Reportagem Especial

Especial Nutrição 3 - Conheça as propostas que poderão melhorar a alimentação do brasileiro ( 05' 10'' )

07/07/2005 - 00h00

  • Especial Nutrição 3 - Conheça as propostas que poderão melhorar a alimentação do brasileiro ( 05' 10'' )

A preocupação com a nutrição também faz parte dos trabalhos da Câmara. Dezenas de projetos tramitam pela Casa sobre o assunto. Um deles, por exemplo, prevê a adição de ácido fólico e ferro às farinhas de trigo, milho e de mandioca. Segundo estudo britânico, cerca de 70% dos casos de defeitos do tubo neural poderiam ser evitados apenas com a suplementação de ácido fólico nas gestantes. O deputado Benedito Dias, do PP do Amapá, foi relator do projeto na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara, e enumera as vantagens da proposta.

"A mãe que utilizar a farinha com esses componentes vai atuar na prevenção na anemia da mãe, estando grávida, e também na correção da deficiência do ácido fólico que leva a problemas no tubo neural das crianças. Então com essas duas medidas simples vai corrigir essa grande deficiência que as mães são acometidas, principalmente aquelas mães que não têm muito recurso para os polivitamínicos contendo ferro, contendo ácido fólico e outras vitaminas."

A pesquisadora do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da UnB, Muriel Gubert, fala que a fortificação de farinhas com ferro é importante para combater a anemia, um problema generalizado no Brasil. Ela destaca que os principais grupos de risco são as crianças, gestantes e mulheres em idade fértil. A anemia gera problemas como déficit cognitivo e a farinha é alimento básico do prato do brasileiro, lembra Muriel. Segundo a Anvisa, a anemia por carência de ferro atinge cerca de 50% de crianças brasileiras em idade pré-escolar. Muriel Gubert também comemora a adição de ácido fólico nas farinhas.

"Porque o ácido fólico participa principalmente, bem no início da gravidez, da formação do tubo neural do neném. Deficiência de ácido fólico nessa fase causa anomalias, e é normalmente uma fase em que a mulher ainda não sabe que está grávida, então se ela não tem o aporte regular de ácido fólico, ela pode gerar um feto com anomalia. Então, já que já está fortificando com ferro, se corrige esse problema também."

O governo já prevê, por meio de resolução da Anvisa, a adição de ferro à farinha de trigo e de milho, o que acontece desde junho do ano passado. De acordo com o relatório de Benedito Dias, a matéria é tão importante que deve ser regulada por lei federal e não por simples resolução. A proposta já foi aprovada em 3 comissões. Se for aprovada também na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, onde se encontra, será enviada ao Senado.

TRILHA

O deputado Rafael Guerra, do PSDB mineiro, foi relator de um projeto que cria uma política para educação nutricional e segurança alimentar. Ele destaca vários pontos importantes na matéria. Um deles diz respeito ao destaque que o tema recebeu com a implantação de programas como o Fome Zero. Rafael Guerra afirma que outro ponto a favor do projeto é o incentivo à alimentação saudável.

"Orientação inclusive nas escolas, em campanhas governamentais, campanha de esclarecimento à população, para orientação quanto à alimentação saudável. Aí vem a educação nutricional e a importância da alimentação balanceada, evitar alimentos que levem à obesidade. Aí uma série de fatores que se incluem nesse programa. Aí, naturalmente que, é muito mais importante prevenir do que depois tratar as consequências de uma alimentação mal balanceada, mal cuidada, mal preparada. Porque além da questão da obesidade, infecções, hipercolesterolemia, o colesterol alto."

O projeto prevê que a abordagem sobre alimentação na escola faça parte dos parâmetros curriculares nacionais, não mais restrita somente às aulas de biologia. Rafael guerra dá exemplos de como os professores das diversas áreas podem abordar o tema nutricional.

"Aulas de geografia, em que se pode ver as aptidões regionais do país, em relação à vegetação, ao clima, os alimentos mais adequados. Enfim, em todas as matérias pode haver uma referência ao assunto, havendo uma conscientização".

A proposta já foi aprovada na Comissão de Educação e ainda precisa passar por três comissões da Câmara.

De Brasília, Adriana Magalhães.

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