Reportagem Especial
Educação Financeira - A realidade dos compradores compulsivos - ( 06' 51" )
14/09/2005 - 00h00
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Educação Financeira - A realidade dos compradores compulsivos - ( 06' 51" )
CHAMADA: NA REPORTAGEM DE HOJE VOCÊ VAI VAI CONHECER A REALIDADE DOS COMPRADORES COMPULSIVOS, PESSOAS QUE NÃO CONSEGUEM CONTROLAR O IMPULSO DE GASTAR DINHEIRO
Você conhece alguém que não consegue controlar o impulso de fazer compras, mesmo ficando cheio de dívidas? Essa compulsão tem nome, chama-se oniomania. A ciência ainda não compreende o que causa esse comportamento, mas normalmente a impulsividade, a ansiedade e a depressão são encontrados em compradores compulsivos. O descontrole com o dinheiro reflete uma insatisfação com outros aspectos da vida da pessoa, como explica a psicóloga e professora da PUC, Denise Ramos.
Sonora Denise 1 - "Esses compradores compulsivos, quando você realmente sente que perdeu o controle, se você for analisar o seu estado de espírito quando você partiu para a compra, você vai ver que a tua auto-estima estava lá embaixo, uma enorme frustração que gera uma grande ansiedade. Aí você parte para uma fantasia: se eu me vestir muito bem, se eu estiver muito bonita e bem arrumada, isso vai criar uma admiração. Então o que eu não tenho de amor, não tenho de amizade, não tenho de realização profissional, eu começo a projetar nos objetos"
Esse desequilíbrio emocional muitas vezes é percebido pelo próprio comprador. Uma professora de Brasília que preferiu não se identificar conta que de tempos em tempos perdia o controle e gastava muito com roupas e sapatos sem avaliar se precisava e se podia fazer aquela compra. Ela opina que seu comportamento é fruto de uma grande carência.
Sonora Maria 1 - "Eu penso que seja uma carência, e uma carência afetiva não realizada. Aí você procura preencher. Tem pessoas que tem esse tipo de carência e vão para comida, outros para a bebida, outros para o jogo. E tem um tipo de pessoa que vai para a compra. Compra demasiadamente e depois vem toda uma culpa em cima"
A professora, que hoje tem 56 anos, relembra que tem um comportamento compulsivo com as compras desde os vinte anos. Mas que durante muito tempo não via suas atitudes como um problema real.
Sonora Maria 2 - "Começou de uma forma que eu nunca identificava que era uma compulsão, sempre achava que era um probleminha que depois daria certo. E eu fui percebendo ao longo da minha vida essas dificuldades. Então aos vinte anos minha mãe ajudava. Depois a minha mãe, depois meu marido, depois meu filho, e realmente a família sofre muito com isso"
Hoje essa professora que não quer se identificar faz acompanhamento psicológico e psiquiátrico, fazendo uso de medicamentos antidepressivos. Ela fez um acordo com a família e entregou todos os cheques e cartões de crédito.
TRILHA
Não existem pesquisas conclusivas sobre o assunto, mas estimativas apontam que 3% dos brasileiros podem ser compradores compulsivos, sendo as mulheres as mais sensíveis ao problema. Todos nós gostamos de comprar algo que nos dê prazer, mas para os que sofrem de oniomania a compra traz uma gratificação muito intensa. Mas o neuropsicólogo Daniel Fuentes, que atua na área de transtorno do impulso, explica que o prazer provocado pela compra é rapidamente substituído pela angústia quando a pessoa percebe que não pode pagar o que levou para casa.
Sonora Daniel 1 - "No momento da compra, os nossos pacientes descrevem uma sensação maravilhosa de plenitude, de poder, e se sentem completos naquele momento. O problema é que logo em seguida, muitas vezes não tem tempo suficiente nem para sair do shopping e chegar em casa, elas já são confrontadas com a realidade e com as consequencias que aquelas compras vão provocar na vida delas, e isso vai ocasionar um sentimento de tristeza, de grande frustração, de impotência frente ao seu comportamento"
Daniel Fuentes detalha que muitas pessoas chegam a esconder da família as sacolas fechadas e roupas com etiqueta, pois a culpa por gastar além das possibilidades é muito grande. Alguns pacientes chegam a acumular dívidas 10 vezes maiores que a renda mensal. Daniel enfatiza a necessidade de procurar ajuda nesses casos. O tratamento normalmente acontece com medicação e psicoterapia, sendo muito importante que a pessoa entenda as questões emocionais que estão por trás do hábito de comprar.
TRILHA
Gastar dinheiro impulsivamente não é um comportamento apenas de compradores compulsivos. Quando se experimenta alguma frustração, tristeza ou ansiedade, mesmo as pessoas que não sofrem do transtorno podem buscar a compra como uma compensação para os seus problemas. A psicóloga Denise Ramos aconselha a não embarcar na sedução do consumo nessas ocasiões.
Sonora Denise 2 - "Você não pode descontar nas compras a sua frustração. Então é melhor sair, fazer uma caminhada, telefonar para um amigo, fazer alguma outra coisa, mas jamais entrar em um shopping nesse estado. A ansiedade muitas vezes é descarregada fazendo compras. A pobreza emocional muitas vezes é compensada com uma pseudo riqueza material. E isso só agrava o problema, não alivia em nada"
Se você já percebeu que tem dificuldades para controlar o impulso de gastar dinheiro, admitir que existe um problema é o primeiro passo. Buscar o apoio da família e orientação profissional pode ser o início de uma relação mais saudável com o dinheiro.
De Brasília, Daniele Lessa
CHAMADA: AMANHÃ VOCÊ CONFERE ALGUMAS DICAS DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA PARA CRIANÇAS. VOCÊ PODE LER E OUVIR AS CINCO MATÉRIAS SOBRE EDUCAÇÃO FINANCEIRA NA PÁGINA DA RÁDIO CÂMARA NA INTERNET. O ENDEREÇO É WWW.CAMARA.GOV.BR/RADIO
SM