Reportagem Especial
Estatuto do Desporto 3 : Incentivos ao Esporte de Rendimento
30/06/2005 - 00h00
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Estatuto do Desporto 3 : Incentivos ao Esporte de Rendimento
O esporte de rendimento é aquele que tem impulso nas paixões humanas da competição, do triunfo e da derrota. Ele é praticado em competições nacionais e internacionais, com o objetivo de alcançar resultados e ultrapassar os limites. Os jogos olímpicos e paraolímpicos são os que encarnam com mais força o ideal de superação que o esporte profissional representa. A busca pelos primeiros lugares move os atletas e apaixona milhões de pessoas em todo o mundo.
A busca por resultados é tão intensa que causa uma situação contraditória. O esporte, que é tido com fundamental para uma vida saudável, muitas vezes prejudica a saúde dos atletas. O Brasil inteiro acompanhou a recuperação do jogador Ronaldo após as cirurgias no joelho. Problemas ósseos e musculares são constantes na vida de atletas que exigem muito de seus corpos. Eduardo Cílio é psicólogo e atua no acompanhamento de atletas profissionais, sendo também professor da PUC de Minas Gerais. Ele explica que muitas vezes o atleta não sabe o preço que deve pagar quando inicia uma carreira profissional. Para Eduardo, trabalhar o atleta de forma mais integral pode ajudar a lidar com as pressões da atividade esportiva.
"Pensar na mudança de uma cultura, que é a cultura do rendimento na base da pressão. Sinceramente acredito que uma pessoa mais feliz ela rende e produz mais. Uma pessoa que está de bem com ela mesma, que tem consciência do percurso que ela está trilhando, tende a gerar melhores resultados, inclusive no campo esportivo".
O Estatuto do Desporto aprovado em Comissão Especial da Câmara também aborda o esporte de rendimento. O Estatuto criou mecanismos que tornam mais efetiva a democratização do esporte profissional, com maior participação dos atletas nas decisões das entidades. O medalhista olímpico e secretário de Juventude, Esporte e Lazer do estado de São Paulo, Lars Grael diz que tem críticas em relação ao Estatuto, mas que ele é um grande avanço na profissionalização do esporte no Brasil. Lars destaca o artigo que prevê o limite de 8 anos de permanência para os dirigentes de entidades que receberem verbas públicas.
"Só as entidades que tiverem um mandato definido por estatuto de 4 anos com uma única reeleição, estãrão aptas a receberem recursos públicos já é um avanço notável. Isso permitirá o fim das capitanias hereditárias na gestão esportiva nacional, a democratização e o acesso ao papel de participação do atleta".
O presidente da Comissão Especial do Estatuto do Desporto, deputado Deley, do PMDB do Rio de Janeiro e ex-jogador de futebol, também destaca pontos positivos para os atletas profissionais.
"Há vários avanços. Um deles seria a participação dos atletas no processo eleitoral dentro das federações. Outra situação é no meu ponto de vista a principal, que é a lei de incentivo fiscal ao esporte".
O Estatuto do Desporto prevê que pessoas jurídicas possam optar pela aplicação de até 4% do imposto devido em apoio a projetos esportivos.
Mas um atleta não se transforma em profissional de um dia para o outro. O trabalho de base feito em escolas e pequenas entidades é fundamental para a renovação dos atletas e descobertas de novos talentos. Quem destaca esse ponto é o judoca Antônio Tenório, tricampeão paraolímpico.
"A base hoje para no desporto paraolímpico e olímpico é tudo. Se você não tem uma base você não tem atletas de alto rendimento para amanhã. E hoje o paraolimpico começa a vivenciar esse momento, de não ter um Tenório para me substituir no judô, não ter uma Ádria Rocha no atletismo ou um Clodoaldo nas piscinas".
Um dos pontos em comum entre o esporte olímpico e o paraolímpico é a necessidade do trabalho de base para a formação dos atletas. Também não há muitas diferenças na principal queixa dos esportistas: a falta de patrocínio. Mas o presidente do Comitê Paraolímpico, Vital Severino Neto, destaca que os atletas paraolímpicos precisam também de todo um trabalho de reabilitação.
" O esporte paraolímpico guarda essa mesma semelhança com o esporte olímpico, e com um agravante. A pessoa com deficiência além de precisar ter as oportunidades que os esportistas olímpicos também precisam ter, nós precisamos trabalhar ainda na área paraolímpica ainda a questão da reabilitação física, emocional e social desse portador de deficiência".
O Brasil trouxe 33 medalhas das Paraolimpíadas de Atenas, sendo 14 de ouro. Nas Olimpíadas, em 2004 o país teve seu melhor desempenho, com um total de 10 medalhas - 4 de ouro, 3 de prata e 3 de bronze.
De Brasília, Daniele Lessa