Mulheres de Palavra
Violência política de gênero e saúde mental
25/06/2026 - 08h00
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Entrevista: Jornalista Cristiane Bernardes e antropóloga e psicanalista Tainara Pinheiro
A violência política de gênero sob a perspectiva da saúde mental foi o tema deste episódio do Mulheres de Palavra. Na conversa, a jornalista Ana Raquel Macedo recebe a colunista Cristiane Bernades e a convidada especial Tainara Pinheiro, antropóloga e psicanalista. Pinheiro coordena o grupo Psi Antirracista, Gipa Brasil.
Com o apoio de mais de 160 pessoas, o Gipa Brasil mantém a campanha “Sem Cuidado, Não Há Democracia”, que planeja, entre outras ações, escuta e acolhimento de pessoas negras e indígenas a partir do segundo semestre, por conta das eleições de 2026.
Tainara explicou que, em geral, as mulheres são as que mais buscam a campanha. E enfatizou que candidaturas de grupos marginalizados enfrentam sobrecarga emocional, racismo, ameaças e isolamento.
“No Gipa, a gente entende que escutar de forma cuidadosa, isso faz parte da infraestrutura democrática. O cuidado precisa fazer parte da infraestrutura democrática. Porque, quando a gente perde essa dimensão, a gente enfraquece a democracia. A gente enfraquece a possibilidade de que pessoas com agendas muito inventivas possam continuar na disputa. Não é só chegar, mas é de que maneira é possível permanecer ali e fazer diferença, como a gente sabe que pessoas de origens marginalizadas têm feito muita diferença,” defendeu Tainara Pinheiro.
A colunista Cristiane Bernardes também destacou que espaços de acolhimento ajudam mulheres a reconhecer violências e permanecer no processo eleitoral. Segundo ela, a violência política de gênero tem impactos sobre a saúde mental, especialmente quando os ataques são públicos, contínuos e ocorrem nas redes sociais.
Cristiane lembrou que, nas eleições municipais de 2024, o Observatório Nacional da Mulher na Política, na Câmara dos Deputadops, realizou um trabalho de escuta com o apoio de psicólogas voluntárias e pesquisadoras: o projeto “Entre Nós, Candidatas”. A iniciativa mostrou relatos de solidão, falta de apoio partidário e dificuldade das famílias em entender os ataques sofridos pelas candidatas durante a campanha.
“E a ideia naquele momento era também criar um ambiente em que elas pudessem se sentir acolhidas, bem recebidas, para compartilhar suas experiências e conversar sobre esse tema da violência, porque a violência política muitas vezes ela é naturalizada como algo do jogo político. E aí essas mulheres nesse momento tiveram aquele espaço de dizer: "Ah, então tá, isso aqui que eu estou sofrendo realmente é uma violência, eu me senti mal, eu fiquei chateada, eu fiquei triste, eu chorei, porque realmente eu fui agredida, eu não estou ficando louca,” explicou Cristiane Bernardes.
Na página do Observatório Nacional da Mulher na Política na internet, é possível ter acesso ao relatório do projeto “Entre nós, Candidatas”, assim como publicações sobre saúde mental. Para este ano, o observatório vai lançar em julho a campanha “Políticas Seguras nas Redes”.
Quanto ao material do Gipa Brasil, é possível acompanhar as atualizações da campanha “Sem Cuidado, Não Há Democracia” pelo Instagram da iniciativa: @gipa.brasil.
Apresentação: Ana Raquel Macedo