Reportagem Especial
Especial Gripe Aviária - O que é a gripe aviária (05' 42")
19/12/2005 - 00h00
-
Especial Gripe Aviária - O que é a gripe aviária (05' 42")
Um subtipo do vírus influenza aviária, chamado H5N1, tem colocado em estado de alerta autoridades sanitárias do mundo inteiro. Ele é o responsável pela gripe aviária, doença que já matou milhões de aves no oriente. O vírus, originariamente, não ataca humanos. Mas ele vem sofrendo mutações e já está vitimando pessoas, todas infectadas a partir do contato direto com aves. O alerta mundial foi acionado porque existe a possibilidade de que esse vírus sofra nova mutação, e passe a ser transmitido entre humanos. Assim, ele poderá ser disseminado de pessoa para pessoa através de espirro, tosse ou contato físico. A médica infectologista Cristiana Toscano, da Organização Pan-Americana da Saúde, explica que, caso isso ocorra, estaremos diante de uma pandemia, uma epidemia de proporções planetárias. Cristiana diz que não se pode afirmar com certeza se isso vai acontecer, mas admite que há um grande risco. Desde dezembro de 2003, foram confirmados 135 casos humanos, com 69 mortos. Entretanto, Cristiana Toscano, a taxa de letalidade deve se tornar mais amena na ocorrência de uma pandemia.
"Hoje em dia, ele é altamente letal, um pouquinho mais da metade dos casos evoluem a óbito, e isso do ponto de vista evolutivo para o vírus não é uma coisa boa, porque se ele mata as pessoas infectadas, as pessoas não têm capacidade de transmitir por longos períodos de tempo para outras pessoas. Na medida que ele evolui e passa a ser transmitido com facilidade entre humanos, provavelmente ele deve ser menos letal e menos grave. O quadro clínico da infecção humana pelo H5N1, se ocorrer uma pandemia, vai ser diferente do que atualmente acontece."
Os casos humanos estão concentrados na Ásia, em apenas cinco países: Cambodja, China, Indonésia, Tailândia e Vietnã. Cristiana explica que, pela progressão geográfica da circulação do vírus entre aves, observa-se que, em dois anos, ele seguiu do sudeste asiático para o leste europeu. Cristiana Toscano destaca que não há como prever em quanto tempo o vírus pode atingir o continente americano. Segundo a médica, a propagação do vírus é feita através de aves migratórias, que não ficam doentes mas disseminam a doença.
TRILHA
A influenza aviária é um vírus com acometimento respiratório. Cristiana Toscano explica que, além dos sintomas normais de gripe, como calafrios e dores pelo corpo, os casos humanos revelaram outros sintomas mais sérios, com quadros respiratórios graves, como pneumonia. Até mesmo outros órgãos podem chegar a ser atingidos durante a doença. A médica infectologista Cristiana Toscano diz que a única medicação existente no mundo contra esse tipo de vírus só tem eficácia se usada nas primeiras 48 horas depois dos sintomas iniciais, que aparecem depois de 3 dias de infecção. A transmissão começa quando a pessoa adquire a infecção, e pode durar até 7 dias. Cristiana explica que as pandemias de gripe ocorrem a cada 20 ou 30 anos. No início do século passado, em 1918, a gripe espanhola, por exemplo, foi altamente mortal, matando de 20 a 30 milhões de pessoas. É considerado um dos eventos mais mortais da história da humanidade. Naquela época, não havia medicamento adequado como hoje, nem a comunicação rápida entre os países, capaz de promover uma vigilância sobre a disseminação da doença. Mas a facilidade de transporte e comunicação pode ser uma faca de dois gumes, alerta Cristiana.
"O lado positivo é que hoje em dia se tem a capacidade de produzir uma vacina em 4 meses e administrar ela em larga escala. Existe um anti-viral que é efetivo. Existe essa capacidade de comunicação internacional, a gente sabe dia-a-dia a evolução da situação no sudeste da Ásia. Esse mecanismo de transparência e de disseminação da informação internacionalmente é uma coisa que ajuda muito porque o mundo inteiro está monitorando a situação e está se preparando de acordo com isso. Por outro lado, o grande volume de comércio internacional e transporte de pessoas e mercadorias, faz com que uma cepa, uma vez se torne pandêmica, possa circular o mundo em dias. Porque uma pessoa, em 24 horas, pode dar a volta no globo."
No século passado, ocorreram duas outras pandemias, bem menos letais: a influenza asiática, em 1957, e a “influenza de Hong Kong, em 1968.
De Brasília, ADriana Magalhães.