do controle de aproximação, o avião entra no controle de área - que cuida do vôo em rota, e observa o cumprimento do plano de vôo apresentado pela aeronave à torre e faz as correções necessárias, ou as autoriza quando solicitadas.

Em todas as etapas de controle, há civis e militares executando os serviços.

Para se tornar um controlador, o interessado faz concurso público e, se aprovado vai para São José dos Campos, onde está o Instituto de Proteção ao Vôo. Lá, ele passa nove meses estudando. Depois faz um estágio, volta a cursar matérias específicas, passa por novo estágio e só aí se torna um controlador de fato.

Esses profissionais, na maioria, são, por um lado apaixonados pelo que fazem mas, por outro, vivem um desgaste emocional muito grande, devido à intensa responsabilidade diária. A especialização é muito grande e os salários não acompanham. Daí a grande evasão de profissionais.

"há sempre uma carência de pessoal no Brasil e não é de hoje. Para você ter uma idéia, hoje a média de idade de um controlador não chega a 26 anos e o tempo de serviço de um controlador em média não chega a dez anos. É difícil hoje você chegar num órgão de controle, principalmente num centro de controle de área, que é onde concentra o maior número de controladores de vôo e você
encontrar operadores com mais de dez anos"

Segundo o assessor da Associação dos Controladores, o salário inicial de um controlador é de 1.500,00 reais e em final de carreira de 3.300 reais, se civil. Se militar, ele ganha o soldo da patente que ocupa, que varia de R$ 1.540,00, quando terceiro sargento a R$ 2.583,00 quando sub-oficial.

O assessor parlamentar do Comando da Aeronáutica, Coronel-Aviador Miguel Ângelo Braga Grilo, diz que apesar da evasão o Comando tem providenciado a reposição adequada dos quadros e que a questão salarial dos Controladores de Vôo é a mesma dos servidores públicos em geral, sejam eles militares ou civis.

"ela talvez não seja específica do Controle de Tráfego Aéreo, mas passa por toda a questão que que envolve o salário do servidor público e de repente o salário do militar. Evidentemente, que não há a possibilidade de você promover um aumento específico diferenciado por um determinado grupo de servidores públicos ou para um determinado grupo de militares. Evidentemente, que seria impossível que qualquer categoria profissional ficasse hemerticamente fechada de um processo de concorrência ou de competição."

Mas, apesar do problema da evasão de profissionais, os usuários podem ficar tranqüilos. Pilotos e empresas consideram o Controle de Tráfego Aéreo Brasileiro de primeira qualidade. É o que fala o especialista em segurança do vôo do sindicato nacional das empresas aéreas, comandante Ronaldo Jenkins, que tem mais de 30 anos de pilotagem.

"o controle de espaço aéreo brasileiro é padrão de primeiro mundo, tanto que nós temos quatro regiões no Brasil. Quatro Cindactas, Centro Integrado de Defesa Aérea e de Controle de Tráfego Aéreo. Três deles têm tecnologia européia, e um deles o Sivam tem tecnologia norte-americana, o mais novo, o Sivam que é exatamento o Cindacta IV que cobre a área da Amazônia. Então todos eles são de tecnologia avançada...".

O presidente do Sindicato dos Aeronautas, Gélson Fochesatto faz coro com o Cmte. Jenkins e diz que tanto em matéria de equipamentos quanto de recursos humanos, o Brasil está dento dos padrões internacionais.

De Brasília,Aprigio Nogueira.

NA REPORTAGEM ESPECIAL DE AMANHÃ VOCÊ VAI SABER UM POUCO MAIS SOBRE A AVIAÇÃO MILITAR BRASILEIRA.

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