Reportagem Especial
Especial Segurança Pública 4 - Problemas que o Brasil enfrenta no campo da segurança pública (06' 29")
21/08/2006 - 00h00
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Especial Segurança Pública 4 - Problemas que o Brasil enfrenta no campo da segurança pública (06' 29")
MORTES DE POLICIAIS E DE CRIMINOSOS EM CONFRONTOS, ASSALTOS, SEQUESTROS, TRÁFICO DE DROGAS. SÃO TODOS PROBLEMAS QUE O BRASIL ENFRENTA QUANDO O ASSUNTO É SEGURANÇA PÚBLICA.
APESAR DISSO, EXISTEM NO PAÍS UMA SÉRIE DE INICIATIVAS QUE BUSCAM COMBATER O CRIME. NA REPORTAGEM ESPECIAL DE HOJE, VOCÊ VAI CONHECER ALGUMAS DELAS.
Jardim Ângela, distrito da zona sul de São Paulo, já foi considerado pela Organização das Nações Unidas como a região mais violenta do planeta. Essa primeira posição no ranking da violência serviu para que o poder público e moradores se unissem e investissem em policiamento comunitário, combate ao consumo de álcool e educação. Desde então, Jardim Ângela virou sinônimo de combate à violência. Apesar de a maior parte do noticiário brasileiro no que diz respeito à segurança pública ser composto por notícias negativas, experiências como as do Jardim Ângela não faltam no país. A sociedade civil organizada vem usando suas próprias armas para combater o crime.
Discutir a violência e cobrar ações eficazes das instituições responsáveis é uma maneira de contribuir para a prevenção do crime. Essa é a opinião de Ediógenes Aragão, professora da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas e fundadora da ONG "Associação em Nome do Bem Comum". A professora, que fundou a associação para cobrar ação policial na investigação do assassinato de seu filho, cinco anos e meio atrás, acredita que dois pontos são essenciais no combate ao crime e à violência: a prevenção e a punição. Ela usa o exemplo de São Paulo para propor que, no futuro, ações mais duras nesse sentido sejam tomadas.
"E diria que, por exemplo, a questão da prevenção, aqui no caso de São Paulo, que é o que eu conheço mais de perto, a questão da prevenção é essencial. Já existe, e não é de hoje, e já há algum tempo, um mapeamento das áreas e locais considerados violentos. Esse mapeamento, portanto, permite que ações se antecipem a esses ataques e a esses atentados e, portanto, nós teríamos um política preventiva, e ações sociais e culturais. "
O exemplo de Jardim Ângela, que uniu a força policial e a comunidade na luta contra o crime, é um desafio a ser repetido no resto do país. Essa é a defesa do PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que, na tentativa de incentivar que a polícia trabalhe de maneira mais preventiva, apóia a adoção de parcerias entre o governo federal, organizações não-governamentais e organismos internacionais para investir no policiamento comunitário. A idéia é capacitar policias para trabalhar mais diretamente com a comunidade, conforme explica a coordenadora de Segurança Pública, Justiça e Políticas Sociais do PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - Maristela Marques Baioni.
"É um policiamento feito em favor do cidadão. A diferença do policiamento comunitário, em linhas bem genéricas, com relação ao policiamento ostensivo, mas não comunitário, é que o policiamento comunitário primeiro de tudo tem um crivo de entrada do policial. Vamos ver que perfil de policial queremos na força. Ele passa por todo um treinamento e formação. E depois é que ele é destinado a trabalhar numa única comunidade. Você reduz a rotatividade do policial. Ao ser inserido numa comunidade, ele vai ter oportunidade de conhecer as pessoas, vai ter oportunidade de fazer troca com as pessoas naquela comunidade. Receber informações úteis para ele no trabalho de prevenção à criminalidade, assim como vai prover para a comunidade uma sensação de maior segurança."
Para Mariana Montoro, diretora da organização não-governamental Instituto Sou da Paz, é preciso, em primeiro lugar, diferenciar o termo crime do termo violência, para só então aprender a combatê-los. Segundo a diretora, é possível combater o crime com investimentos no policiamento e no sistema prisional. Já o combate à violência é um pouco mais complicado.
"A questão da violência entre as pessoas está muito mais relacionada à sociedade, à nossa maneira de se relacionar. A gente faz uma avaliação de que o Brasil, apesar de ser o país do futebol, o país do carnaval, e realmente é, também é um país infelizmente muito violento, e que tem a violência nas suas relações interpessoais, em todos os graus. Dentro de casa, no trânsito, na relação policial, ou dentro das escolas, enfim, em todos esses locais, está colocado o uso da violência, ele foi aceito por toda a sociedade e, o que é mais cruel, por vezes ele é valorizado por essa sociedade."
Para combater tanto o crime quanto a violência, o Instituto Sou da Paz desenvolve alguns projetos. Entre eles, o prêmio "Polícia Cidadã", um prêmio de até 30 mil reais para as ações policiais que um grupo de avaliadores julgar mais meritosas naquele ano. Agora em 2006, vai ser realizada a terceira edição do prêmio, que antes só julgava ações na cidade de São Paulo. Agora, além da capital, também poderão participar 39 cidades da região metropolitana de São Paulo.
Outro projeto desenvolvido pela organização é o "Pólos da Paz", que tem como objetivo prevenir a violência. O projeto busca unir jovens com a intenção de revitalizar ambientes comunitários, como praças, que estejam em estado ruim. De acordo com Mariana Montoro, a idéia é ocupar os jovens, de maneira saudável, e estimular atividades de esporte, cultura e conservação do espaço público.
A organização não-governamental trabalha com uma rede de 60 profissionais remunerados e mais de 100 voluntários. De acordo com Mariana Montoro, a organização procura trabalhar em quatro áreas diferentes: campanhas para o controle das armas de fogo, cooperação com políticas municipais, trabalhos voltados para a juventude e incentivos à polícia brasileira.
De Brasília, Paula Bittar.
E, NA ÚLTIMA REPORTAGEM DA SÉRIE SOBRE SEGURANÇA PÚBLICA, QUE VAI AO AR AMANHÃ, VAMOS CONHECER OS PROJETOS QUE TRAMITAM NA CÂMARA E TRATAM DO ASSUNTO.