Reportagem Especial
Ida de astronauta brasileiro ao espaço fortalece programa espacial brasileiro - ( 07' 54" )
18/02/2006 - 00h00
-
Ida de astronauta brasileiro ao espaço fortalece programa espacial brasileiro - ( 07' 54" )
O tenente-coronel da Aeronáutica Marcos Pontes será o primeiro astronauta brasileiro a visitar o espaço. Há pouco mais de um mês de sua viagem, ele está em um centro de treinamento na Rússia preparando-se para o lançamento do vôo que o levará a uma estação espacial internacional.
A missão que contará com dois outros astronautas - um russo e um norte-americano - tem o lançamento previsto para às 11 horas da noite, no horário brasileiro, do dia 29 de março. Terá a duração de dez dias entre o lançamento, os oito dias em que o astronauta permanecerá na estação espacial e o retorno à Terra.
Para o presidente da Agência Espacial Brasileira, o ex-deputado federal Sergio Gaudenzi, a ida do astronauta Marcos Pontes fortalece o programa espacial brasileiro, que poderá contar com outros astronautas no futuro e poderá ampliar sua participação no programa de cooperação científica espacial.
"Estaremos entrando em um grupo muito pequeno de países que mandaram astronautas para o espaço. São poucos os países que têm o programa espacial completo. O Brasil entra no grupo de países que têm um astronauta no espaço. "
Gaudenzi diz que a missão no espaço terá dupla importância: além de completar o ciclo de formação do astronauta com o batismo no espaço, será ao mesmo tempo lugar para experimentação científica.
São oito experimentos de universidades e institutos de pesquisa brasileiros que vão ser testados em clima de microgravidade, diz o astronauta Marcos Pontes.
"Vai ser uma coisa bstante imteressante para a ciência brasileira, não só pelos experimentos que estão indo agora. Mas principalmente porque abre um laboratório em condições completamente diferentes do que temos disponível. Em condições muito difíceis de conseguir, que é a mcirogravidade. Os cientistas brasileiros nunca tiveram aberta essa porta. Hoje tem."
A oposição política ao Governo apóia os ganhos científicos. mas estará em terra acompanhando o uso político da missão espacial, É que o astronauta Marcos Pontes deverá conversar por cinco minutos com o presidente da República e suas declarações poderão ser utilizadas em uma virtual campanha eleitoral do presidente da República. A apropriação de feitos grandiosos pelos governantes é uma coisa normal em política, diz o deputado Nelson Proença, do PPS do Rio Grande do Sul.
"As conquistas e os avanços obtidas por um país no período de administração de um governante são normalmente apropriadas por esse governante. Nós esperamos que a população saiba diferenciar isso. Espero que a população saiba entender o que é esforço, a conquista de um programa espacial, que vem sendo conduzido a vários anos, que pertence à ciêrcia brasileira. Então espero que a população saiba diferenciar isso na hora de decididr seu voto."
O astronauta terá pelo menos três intervenções em voz e vídeo. Vai falar com o presidente da República, com jornalistas e com estudantes. Além disso, vai manter comunicação com a estação em terra para conversar com cientistas sobre os experimentos que estará realizando.
O deputado Nelson Proença também denuncia que a ida do astronauta brasileiro foi antecipada de outubro para março, possivelmente com interesses eleitorais. Sergio Gaudenzi contesta a tese de que a programação do vôo para o mês de março tenha conotações políticas.
"Não houve programaçâo para outubro. Quem negociou com a agência russa fui eu. A data que a Rússia nos deu era 22 de março e passou para o dia 30 de março. Vinte e nove aqui no Brasil. O acerto desde o início era para março. Não houve conotação política. O nosso interesse era para fazer nesse ano de 2006 para comemorar os 100 anos do vôo de Santos Dumont."
O tenente-coronel Pontes fez o treinamento de astronauta na Nasa, nos Estados Unidos, com quem voaria inicialmente. Foram oito anos e ele vinha fazendo reciclagem períodica para se manter pronto para a missão. Mas os norte-americanos tiveram acidentes com os lançamentos e paralisaram os vôos. Hoje o tráfego até a estação espacial é feito apenas por naves russas, diz o presidente da Agência Espacial Brasileira.
A possibilidade de o astronauta brasileiro fazer seu batismo no espaço foi se reduzindo a cada ano. E então veio a idéia de fazer a viagem através da missão russa, explica Gaudenzi.
"O Pontes estava numa fila enorme, sem possibilidades de fazer o vôo, e ele levantou a possibilidade de ir numa nave russa. Conversamos e fechamos com a agência russa
para que não ficasse mais tempo na fila e concluir o objetivo para o qual o país investiu por oito anos."
Sergio Gaudenzi diz que o preço da missão caiu pela metade com o acordo com os russos.
"Essa missão faz parte de um acordo com a Rússia que envolve outros aspectos. O custo de mercado de uma missão desta é de no mínimo 20 milhões de dólares. Mas estaremso pagando bem menos porque há um acordo de cooperação no programa espacial com a Rússia. E como temos esse acordo, devemos gastar a metade disso."
O lançamento deve ocorrer às 2 da madrugada do dia 30 de março, na Rússia. O que será aqui no Brasil 11 da noite do dia 29. A acoplagem da nave à estação acontecerá um dia e meio depois.
Marcos Pontes tem direito a levar cinco quilos e meio como objetos pessoais, incluindo uma bandeira brasileira que, segundo ele, representará a população brasileira no espaço.
"A bandeira que sobe lá são 180 milhões de pessoas que sobem juntas".
Após o seu retorno à Terra, o astronauta brasileiro deverá ficar entre dez e quinze dias em recuperação e análise fisiológica na Rússia e só depois voltará ao Brasil.
De Brasília, Eduardo Tramarim.