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Reportagem Especial

Especial Rodovias - As primeiras estradas brasileiras - ( 05' 49" )

  • Especial Rodovias - As primeiras estradas brasileiras - ( 05' 49" )

TRILHA

Quando a primeira estrada brasileira foi inaugurada, os presentes ficaram maravilhados com a velocidade que a pista proporcionava. Em 1861, D. Pedro II e uma grande comitiva percorreram o vistoso caminho de Petrópolis a Juiz de Fora. As diligências cruzaram a estrada recém inaugurada à fantástica velocidade de 20 quilômetros por hora.

As rodovias propriamente ditas só chegaram ao Brasil muitos anos depois. Na década de 20, o então governador de São Paulo, Washington Luís, já dizia uma frase que se tornaria famosa: "governar é abrir estradas". Quem relembra esse momento é o professor do Departamento de Transportes da Universidade de São Paulo, Jorge Pimentel Cintra.

"No tempo da Colônia nós tínhamos aqueles caminhos bastante precários, caminhos de índios e de padres. A coisa era bastante rústica. Se a gente pensar em rodovia propriamente dita, nós temos que pensar em Washington Luis, quando ele assume o governo do estado de São Paulo, na década de 20. Surgem duas grandes estradas que foram modelos para todas as outras, a estrada de Campinas e a estrada de Itu, que se ligavam a capital do estado, São Paulo."

A primeira rodovia pavimentada ligava o Rio de Janeiro a Petrópolis e foi inaugurada em 1928, quando Washington Luís já era presidente. Esse trecho hoje faz parte da BR 040, que liga o Rio de Janeiro a Belo Horizonte.

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Mas a explosão do desenvolvimento rodoviário aconteceu somente nas décadas de 40 e 50. O governo de Juscelino Kubitschek adotou com toda a força o lema de Washington Luís, como explica o consultor da área de transportes da Câmara, Rodrigo Borges.

"A partir da década de 50 com o advento das fábricas de automóveis e do automóvel propriamente dito, a prioridade que foi dada pelo governo do Brasil foi para a expansão da malha rodoviária, inclusive com aquele lema "governar é construir estradas".

A fundação de Petrobrás e a criação de impostos destinados à construção de estradas também deram impulso às rodovias. Mas um fato foi definitivo para o vigor rodoviário: o próprio carro, que se desenvolvia cada vez mais. Os brasileiros também foram seduzidos por essa mobilidade. O transporte ferroviário andava prejudicado com a falta de investimentos, e nesse contexto, o carro e o caminhão foram assumindo mais importância para a vida brasileira.

Mas o período de poucos investimentos também haveria de chegar para as rodovias. Na década de 70, os recursos se tornaram escassos e a conseqüência natural foi a degradação das estradas, como detalha o professor da USP, Jorge Pimentel Cintra.

"No momento das prioridades, o que acontece? Acaba a estrada ficando em segundo lugar. Por que estrada não cai. Cai ponte, cai edifício. Estrada, se faz mal, deixa esburacando, o pessoal passa mais devagar, assim vai. Houve nesse meio tempo na década de 70, a Transamazônica, aquele grande sonho de rodovia de integração de todo país. E é necessário, agora fazendo com que verba e como?"

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT, a malha rodoviária brasileira tem hoje pouco mais de 1 milhão e 744 mil quilômetros, incluídas as rodovias federais, estaduais e municipais. Desse número, apenas 164 mil quilômetros estão pavimentados. A falta de um fluxo contínuo de investimentos originou uma situação que se tornou comum para os brasileiros: rodovias perigosas, repletas de buracos e mal sinalizadas.

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A Pesquisa Rodoviária de 2004 feita pela Confederação Nacional dos Transportes, a CNT, apontou que 74,7% das rodovias apresentaram algum grau de imperfeição. Desse número, 14,6% das estradas estão em estado péssimo. O desequilíbrio entre as regiões do país aparece de maneira clara: cerca de um quarto das rodovias do Nordeste estão em péssimo estado de conservação, contra 11% de rodovias do Sudeste na mesma situação. Para o coordenador da pesquisa CNT, Luiz Sérgio Silveira, a falta de investimentos continuados é o principal fator para esse quadro.

"Se você não investe, essa situacão da rodovia que estava precisando de investimento, ela vai piorando. Então ela está precisando de manutenção esse ano, ano que vem ela já precisa de uma recuperação mais forte. Se não for feito nenhum tipo de investimento no local, daqui a alguns anos esse trecho já está completamente destruído."

Entre os anos de 94 e 97 foi implantado o Programa de Concessões de Rodovias. Atualmente, 36 concessionárias dividem 9 mil e 500 quilômetros de rodovias. Nesses trechos, 165 praças cobram pedágios dos motoristas. Operadoras estaduais também administram 800 quilômetros de estradas, com um total de 20 praças de pedágio.

De Brasília, Daniele Lessa

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