Rádio Câmara

Reportagem Especial

Especial Transposição - Conheça mais sobre esse gigante que é o rio São Francisco - ( 04' 49" )

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TRILHA: "RIACHO DO NAVIO" - LUIZ GONZAGA

No dia 4 de outubro de 1501, o navio de Américo Vespúcio chegava à foz de um grande rio. A mais nova descoberta recebeu o nome do santo do dia, São Francisco. O Velho Chico, como é carinhosamente conhecido, nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, a 1428 metros de altitude, percorrendo 2.700 km até desaguar no Oceano Atlântico. Ele banha cinco estados: Minas, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. A bacia do São Francisco representa 8% do território nacional, com 503 municípios e 14 milhões de pessoas. Parte do estado de Goiás e do DF também compõem a bacia hidrográfica do São Francisco, apesar de não serem banhadas diretamente pelo rio. O Rio São Francisco é o 3º maior rio do Brasil e o 18º do mundo.

TRILHA: SOBRADINHO

Mas os números somente não conseguem traduzir a importância do São Francisco para aquelas regiões, muitas delas marcadas por terras áridas. Cerca de 60% da área da bacia do São Francisco estão incluídas no Polígono das Secas. Apesar de atravessar regiões áridas, ele é perene, ou seja, tem água durante o ano todo. Por isso, o curso do rio alavanca o desenvolvimento em suas margens, e suas águas contam a história da economia local. Em 1955, foram inauguradas as três primeiras unidades da primeira hidrelétrica do São Francisco, a Paulo Afonso. O professor Uriel Duarte, que leciona Recursos Hídricos e Geologia Ambiental no Instituto de Geociências da USP, lembra bem qual era a paisagem encontrada nas margens do Rio naquela época.

"Eu conheci o rio em 1968, e andei antes de Sobradinho, antes de Itaparica, antes de Xingó. Só tinha naquela época Paulo Afonso, produzindo energia. E aquele sertão era um sertão brabo mesmo, era uma caatinga, não tinha nada plantado. O que tinha era bode, acho que era a única coisa que tinha naquela região, e umbu, mas só na época de chuva. E as plantações se davam ao longo do rio, naquelas ilhas que se faziam no rio".

Depois, outras hidrelétricas foram sendo construídas e a região foi se desenvolvendo cada vez mais. O professor Uriel Duarte fica feliz com a mudança.

"Voltando, em 1980, 80 e pouco, já com Sobradinho, estava no início do projeto Sobradinho. E foi um espetáculo. Já se percebia que ia dar certo o projeto de irrigação. Hoje em dia, eu pego uma fotografia de Petrolina, Juazeiro: olha, dá prazer de ver a quantidade de verde, a potencialidade, a vida que o pessoal está vivendo lá em termos de uma produção agrícola muito compensada. Tanto na parte de soja, na parte de cima, quanto na parte de baixo, nas vinícolas, nas frutas."

A construção das usinas coincidiu com a lavoura de irrigação, que tomou impulso no Vale do São Franciso a partir da década de 60, e que provocou a mudança na paisagem observada pelo professor Uriel Duarte. A agricultura se diversificou tanto que até mesmo vinho de boa qualidade passou a ser produzido nas margens do São Francisco.

TRILHA

Fazem parte da bacia do São Francisco grandes cidades como Belo Horizonte e pequenas vilas, como Cabrobó, em Pernambuco. Essa cidade de 28 mil habitantes ocupou a mídia durante um tempo, durante a greve de fome de 11 dias do bispo Luiz Flávio Cappio. A causa desse jejum foi protestar contra o projeto de transposição do Rio São Francisco. A proposta do governo prevê a construção de canais para que uma parte da água seja levada a regiões secas, não banhadas pelo Rio São Francisco, no Ceará e na Paraíba, por exemplo. Mas essa história fica para amanhã.

De Brasília, Adriana Magalhães.

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De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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