Reportagem Especial

Especial Meio Ambiente 1- Panorama do meio ambiente no Brasil (07' 05")

18/09/2006 - 00h00

  • Especial Meio Ambiente 1- Panorama do meio ambiente no Brasil (07' 05")

A SÉRIE DE REPORTAGENS ESPECIAIS DESTA SEMANA TRAZ UM PANORAMA DOS PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS DO PAÍS. A REPÓRTER ANA RAQUEL MACEDO CONVERSOU COM REPRESENTANTES DE DIFERENTES SETORES SOCIAIS PARA CONHECER OS DIAGNÓSTICOS E POSSÍVEIS SOLUÇÕES PARA A QUESTÃO.

O Brasil é o país dos superlativos quando o assunto é meio ambiente. Em mais de oito milhões e 500 mil quilômetros quadrados de território, o país concentra a maior quantidade de espécies vegetais e animais do planeta. Só para se ter uma idéia, a Amazônia reúne 50% de toda a biodiversidade terrestre. 70% dessa imensa floresta está localizada em território brasileiro.

E a diversidade não está só na Amazônia. Em importantes biomas como Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa e Pantanal, outros diferentes tipos de organismos vivem e ajudam o homem a adquirir seu sustento. A estimativa é de que existam no país mais de 10 milhões de espécies.

Quando o assunto é água, os números também impressionam. O Brasil detém a maior capacidade hídrica do globo, reunindo 12 por cento da água doce do mundo. São 12 regiões hidrográficas, sendo que a Amazônica responde por mais de 70 por cento dos nossos recursos hídricos superficiais. Já o cerrado é a grande caixa d´água da América do Sul, com nascentes e cursos de água que escoam para as bacias dos rios Amazonas, Tocantins, Parnaíba, São Francisco, Paraná e Paraguai.

Especialistas admitem que preservar um patrimônio dessa dimensão é complicado. Mas avaliam que, com a cooperação da sociedade como um todo, é possível vislumbrar um futuro melhor para o país e o mundo. Até porque os impactos da devastação ambiental não se restringem a uma única região. Pelo contrário, se espalham.

Recentemente, a ONG Greenpeace lançou a pesquisa "Mudanças do Clima, Mudanças de Vidas". O trabalho mostra como o aquecimento global já afeta o Brasil, provocando enchentes, secas prolongadas e doenças. E o aumento da temperatura é resultado, principalmente, da ação humana.

Segundo a publicação, o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking dos países que mais emitem gases de efeito estufa no mundo. Essa contribuição é motivada, principalmente, pelo desmatamento da Amazônia. Tanto as queimadas quanto a retirada de árvores da floresta contribuem para o aquecimento global. As queimadas liberam na atmosfera uma série de gases de efeito estufa. E sem as árvores, estima-se que o país deixe de absorver da atmosfera de 100 a 400 milhões de toneladas de carbono por ano. O carbono é um dos principais elementos formadores dos gases de efeito estufa.

Estudos mostram que 75% dos gases lançados na atmosfera pelos brasileiros são provenientes da devastação da floresta, que perdeu 70 mil quilômetros quadrados entre 2002 e 2005.

Carlos Rittl, coordenador da campanha do Clima no Greenpeace, lembra que as queimadas alteram o regime de chuvas não só da Amazônia, mas do Brasil como um todo. 25% da chuva que cai em São Paulo, por exemplo, depende da floresta. Sem uma mudança considerável no atual ritmo de desmatamento, prevê Carlos Rittl, até mesmo a vocação agrícola brasileira terá de ser alterada.

"A agricultura, no quadro das mudanças climáticas, a gente vai ter perda de solo, perda de áreas propensas a produções de determinadas culturas. A gente pode chegar, dependendo de quanto mude a temperatura, tenha que chegar ao ponto de ter que importar alguns produtos como o café, que é um dos produtos nos quais o Brasil é líder mundial na produção. Então, as pessoas do agronegócio, os grandes produtores, o setor agrícola tem que estar envolvido na busca de soluções e isso passa pelo controle do desmatamento e por uma preocupação ambiental muito maior."

A expansão descontrolada da agricultura e da pecuária está entre os principais motivos do desmatamento não apenas da Amazônia, mas também de biomas como o Cerrado. E na busca pelo aumento de produção, o campo gera uma outra conseqüência ambiental: o consumo de água. As plantações irrigadas são responsáveis por 70% da água consumida no país.

A maior parte da poluição de nossos rios, contudo, não vem do agronegócio. É nas cidades que está outro dos mais graves problemas ambientais brasileiros: a falta de saneamento.

No Brasil, o principal problema da qualidade das águas é o lançamento de esgotos domésticos. Apenas 47% dos municípios brasileiros possuem rede coletora de esgoto e somente 18% dos esgotos recebem algum tratamento. Para o professor da Universidade de São Paulo Paulo Nogueira Neto, fundador do Conselho Nacional de Meio Ambiente, a ampliação do saneamento básico exige tratamento prioritário no país.

"O tratamento dos esgotos é feito de uma maneira relativamente pequena em relação ao tamanho do problema. Precisamos ter muito mais atenção, dar mais atenção à questão dos esgotos porque isso custa vidas humanas. Quando não há um bom tratamento de esgoto e água, quando não há bom saneamento básico, as principais vítimas são as crianças. A mortalidade infantil sobe. É uma coisa que merece prioridade."

Paulo Nogueira Neto ainda hoje é conselheiro do Conama. O professor lembra que, há 25 anos, o Conselho Nacional de Meio Ambiente reúne governo e sociedade civil para definir importantes questões, como o controle de poluição do ar por veículos, por exemplo. E mesmo com avanços, o transporte ainda é a principal fonte de gás carbônico nas cidades brasileiras. Depois do desmatamento da Amazônia, é a segunda maior causa de liberação de gases de efeito estufa na atmosfera brasileira.

De Brasília, Ana Raquel Macedo

NAS PRÓXIMAS REPORTAGENS DA SÉRIE DE MATÉRIAS SOBRE A QUESTÃO AMBIENTAL NO BRASIL, VOCÊ VAI CONHECER UM POUCO MAIS SOBRE A SITUAÇÃO DO MEIO AMBIENTE NO CAMPO E NA CIDADE. NA MATÉRIA DE AMANHÃ, O TEMA É A AMAZÔNIA.

O programa apresenta e aprofunda temas em debate na Câmara

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