Reportagem Especial
Especial Drogas 2 - Confira detalhes sobre o consumo de drogas no Brasil ( 06' 02'' )
31/07/2006 - 00h00
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Especial Drogas 2 - Confira detalhes sobre o consumo de drogas no Brasil ( 06' 02'' )
NA EDIÇÃO DE HOJE DA SÉRIE DE REPORTAGENS ESPECIAIS SOBRE DROGAS, VOCÊ VAI SABER A QUANTO CHEGA O CONSUMO DE DROGAS NO MUNDO E NO BRASIL, O QUE ESTÁ SENDO CONSUMIDO E AS POSSIBILIDADES DE USO TERAPÊUTICO DE ALGUMAS DELAS.
Duzentos milhões de pessoas, entre 15 e 64 anos de idade, usam drogas ilícitas pelo menos uma vez por ano, o que representa 5% da população mundial nesta faixa etária. Dessas pessoas, 100 milhões são usuários regulares, ou seja, usam drogas pelo menos uma vez por mês. Os dados constam do Relatório Mundial das Drogas 2006, elaborado pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime, e divulgado no final de junho. O representante do Escritório das Nações Unidas contra drogas e crimes para Brasil e Cone Sul, Giovanni Quaglia, diz o consumo mundial de drogas tendem à estabilização. Mas ele adverte que o consumo da cocaína aumentou na Europa, assim como o consumo da maconha continua a crescer, de um modo geral. Pela pesquisa da ONU, cerca de 162 milhões de pessoas que usaram maconha pelo menos uma vez em 2004. Giovanni Quaglia destaca que o mais grave desse aumento é que existe, hoje em dia, uma variedade de maconha muito mais potente. Ele explica que a maconha normal tem o princípio ativo da droga em torno de 4% e a nova maconha, produzida na Europa e no Canadá, tem princípio ativo que pode chegar a 35%.
"Esta maconha mais potente já não se pode dizer que é uma droga leve. Na Europa, se usa muito o haxixe, que é uma resina, que também é mais potente que a maconha, em seu estado natural."
De acordo com o relatório das Nações Unidas, setores de emergência de hospitais dos Estados Unidos registraram aumento do número de pessoas que reclamam de efeitos graves e inesperados após consumir a versão potencializada da droga. Giovanni Quaglia defende o combate acirrado à produção e ao tráfico de drogas. Ele diz que é mais simples controlar a produção de coca e ópio, que são cultivados em apenas 3 a 4 países no mundo. Complicado é combater a produção de maconha, destaca Quaglia.
"A maconha é cultivada em quase todos os países do mundo. São quase 140 países em que se cultiva cannabis. Então é mais difícil controlar a produção. Também porque na Europa, Canadá e EUA começaram a produzir cannabis dentro de casa."
Mas o uso de maconha com fins terapêuticos é muito defendido por parte da comunidade científica. O chefe do Departamento de Processos Psicológicos Básicos da UNB, Vítor Motta, diz que o tema foi discutido num congresso e a idéia tinha diversos defensores.
"Por exemplo, a maconha, ano passado aqui no Brasil teve um congresso muito interessante, com a presença de militares, ministros da saúde de vários países, pesquisadores, ministros das relações exteriores, porque os efeitos terapêuticos da maconha são tão grandes, tão numerosos, que finalmente chegou numa situação que tem que discutir esses efeitos. Por um lado tem efeito colateral, como toda droga tem. Mas por outro tem um bando de efeito farmacológico interessante na terapia."
De acordo com especialistas, os efeitos da maconha seriam benéficos para aumentar o apetite de pacientes com Aids e diminuir as náuseas em pessoas submetidas à quimioterapia. Além disso, a maconha ajudaria a suportar as fortes dores decorrentes de câncer em estágio terminal.
A cocaína tem cerca de 13 milhões de usuários no mundo. Mas o relatório das Nações Unidas revelou tendência de declínio em 2004, o que não ocorria há anos. A maior parte da droga continua a ser usada nas Américas, especialmente na América do Norte. O consumo no Brasil e na Argentina permanece estável, ao contrário do Paraguai, Colômbia e Peru, que registraram aumento no consumo. O relatório aponta ainda o aumento do uso da pasta base da cocaína, como o crack, nos países do cone sul. O professor Vítor Motta lamenta que o crack tenha chegado ao Brasil, destacando que a droga é o lixo obtido com a produção da cocaína.
"É uma sujeira da síntese da fabricação dessas drogas aí que jamais poderia ser vendida em lugar nenhum do mundo. Coisa similar acontece na Europa com a morfina. Você tem populações pobres da Europa, principalmente leste europeu, que o que eles fazem? Nos lugares ricos, compram morfina pura. Nos lugares com menos poder aquisitivo, compra uma morfina já mais impura, e os mais carentes de condições ... compram uma espécie de uma sopa, que é o resto da morfina, um extrato feito do ópio, que é bem escuro, e começam a injetar aquilo nas suas veias. Com 2 ou 3 injeções, aquilo ali já vira uma necrose horrorosa."
O Levantamento Domiciliar Sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, realizado em 2001, diz que 19 % da população pesquisada já fez uso de drogas na vida. A maconha é a mais usada, citada por 6,9% dos entrevistados, seguida dos solventes, utilizados por 5,8% das pessoas. O uso de heroína foi de 0,1%,
cerca de dez vezes menor que nos Estados Unidos.
De Brasília, Adriana Magalhães.
AMANHÃ, O REPORTAGEM ESPECIAL VAI ABORDAR O CONSUMO DE DROGAS LÍCITAS, COMO O CIGARRO E O ÁLCOOL.