Rádio Câmara

Reportagem Especial

Especial Lixo - Caminho do lixo urbano - ( 03' 50" )

  • Especial Lixo - Caminho do lixo urbano - ( 03' 50" )

Você já pensou que o lixo produzido na sua casa não desaparece depois que o caminhão de limpeza passa? Aquela sujeira que você não quer ver na sua residência vai parar em algum lugar e, dependendo do destino, pode continuar a causar problemas para sua saúde. 63% das cidades brasileiras ainda possuem lixões, onde o lixo é depositado sem nenhum cuidado. Esse tipo de depósito atrai animais e contamina a água, além de ser prejudicial para as pessoas que trabalham no lugar. Mas o fim dos lixões é de interesse do governo. O gerente-executivo do Programa Nacional de Resíduos Sólidos Urbanos, Marco Borzino, explica esse é um dos objetivos do programa.

"Porque a grande questão não é apenas acabar com o lixão e implantar um aterro sanitário, mas principalmente saber operar bem o aterro sanitário, para que amanhã ele não se transforme num lixão novamente."

Os aterros sanitários são uma alternativa ecológica e social aos lixões. Eles são depósitos controlados, que mantêm o lixo confinado e devem estar localizados a uma distância mínima de 200 metros de qualquer curso d´água. O professor da Universidade de Brasília, especialista em Saneamento, Ricardo Silveira Bernardes, diz que não é muito complicado acabar com os lixões. Ele destaca que o serviço de limpeza pública, no Brasil, costuma pecar em termos de capacitação.

"Como esse sistema ficou muito tempo fora de planejamento, fora de atenção, uma cidade como Brasília, por exemplo, se a gente comparar a empresa de saneamento local, de água e esgoto, com a empresa de limpeza pública, a gente vai ver que tem uma defasagem muito grande da capacitação técnica, dos recursos humanos e materiais disponíveis. Não era para ser. Nós estamos falando da mesma unidade, mas houve esse descado com limpeza pública."

TRILHA:
Quando se fala em lixo, outra alternativa que se apresenta é a coleta seletiva. O professor especialista em lixo, Sabetai Calderoni, diz que cada tonelada de lixo domiciliar que não é reciclada, somente na cidade de São Paulo, representa uma perda de 712 reais. Em um ano inteiro são 791 milhões de reais que se deixa de ganhar com a falta de uma coleta seletiva. Sabetai Calderoni explica que, quando é feita a reciclagem, a primeira coisa que se economiza é matéria-prima, seguida pela energia elétrica. Mesmo com tantos argumentos favoráveis, são poucas as cidades do Brasil que têm um sistema oficial de coleta seletiva de lixo. No Brasil, as primeiras experiências municipais de seleção do lixo surgiram no final da década de 80. Angra dos Reis, Diadema, Belo Horizonte e Campinas são alguns dos municípios pioneiros. Mas, na maioria dos casos, são os catadores os responsáveis pela reciclagem. Até hoje, o tratamento de lixo não é regulamentado por lei, mas estão em tramitação na Câmara vários projetos que criam a política nacional de resíduos sólidos. Esses textos já estão em análise numa comissão especial.

De Brasília, Adriana Magalhães.

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De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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