Reportagem Especial
Especial Turismo - A imagem do turista estrangeiro sobre o Brasil ( 6' 42'' )
05/10/2005 - 00h00
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Especial Turismo - A imagem do turista estrangeiro sobre o Brasil ( 6' 42'' )
Em 2003, 4 milhões de estrangeiros estiveram visitando o Brasil. O que pensa esse turista? Que imagem ele faz de nossa terra? Porque alguns trazem mais dor-de-cabeça do que vantagens ao país? A psicóloga Amália Raquel Pérez-Nebra fez uma pesquisa avaliando a imagem que os estrangeiros fazem do Brasil. Ela descobriu que as pessoas pensam em cinco dimensões quando escolhem um destino turístico: cenário de cartão postal, infra-estrutura e segurança, luxo e conforto, cultura local e opções de entretenimento. Amália Raquel revela que a imagem mais forte que os estrangeiros têm do Brasil é aquela foto de cartão postal, com praias límpidas e coqueiros frondosos. Em contrapartida, a falta de infra-estrutura que facilite a vida do turista é a pior imagem que o estrangeiro faz do Brasil. Segundo Amália Raquel, isso não representa nenhuma novidade.
"Na realidade, uma das maiores reclamações que nós sabemos que há com relação à infra-estrutura, é com relação à sinalização. No Brasil, aí um pouco é inferência minha, eu não tenho esse dado concretamente, mas no Brasil as pessoas são muito acostumadas a perguntar onde as coisas ficam, e muitos dos estrangeiros estão acostumados a ler onde as coisas ficam. Só aí já há uma barreira. Além disso, um segundo idioma no Brasil de fato é algo ainda elitizado, poucas pessoas conseguem ter uma fluência verbal em outro idioma, como inglês ou espanhol, isso também dificulta."
Os estrangeiros que chegam ao Brasil acham que vão encontrar manifestações culturais a cada esquina. Imaginam ver rodas de capoeira, mulatas sambando, dança de índios e feira de artesanatos, tudo num só lugar, e ficam um pouco decepcionados quando isso não acontece. Mas a pesquisadora Amália Raquel afirma que a imagem cultural mais forte é mesmo o carnaval. Por isso, ela sugere que outras manifestações folclóricas sejam incluídas nos roteiros turísticos elaborados pelo governo. E alerta para o perigo de se fazer da cultura um verdadeiro circo.
"Porque quando a gente está falando de manifestação cultural, a gente está falando de um povoado que consegue permanecer com uma cultura, com seus costumes, e quando ele é invadido pelo turismo, essas pessoas às vezes são retiradas até do processo de manifestação cultural, é transformado num teatro, a gente sabe de todas as dificuldades que isso pode gerar para a comunidade, de certo sentido, e no outro sentido, toda oportunidade que isso pode criar se isso for bem feito."
Outra questão tratada na pesquisa de como o estrangeiro enxerga o Brasil é o entretenimento. Amália Raquel aponta que os turistas que nunca visitaram o Brasil não esperam encontrar muita diversão, como bares e festas. Mas os estrangeiros que já estiveram no Brasil avaliam o entretenimento brasileiro de forma mais positiva. Por isso, a pesquisadora sugere que as opções de diversão também sejam divulgadas no exterior.
Em agosto, houve um recorde de ingresso de dólares com turistas estrangeiros no Brasil: foram 360 milhões de dólares.
TRILHA DO TCHAN
Outra imagem que alguns turistas fazem do Brasil não interessa em nada ao país: é a de mulheres seminuas se oferecendo aos estrangeiros. O turismo sexual também foi avaliado na pesquisa sobre a imagem que o estrangeiro faz do Brasil. A pesquisadora Amália Raquel diz que os dados já indicam uma diminuição da vinda turistas estrangeiros em busca de programas sexuais. Ela aponta que essa mudança se deve à batalha que o governo tem travado contra esse tipo de imagem. O professor da Universidade Estadual de Maringá, João dos Santos Filho lembra que o governo faz uma propaganda intensa inibindo esse tipo de turismo.
"Você, quando está vindo de avião, quando o espaço aéreo entra no Brasil, eles passam um vídeo dizendo que turismo sexual é crime, tal tal tal. Tem toda uma explicação e tem toda uma campanha, tem acordos internacionais que hoje o Brasil está combatendo de fato o turismo sexual, mas é uma coisa muito difícil. A vinda de vôo charter é uma verdadeira oportunidade para turismo sexual. Esse turismo não interessa para nós."
O estado do Ceará, que é um destino habitual dos vôos charters lotados de homens solteiros em busca de muito mais do que as praias brasileiras, também travou guerra contra o turismo sexual. O Secretário de Turismo do estado, Alan Aguiar aponta que o Ceará resolveu enfrentar o problema, e não escondê-lo.
"O estado do Ceará foi o único estado que teve coragem de cancelar um vôo charter, pedir para um vôo charter não pousar no nosso estado, em função do perfil do turista que estava chegando. Quando a gente calcula que os danos sociais são maiores que o beneficio econômico, a orientação do governador é adotar medidas inibidoras."
O Ceará cancelou o vôo porque considerou o perfil dos viajantes suspeito: só havia homens solteiros no avião. Alan Aguiar enumera outras ações do governo do Ceará para combater esse turista, como o lançamento do código de conduta ética contra a exploração sexual infanto-juvenil. Outra iniciativa é uma lei do estado proíbe menores deidade de subirem a quartos de hotéis desacompanhadas dos pais. Além disso, o governo cearense acompanha as peças publicitárias do Ceará divulgadas no exterior e o desembarque internacional de turistas.
De Brasília, Adriana Magalhães.